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Inca lança versão atualizada das diretrizes de rastreio de câncer de colo do útero

As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero passaram por um amplo processo de revisão e atualização baseado em evidências, envolvendo diversos segmentos da sociedade científica. Nesse processo foram envolvidos mais de 60 profissionais reunidos em grupos revisores ao longo de cerca de um ano, finalizado em 2015. Apesar de se tratar de um texto destinado à prática no SUS, suas recomendações são completamente aplicáveis à prática de saúde suplementar ou medicina privada. Todavia, não são feitas recomendações envolvendo tecnologias que ainda não foram demonstradas serem custo-efetivas no SUS, como testes de DNA-HPV ou citologia em meio líquido.Todas as recomendações conservadoras para o cuidado a mulheres até 20 anos foram estendidas para até 24 anos nas novas diretrizes.

Quais são as indicações da Colposcopia?

Em caso de dois exames citopatológicos de ASCUS (células atípicas de significado indeterminado) subsequentes com intervalo de 6 meses (mulheres acima de 30 anos) ou 12 meses (mulheres com menos de 30 anos) negativos, a mulher deverá retornar à rotina de rastreamento citológico trienal. Porém, se o resultado de alguma citologia de repetição for igual ou sugestiva de lesão intraepitelial ou câncer, a mulher deverá ser encaminhada à unidade de referência para colposcopia.

Todas as mulheres com laudo citopatológico de ASC-H (células atípicas de significado indeterminado não podendo afastar lesão de alto grau) devem ser encaminhadas para uma unidade de referência para colposcopia.

Pacientes com diagnóstico citológico de AGC (Células glandulares atípicas de significado indeterminado) devem ser encaminhadas para colposcopia. Concomitantemente, é recomendável a avaliação endometrial com ultrassonografia em pacientes acima de 35 anos e, caso anormal, estudo anatomopatológico do endométrio. Abaixo dessa idade, a investigação endometrial deverá ser realizada se presente sangramento uterino anormal ou se a citologia sugerir origem endometrial.

Mulheres com o diagnóstico citológico de células atípicas de origem indefinida devem ser encaminhadas para a unidade secundária para investigação. É recomendável a avaliação dos demais órgãos pélvicos com exame de imagem, e a endometrial é em pacientes acima de 35 anos. Abaixo dessa idade, a investigação endometrial deverá ser realizada se presente sangramento uterino anormal ou se a citologia sugerir origem endometrial.

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Mulheres com diagnóstico citopatológico de LSIL (lesão intraepitelial de baixo grau) devem repetir o exame citopatológico em seis meses na unidade de atenção primária. Processos infecciosos ou atrofia genital identificados devem ser tratados antes da nova coleta. Se a citologia de repetição for negativa em dois exames consecutivos, a paciente deve retornar à rotina de rastreamento citológico trienal na unidade de atenção primária. Se uma das citologias subsequentes no período de um ano for positiva, encaminhar à unidade de referência para colposcopia.

Considerando suas limitações durante a gestação, especialistas na área recomendam que colposcopia não deve ser realizada durante a gestação de mulher com LSIL. As alterações fisiológicas que ocorrem durante a gestação podem dificultar a interpretação dos achados, requerendo maior experiência por parte dos colposcopistas. Os achados colposcópicos durante a gestação tendem a ser classificados como maiores, e a presença de deciduose pode levar a sobrediagnóstico e sobretratamento. Qualquer abordagem diagnóstica deve ser feita após três meses do parto mulheres imunossuprimidas devem ser encaminhadas imediatamente para colposcopia.

As mulheres que apresentarem laudo citopatológico de HSIL deverão ser encaminhadas à unidade de referência para realização de colposcopia. A repetição da citologia é inaceitável como conduta inicial.

Todas as pacientes que apresentem exame citopatológico com diagnóstico de lesão de alto grau, não podendo excluir microinvasão, adenocarcinoma in situ ou carcinoma epidermoide invasor, ou tenham suspeita clínica de câncer na unidade primária, devem ser encaminhadas à unidade secundária para colposcopia.

RESUMO:

Células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASCUS) – possivelmente não neoplásicas (ASC-US):

  • < 25 anos: repetir em três anos;
  • Entre 25 e 29 anos: repetir a citologia em 12 meses;
  • 30 anos: repetir a citologia em seis meses.

Não se podendo afastar lesão de alto grau (ASC-H): encaminhar para colposcopia.

Células glandulares atípicas de signficado indeterminado (AGC) – possivelmente não neoplásicas ou não se podendo afastar lesão de alto grau: encaminhar para colposcopia.

Células atípicas de origem indefinida (AOI) – possivelmente não neoplásicas ou não se podendo afastar lesão de alto grau: encaminhar para colposcopia.

Lesão de Baixo Grau (LSIL):

  • < 25 anos: repetir em três anos;
  • 25 anos: repetir a citologia em seis meses.

Lesão de Alto Grau (HSIL): encaminhar para colposcopia.

Lesão intraepitelial de alto grau não podendo excluir microinvasão: encaminhar para colposcopia.

Carcinoma escamoso invasor: encaminhar para colposcopia.

Adenocarcinoma in situ (AIS) ou invasor: encaminhar para colposcopia.

 

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Referências:

  • American Society for Colposcopy and Cervical Pathology. Journal of Lower Genital Tract Disease, Volume 17, Number 5, 2013, S1YS27
  • http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/diretrizes_rastreamento_cancer_colo_utero_2016_3.pdf
  • www.screening.nhs.uk/screening
  • http://www.agreetrust.org/wp-content/uploads/2013/10/AGREE-II-Users-Manual-and-23-item-Instrument_2009_
  • KISCH, M. A. Guide to development of practice guidelines. Clinical Infectious Disease, v. 32, n. 6, p. 851-854, 2001.
  • BORNSTEIN, J. et al. 2011 Colposcopic terminology of the International Federation for Cervical Pathology and Colposcopy. Obstetrics and Gynecology, v. 120, n. 1, p. 166-172, 2012.
  • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Nomenclatura brasileira para laudos citopatológicos cervicais. 3.ed. Rio de Janeiro: INCA, 2012. 23 p.
  • SACKET, D.L.; et al. Medicina baseada em evidências: prática e ensino. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.
  • www.uspreventiveservicestaskforce.org/Page/Name/grade-definitions

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