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vacina sendo injetada no mundo

Mitos e verdades sobre a vacinação

Tempo de leitura: 3 minutos.

A imunização e o saneamento básico representam as medidas mais efetivas de prevenção contra doenças infectocontagiosas. É graças às vacinas que algumas doenças antes temidas puderam ser erradicadas, como o caso da varíola, e outras tantas estão controladas, como o sarampo.

Diante disso, é unânime que a vacinação é benéfica e deve ser encorajada, certo? Entretanto, infelizmente, não é o que se tem visto. Muitos são os receios e os equívocos que permeiam o mundo da vacinação. Vamos então tentar esclarecer algumas dúvidas, que existem até mesmo entre os profissionais de saúde e que levam muitas vezes a contraindicar uma determinada vacina.

O que é vacinação simultânea?

A vacinação simultânea consiste na administração de duas ou mais vacinas ao mesmo tempo, em diferentes locais ou vias. Tal prática não interfere na resposta imunológica das mesmas e também não potencializa os efeitos colaterais de alguma das vacinas em questão. Portanto, em geral, não há contraindicação à associação de vários agentes vacinais em um mesmo dia. Além disso, não há necessidade de estabelecer um intervalo entre as vacinas, caso as mesmas não sejam administradas simultaneamente. As únicas exceções para essas afirmativas são a administração simultânea da vacina contra a febre amarela e a tríplice viral/tetra viral e varicela, que devem ser administradas com intervalo mínimo de 30 dias, e a vacina contra poliomielite oral e rotavírus humano. Estas últimas podem ser administradas simultaneamente. Entretanto, caso não seja feita a vacinação simultânea, recomenda-se esperar até 15 dias para a administração, atentando para a idade máxima limite para a aplicação.

E sobre o intervalo entre as doses de uma mesma vacina?

Uma dúvida bastante frequente é quanto ao intervalo entre as doses de uma mesma vacina. Muitas pessoas iniciam um certo esquema vacinal, porém acabam atrasando as doses subsequentes e não sabem se devem reiniciá-lo ou apenas tomar as doses que faltam. A resposta para essa dúvida é “não”! Não importa o tempo que passe, mesmo se houver atrasos entre os intervalos recomendados de aplicação de uma mesma vacina, não há necessidade de reiniciá-lo.

Quais seriam as contraindicações à vacinação?

Provavelmente, você já ouviu falar de uma mãe que não vacinou o seu filho, pois o mesmo estava resfriado. Há de fato essa contraindicação? A resposta, novamente, é “não”! Existem apenas duas contraindicações verdadeiras. A primeira é comum a todo imunobiológico, que é a história de anafilaxia grave à dose anterior de qualquer vacina ou a componentes vacinais. E quanto à história prévia de anafilaxia ao ovo, apenas duas vacinas do calendário atual são contraindicadas em caso de história positiva, a contra a febre amarela e contra influenza (vacina contra gripe). Ainda assim, nesses casos, deve-se pesar individualmente risco e benefício da vacinação. Se for estabelecido que o benefício à vacinação supera os riscos, a vacina deverá ser administrada em unidades preparadas para atender uma possível reação de hipersensibilidade imediata.

A segunda contraindicação é direcionada às vacinas de agentes vivos atenuados. Estas não devem ser administradas a usuários com imunodeficiência congênita ou adquirida, portadores de neoplasia maligna, em tratamento com corticosteroides em dose imunossupressora e em outras terapêuticas imunodepressoras (como quimioterapia e radioterapia), assim como em gestantes, exceto em situações de alto risco de exposição a algumas doenças virais preveníveis por vacinas.

Ou seja, não se contraindica a vacinação em situações como doença aguda benigna; evento adverso em dose anterior de uma vacina (como a ocorrência de reações locais); antecedente familiar de convulsão, morte súbita ou evento adverso à vacinação (exemplo: convulsão); tratamento com corticosteroides em dose não imunossupressora, corticosteroides inalatórios ou tópicos ou com dose de manutenção fisiológica e a administração de vacinas inativadas durante a gestação.

É importantíssimo ter esses conceitos bem sedimentados, pois contraindicar uma determinada vacina pode resultar na perda da oportunidade de proteger a criança de determinado agente infeccioso.

Vamos lembrar de todos os benefícios que a vacina trouxe tanto de forma coletiva quanto individual! Estimular a vacinação é a garantia de uma população livre de doenças preveníveis.

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Autora:

helena-berbara Mitos e verdades sobre a vacinação

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