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Pode ser esclerose múltipla?

O diagnóstico de esclerose múltipla (EM) se baseia na avaliação neurológica especializada, interpretação precisa de imagens de ressonância magnética (RM) e exclusão de outras causas potenciais. Por sua complexidade, a doença pode ser diagnosticada incorretamente, trazendo riscos desnecessários e potencialmente nocivos para os pacientes.

Para caracterizar indivíduos erroneamente diagnosticados com esclerose múltipla, neurologistas de quatro centros acadêmicos de EM apresentaram dados sobre seus pacientes, totalizando 110 pessoas que receberam diagnósticos errados.

Deste grupo, 70% tinham recebido terapia imunomoduladora e 4% tinham se inscrito em ensaios de tratamento clínico. Os diagnósticos alternativos mais comuns foram enxaqueca (22%), fibromialgia (15%), sintomas neurológicos inespecíficos ou não localizados com alteração na ressonância magnética (12%), distúrbio psicogênico (11%) e neuromielite óptica (6%).

As causas identificadas para o erro incluíram má interpretação de eventos clínicos, falta de evidência objetiva de eventos desmielinizantes, má interpretação da RM e aplicação incorreta de critérios de diagnóstico da EM.

Dos 67% dos pacientes diagnosticados submetidos a exame do líquido cefalorraquidiano (LCR), 54% não apresentaram bandas oligoclonais ou índice de imunoglobulina G elevado.

A duração do diagnóstico errado foi de 10 anos ou mais em 33% e uma oportunidade anterior para fazer um diagnóstico correto foi identificada para 72% dos indivíduos. Entre os participantes, 31% experimentaram morbidade desnecessária devido ao diagnóstico incorreto.

Veja também: ‘Você sabe qual é o impacto da atividade física no risco para esclerose múltipla?’

O Dr. Henrique Cal, neurologista e membro da Academia Brasileira de Neurologia, dá sua opinião sobre o tema:

“Atualmente, o diagnóstico de esclerose múltipla se baseia muito mais nos achados clínicos e radiológicos do que no exame de LCR; este pode servir de apoio, em casos duvidosos da forma remitente-recorrente da doença. Já no caso da forma primariamente progressiva da doença, ele tem um papel mais importante no diagnóstico.

É necessário lembrar que o diagnóstico de EM nem sempre é evidente para o neurologista; e que os critérios diagnósticos passam por contínuas revisões de equipes internacionais de especialistas. De qualquer modo, é sempre adequado analisar com calma os casos com sintomas agudos típicos (alteração de força/coordenação, tontura, sintomas visuais, sensitivos ou de nervos cranianos, bem como sinais medulares) que durem mais do que 24h.

Se quadros sugestivos vierem acompanhados de alterações na ressonância magnética (RM) de crânio, a suspeita fica mais forte; se não, algumas vezes, a RM de medula pode ser conveniente para completar a investigação”, finaliza Dr. Henrique.

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Referências:

  • The contemporary spectrum of multiple sclerosis misdiagnosis: A multicenter study. Solomon A Bourdette D Cross A Applebee A Skidd P et. al. Neurology, 2016 – vol: 87 (13) pp: 1393-9. DOI: 10.1212/WNL.0000000000003152

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