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Sedentarismo: precisamos agir agora!

Embora um número crescente de países tenha iniciado um plano nacional para incentivar a atividade física, novos dados mostram que as ações estão fracassando em conscientizar e tirar mais pessoas do sedentarismo. Frente às evidências sobre o efeito da inatividade física sob a a demência, câncer e outros riscos adicionais para a saúde, é preciso agir agora!

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Dr. Ronaldo Gismondi, doutor em Medicina e professor de Clínica Médica na Universidade Federal Fluminense, fala sobre o problema e destaca as últimas evidências:

“A maior parte de vocês conhece a relação entre sedentarismo e doença cardiovascular. A falta de atividade física está relacionada com obesidade, hipertensão, diabetes e dislipidemia. Contudo, em um estudo que avaliou o impacto de fatores de risco na doença cardiovascular, apenas 35% do risco (o chamado risco atribuível, lembram?) ocorreria pela relação entre o sedentarismo e os demais fatores de risco para aterosclerose.

Mas quais seriam os outros mecanismos? A função endotelial parece ser um dos fortes candidatos a este posto. As pessoas sedentárias têm pior função endotelial, com redução da capacidade de vasodilatação, aumento da resposta inflamatória e de fenômenos trombogênicos na microcirculação.

Em setembro foi publicado no Lancet uma metanálise para avaliar a relação entre atividade física, sedentarismo e mortalidade global. O sedentarismo foi avaliado pelo tempo que a pessoa passava sentada por dia, incluindo assistir televisão, no trabalho e até o transporte coletivo. Foram selecionados 13 estudos, com um total de 1 milhão (!!!) de indivíduos, mostrando:

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Ns: não significativo nos testes estatísticos.

Interpretando a tabela, foi colocado como “padrão” para comparação o grupo com menor tempo sentado (< 4h/dia): quanto mais tempo sentado, pior mortalidade; e quanto mais tempo em atividade física, menor mortalidade. Observe que as pessoas com 1 hora de atividade física por dia “anulam” e seu risco de mortalidade é o mesmo, independente de quantas horas passam sentadas trabalhando ou no transporte. Já os sedentários podem aumentar o risco de morte em até 27%.

A grande dificuldade está em conseguir aumentar o tempo de atividade física na população. Em outro artigo da série, analisaram-se os custos econômicos do sedentarismo e foi observado um custo global de até 53 bilhões de dólares por ano!!! Daria para resolver muito problema de saúde, não?

Os programas governamentais atuais se concentram muito em incentivos por propaganda. Contudo, a atividade física transcende o campo de atuação da medicina, e requer intervenções em áreas como transporte, trabalho e lazer, cuja complexidade é muito maior.

Em um artigo escrito por um brasileiro, o prof Rodrigo Reis, publicado no mesmo número do Lancet, ele analisa diversas intervenções e seu impacto na atividade física. Como curiosidade, uma das intervenções foi o BRT em Cali, Colômbia, e Curitiba, Brasil, mostrando que houve associação entre chegar mais rápido no trabalho e ter mais tempo para praticar atividade física! E pensar que propuseram este ano um plano nacional do ensino médio no qual a educação física deixaria de ser obrigatório…”, finaliza Dr. Ronaldo.

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Referências:

  • http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(16)31070-4/fulltext

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