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1 em cada 4 estudantes de medicina sofre de depressão. E o pior: não procuram ajuda!

Uma meta-análise publicada esse mês no JAMA mostrou que as taxas de depressão estão cada vez maiores entre os estudantes de medicina em todo o mundo. Os números são preocupantes e, o pior, apenas uma pequena parcela procura ajuda.

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Pesquisadores analisaram quase 200 estudos, envolvendo 130 mil estudantes de medicina de 43 países, para estimar a prevalência de depressão, sintomas depressivos e ideação suicida entre eles. Os resultados mostraram que:

  • a prevalência de depressão ou sintomas depressivos foi de 27,2%;
  • a prevalência de sintomas depressivos manteve-se relativamente constante ao longo do período estudado (1982 a 2015, IC – 95%, -0,2% a 0,7%);
  • nos estudos que avaliaram os sintomas depressivos antes e durante a faculdade, o aumento absoluto médio foi de 13,5%. As estimativas de prevalência não diferiram significativamente entre os estudantes pré-clínicos e os estudantes clínicos (23,7% [IC – 95%, 19,5% a 28,5%] versus 22,4% [IC – 95%, 17,6% a 28,2%]);
  • a prevalência geral acumulada de ideação suicida foi de 11,1% (IC – 95%, 9,0% a 13,7%);
  • no entanto, a porcentagem de estudantes que procuram tratamento psiquiátrico foi de apenas 15,7%.

Os resultados mostram que depressão e pensamento suicida são altamente elevados em estudantes de medicina, em comparação com pessoas da mesma idade que não são estudantes. Entre as causas, estão carga horária excessiva, pressão nas provas e falta de equilíbrio com a vida pessoal.

Residência Médica

Esses problemas parecem se agravar ainda mais durante a próxima fase do estudante de medicina: a residência. É o que explica Dr. João Felipe Zanconato, presidente da Associação dos Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro:

“A responsabilidade profissional associada às relações interpessoais (demais residentes, preceptores, pacientes, equipe de saúde), isolamento social, fadiga, privação do sono e inúmeros outros fatores criam um ambiente propício para alterações psicopatológicas e comportamentais, que variam desde um humor deprimido até a ideação suicida.

A excessiva jornada de trabalho leva o médico jovem a criar uma espécie de ‘mundo paralelo’. Como se, por algum momento, ele abrisse mão de sua vida social, dedicando-se quase que exclusivamente a sua formação. Relações conjugais, familiares, amigos e atividade física, por vezes, são deixados de lado.

incidência de burnout está relacionada diretamente a carga de trabalho. Um estudo publicado no BMJ em 2008 concluiu que residentes deprimidos cometem seis vezes mais erros do que os não deprimidos”.

Médicos

Essa pressão continua agindo sob o médico, mesmo após a residência. Uma estimativa da American Foundation for Suicide Prevention indica que, em média, 300 a 400 médicos cometem suicídio por ano em todo o mundo. Embora haja alguma variação na literatura, a maior parte dos estudos indica que as taxas de suicídio entre os médicos são maiores do que a população em geral, especialmente entre as mulheres.

Muito se fala sobre o burnout médico, que acomete cada vez mais profissionais. A síndrome do esgotamento pode comprometer o trabalhador em três âmbitos: individual (físico, mental e social), organizacional (conflito com colegas e piora da qualidade/produtividade) e profissional (negligência, lentidão e impessoalidade com colegas e terceiros). Aqui no Brasil já tivemos vários casos em que o esgotamento levou a problemas gravíssimos no atendimento ao paciente.

Realidade da profissão no Brasil

Em uma recente pesquisa feita pela PEBMED com mais de 4 mil médicos brasileiros, ficou clara a insatisfação em relação ao dia a dia profissional. Entre os entrevistados, 59,6% responderam que se sentem pressionados “o tempo todo” a tomarem decisões no trabalho. A remuneração financeira e o desequilíbrio entre a vida profissional e pessoal também foram pontos negativos apontados pelos médicos.

Diante desse quadro fica evidente que alguns aspectos do sistema de ensino (carga horária, provas) precisam mudar o mais rápido possível, ou continuaremos formando médicos sobrecarregados, performando abaixo do esperado e cada vez mais insatisfeitos.

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Referências:

  • JAMA. 2016;316(21):2214-2236. DOI: 10.1001/jama.2016.17324

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