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Temos mais que 13 motivos para falar sobre a Baleia Azul

“Oito estados e o DF investigam tentativas de suicídio supostamente motivadas pelo Baleia Azul”; “Polícia do RJ investiga se tentativa de suicídio de jovem tem ligação com jogo”; “Jovem tenta suicídio em Teotônio Vilela (Alagoas) e é resgata por populares”; “Ministério da Justiça determina que PF investigue envolvidos no jogo Baleia Azul”. Estas são algumas das manchetes dos principais jornais do país no último mês, em que relatos sob investigação citam adolescentes que estariam sendo encorajados a retirar a própria vida por meio de desafios online.

Sabe-se que esses desafios, conhecidos como “jogo da Baleia Azul”, tiveram origem em 2015 nas redes sociais da Rússia e se espalharam pela Europa nos últimos dois anos. A preocupação com o jogo aumentou no ano passado, quando diversas fontes especularam 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades virtuais identificadas como “grupos da morte”.

Apesar de estar rodeado de boatos, o jogo suscita a necessidade de se discutir o suicídio entre adolescentes, um fenômeno que cresce no mundo inteiro, de acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Outro fator que contribuiu para o debate foi o lançamento, também neste mês, da série “13 reasons why” (“Os 13 porquês”), que conta a história de uma adolescente que comete suicídio e deixa fitas gravadas com os motivos que a levaram a esse desfecho.

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O cenário no Brasil é preocupante. O Mapa da Violência de 2014, estudo publicado anualmente a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), aponta que a taxa de morte autoprovocada entre jovens é maior do que na população em geral. Em números absolutos, 2.898 pessoas entre 15 e 29 anos tiraram a própria vida em 2014, além dos 146 que o fizeram antes de completar 15 anos. Dados ainda inéditos mostram que, em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 – um aumento de quase 10%. Os números obtidos pela BBC Brasil são do Mapa da Violência 2017, ainda não divulgado oficialmente.

O Jornal El País registrou, por intermédio da psiquiatra da infância e adolescência Sheila Cavalcante Caetano, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), hipóteses para este aumento: “Existem várias hipóteses associadas a isso: aumentou muito a oferta de drogas, que podem provocar transtornos psicológicos; há um estilo de vida em que se dorme cada vez menos, o que tem repercussões químicas no cérebro, como o estresse e a depressão. As famílias também estão menores e os jovens passam muito mais tempo em atividades solitárias, como o videogame, o que dificulta a criação de vínculos mais efetivos e de redes de apoio nas quais eles possam pedir ajuda”

Como identificar o adolescente sob risco?

A OMS alerta que qualquer mudança súbita ou dramática que afete o desempenho, a capacidade de prestar atenção ou o comportamento de crianças e adolescentes deve ser levado seriamente. Como:

  • Falta de interesse nas atividades habituais;
  • Declínio geral nas notas;
  • Diminuição no esforço/interesse;
  • Má conduta na sala de aula;
  • Faltas não explicadas e/ou repetidas, ficar “matando aula”;
  • Consumo excessivo de cigarros (tabaco) ou de bebida alcoólica, ou abuso de drogas (incluindo maconha);
  • Incidentes envolvendo a polícia e um estudante violento.

Mais da autora: ‘Dia Mundial do Rim: entenda a relação entre obesidade e doença renal’

COMO O MÉDICO PODE INTERVIR NA CADEIA DE EVENTOS DO PACIENTE COM IDEAÇÃO SUICIDA?

SUMÁRIO DOS PASSOS NA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO

A tabela seguinte sumariza os principais passos para a avaliação e o manejo de pacientes quando o médico suspeita ou identifica um risco de suicídio.

Risco de suicídio: identificação, manejo e plano de ação.

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Reprodução




Autora:

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Referências:

  • PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: Manual para Professores e Educadores http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/66801/5/WHO_MNH_MBD_00.3_por.pdf
  • PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM MANUAL PARA MÉDICOS CLÍNICOS GERAIS
    http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/67165/7/WHO_MNH_MBD_00.1_por.pdf
  • MAPA DA VIOLÊNCIA 2014 – OS JOVENS DO RBASIL http://www.uff.br/observatoriojovem/sites/default/files/documentos/mapa2014_jovensbrasil.pdf
  • http://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/27/politica/1493305523_711865.html
    https://www.terra.com.br/noticias/brasil/crescimento-constante-taxa-de-suicidio-entre-jovens-sobe-10-desde-2002,a5132f1eea5197af4de12d9aacb8ff40mwwqefyn.html

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