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Moonshot 2020: a cura do câncer em 2020?

Em 2016, o congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica recebeu uma visita ilustre: o então vice-presidente democrata Joe Biden fez uma apresentação surpresa na segunda-feira à tarde.

Biden se dirigiu aos principais nomes da oncologia mundial de forma direta e emocionada (seu filho mais velho morrera com um tumor no sistema nervoso central em 2015) para apresentar o ambicioso projeto Moonshot 2020, que tem como objetivo encontrar a cura do câncer até o final desta década.

A proposta pode parecer ambiciosa, mas quando vem do segundo em comando na maior potência econômica e política do mundo merece, no mínimo, atenção e, neste momento em que o tratamento do câncer se encontra, talvez seja possível.

E que momento é esse? O surgimento da imunoterapia, que vem ganhando cada vez mais espaço devido aos excelentes resultados que vem apresentando.

Afinal, no que consiste basicamente este tipo de imunoterapia? Embora seja um mecanismo bastante complexo, o resultado é bastante simples: estimular o sistema imunológico do paciente a sair da inércia e combater o tumor, gerando uma resposta inflamatória com resultados algumas vezes impressionantes.

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Mas por que, afinal, o corpo para de combater o câncer? Nosso sistema imunológico dispõe de mecanismos de alerta para se mobilizar contra quaisquer possíveis ameaças que estejam no corpo, sejam elas microrganismos, substância tóxicas, corpos estranhos e também células cancerígenas. Toda pessoa gera, várias vezes por dia, células normais que podem se tornar um tumor. Cabe às nossas células de defesa, em um mecanismo capitaneado principalmente pelos linfócitos T e pelas células dendríticas, eliminar estas ameaças.

Pois bem, da mesma forma que o sistema imune tem mecanismos para se mobilizar e gerar uma resposta, também há formas de frear a resposta inflamatória, para que as consequências da inflamação não se estendam por todo o corpo. Este “freio” depende dos Checkpoints, ou pontos de controle, onde proteínas de membrana como CTLA-4, PD1 e PD-L1 avisam aos linfócitos que é hora de suspender o ataque, pois a ameaça já foi resolvida.

Acontece que um dos mecanismos de defesa das células tumorais é exatamente através da ativação destes Checkpoints, freando a resposta imune e, assim, podendo se proliferar livremente.

A base da imuno-oncologia, então, são anticorpos direcionados contra o CTLA-4, PD1 e PD-L1, reativando a resposta imunológica e combatendo diretamente o câncer, com uma eficácia terapêutica já comprovada para melanoma, câncer de pulmão, rim e bexiga, em todos os casos se mostrando melhor que os tratamentos-padrão, baseados em quimioterapia.

Os efeitos colaterais também são diferentes, pois as manifestações mais comuns do tratamento quimioterápico, como náuseas, vômitos, diarreia e queda de cabelo não costumam acontecer. Os efeitos adversos muitas vezes se assemelham aos de uma doença autoimune, como pneumonite, artrite, neurite ou encefalite.

Mas ainda há problemas: embora alguns casos tenham respostas impressionantes, casos semelhantes têm respostas discretas, ou mesmo ausentes, o que sugere que talvez existam biomarcadores preditores de resposta, que poderiam auxiliar na decisão terapêutica. Além, é claro, do custo destes novos tratamentos.

Por tudo isso, parece muito propícia a proposta do projeto Moonshot de encontrar a cura do câncer através do trabalho integrado (e inédito) de comunidades acadêmica e científica, indústrias farmacêuticas, seguradoras de saúde e agências governamentais. Poderemos, assim, reduzir custos, aumentar o acesso e otimizar os tratamentos. Em quatro anos saberemos o resultado.

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Referência:

  • http://www.cancermoonshot2020.org/

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