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Um novo método de imagem para o diagnóstico de endocardite

A endocardite bacteriana não é uma doença rara, porém também não é tão incomum e costuma afetar mais as pessoas predispostas (pessoas com lesões estruturais valvares, usuários de drogas injetáveis, pacientes com cardiopatias congênitas, etc…). Por vezes de diagnóstico difícil, exige um grau muito grande de suspeição do clínico e, por isso, alguns escores diagnósticos foram criados para auxiliar. O mais utilizado é o Escore de Duke, que desde sua criação vem sofrendo modificação na tentativa melhorar seu perfil de sensibilidade e especificidade. A última modificação realizada foi a introdução de um critério maior de imagem: o FDG PET-CT.

Em um quadro clínico suspeito de endocardite, com hemoculturas negativas (a maior parte das vezes por uso prévio de antibióticos) e sem uma imagem ecocardiográfica fidedigna, a certeza do diagnóstico fica comprometida, e é justamente neste momento que a medicina nuclear pode ajudar a dirimir essa dúvida.

O SPECT (Single-Photon Emission Computed Tomography) é um captador de raios gamma que consegue produzir imagens a partir destes raios emitidos de algum radiotraçador, máquinas usadas nos exames de cintilografia. Injeta-se então leucócitos marcados com um radiotraçador (In-Oxine ou 99mTc-Hexamethylpropyleneamine Oxime). Esses leucócitos são atraídos por áreas de inflamação, onde se concentram e permanecem, emitindo então radiação para que a máquina capte e forme uma imagem. Logo após, é realizada uma ima por tomografia computadorizada (CT) para uma melhor qualidade da imagem e atenuação de possíveis artefatos. No caso da endocardite, a ideia é flagrar no exame uma valva acometida por inflamação.

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O PET (Positron Emission Tomography) tem o mesmo princípio do SPECT, porém consegue produzir imagens em 360°, usando o FDG (fludeoxyglucose) como radiotraçador. Esse se liga também a áreas inflamadas e os aparelhos atuais de PET também são acoplado a uma tomografia computadorizada para obter melhor qualidade das imagens.

Apesar do uso destas ferramentas não ser exclusivo do coração, elas vêm demonstrando em estudos resultados promissores na elucidação de casos duvidosos de endocardite e encontro de lesões embólicas. Atenção especial deve ser tomada em pacientes que passaram por cirurgia recente ou possuem outro foco de inflamação/infecção, situações que podem comprometer o resultado dos exames. Nesses casos, o SPECT-CT com leucócitos marcados se mostra mais útil, apesar de ser mais dispendioso e depender de grande aparato para produção dos leucócitos marcados.

Ambos os exames foram adicionados aos critérios de Duke imaginológicos maiores na diretriz de endocardite da Sociedade Europeia de Cardiologia, e já são uma realidade em alguns serviços no Brasil.

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Referências:

  • Bailey DL, Townsend DW, Valk, PE, et al. Positron Emission Tomography: Basic Sciences. Secaucus, NJ: Springer-Verlag, 2005. ISBN 1-85233-798-2.
  • Palestro CJ, Brown ML, Forstrom LA, et al. Society of Nuclear Medicine Procedure Guideline for 99mTc-exametazime (HMPAO)-labeled leukocyte scintigraphy for suspected infection/inflammation, version 3.0, 2004. HMPAO_v3 pdf 2004.
  • Saby L, Laas O, Habib G. Positron emission tomography/computed tomography for diagnosis of prosthetic valve endocarditis: increased valvular 18F-fluorodeoxyglucose uptake as a novel major criterion. J Am Coll Cardiol 2013; 61:2374–2382.
  • Erba PA, Conti U, Lazzeri E. Added value of 99mTc-HMPAO-labeled leukocyte SPECT/CT in the characterization and management of patients with infectious endocarditis. J Nucl Med 2012; 53:1235–1243.
  • Habib G, Lancellotti P, Antunes MJ, et al. 2015 ESC Guidelines for the management of infective endocarditis. European Heart Journal Aug 2015, ehv319; DOI: 10.1093/eurheartj/ehv319.

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