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Voluntariado médico: por que ainda não?

“Atuar como médico voluntário requer tempo, esse é meu problema. Um dia quem sabe”. Quantas vezes ouvimos ou pronunciamos discursos parecidos sobre as justificativas que “impedem” o profissional médico de se envolver ou se dedicar à prática do voluntariado em algum período regular de sua rotina diária, semanal, mensal ou anual. As atividades se atropelam, os horários competem entre si, as contas precisam ser pagas, e a agenda lotada sufoca qualquer permissão para alguma doação gratuita por parte do médico. Sim, doação.

Em nossa sociedade contemporânea amplamente heterogênea, somos também responsáveis por fazer a diferença e transformá-la, mesmo no cenário local em que vivemos ou no mesmo no mundo afora onde tantos sofrem. Sempre há alguém precisando do seu olhar com maior compaixão. Independente das motivações ou religiões, ser voluntário médico requer unicamente sua vontade de doar suas mãos para contribuir para mudanças para aquelas pessoas. Deve-se estar disponível não somente em relação a tempo, mas principalmente com atitudes e pró-atividades. Desde um simples componente do grupo de trabalho até organizador de ações efetivas, sim, há espaço para você. Basta você querer realmente.

E tal atividade surpreendentemente gera maiores benefícios em quem pratica do que em quem recebe, isso é fato. Em várias ocasiões em que a ajuda humanitária voluntária só configura como pontual para pacientes, os médicos levam as histórias e sentimentos por toda a vida. É comprovada a ativação do sistema mesolímbico de recompensa com liberação de ocitocina e vasopressina com diversos efeitos positivos.

Os testemunhos daqueles que já praticam o voluntariado discorrem sobre inúmeros retornos positivos para suas próprias caminhadas. Exemplos de retornos descritos por voluntários incluem: bem-estar pessoal pelo agradecimento, vivência de maiores sofrimentos ou necessidade em outros como autorreflexão, estabilização e melhora significativa do humor dentre os efeitos para a saúde mental, ação e reação imediata, consciência de missão, significado e de pertencimento na sociedade, criação de novos laços profissionais e socioafetivos, otimismo, aprimoramento profissional, melhora da saúde física, redução do estresse, divulgação do seu nome, maior respeito à diversidade, experiências emocionais particulares, cenários novos em sua rotina, satisfação pessoal e outros mais.

Seja o Dr. Happy para muitos, agora sim, nossa sociedade precisa te encontrar! Faça sua parte. Existe algo melhor do que a relação médico-paciente bem estabelecida e gratuita?

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Projeto Doutores das Águas Expedição 2017

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Ok, mas como? E onde?

Existem diferentes formas de atividades voluntárias em que pode atuar, tanto na sua cidade, estado, país ou internacionalmente. Reveja suas afinidades e interesses de acordo com o tipo de atividades existentes, ou crie sua novidade. O voluntariado tem que ser natural, algo motivado por sua sensibilidade. Algumas instituições já estão organizadas e te receberão com portas abertas, e sempre há espaço para novos grupos ou tipos de trabalho. Desde a disponibilidade do seu consultório/clínica até um trabalho de campo em atendimentos em prol de quem precisa e não tem recursos para remunerar o atendimento. Seguem alguns exemplos:

  1. Ação social através da sua clínica ou consultório
  2. Serviço gratuito em atendimento em locais de pouca assistência
  3. Visitas regulares a comunidades carentes e atendimento local
  4. Orientação educacional em saúde através de palestras ou cursos para comunidades, escolas, faculdades, entidades de saúde ou religiosas
  5. Campanhas de atendimento multidisciplinar em comunidades carentes
  6. Atendimento nas ruas com orientações
  7. Participação em programas de rádio ou televisão com o intuito único de ajudar quem precisa
  8. Criação de blogs, atividades em redes sociais para orientações e dúvidas
  9. Participação como membros de instituições em Organização Não Governamental (ONG) voltados para a Saúde

Seguem algumas instituições que permitem acolher seu voluntariado médico:

– Médicos sem fronteiras – http://www.msf.org.br/
– Cruz Vermelha – https://www.icrc.org/pt
– Health Volunteers Overseas – https://hvousa.org/
– Voluntariado Médico Good News –
http://goodnewsmission.net/ministries/outreach/good-news-medical-volunteers/
– Saúde Criança – http://www.saudecrianca.org.br/en
– Voluntários do Sertão – http://www.voluntariosdosertao.com.br/
– Expedicionários da Saúde – https://www.facebook.com/eds.amazonia/
– Doutores da Alegria – https://www.doutoresdaalegria.org.br/
– Doutores das Águas – http://www.doutoresdasaguas.org.br/

Pronto, hora de começar a dar seus passos e oferecer seu melhor para o mundo. Afinal, há quanto tempo você não recebe um sorriso sincero de agradecimento em retorno a sua mais simples e melhor doação do seu tempo?

Autor:

rafael-duarte Voluntariado médico: por que ainda não?

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3 Comentários

  1. Jorge Brenneisen Júnior

    Sou médico e já participei de ações voluntárias, durante anos integre o Lions Club de minha cidade, e através de bazares, eventos gastronômicos e outras ações, conseguimos reformar instituições ou equipá-las, assim como ajudar indivíduos, fornecendo óculos ou cadeiras de rodas. Achei e acho que fazia a diferença. Mas sempre tive o cuidado de nunca atuar como médico. Pois é desta função que nós conseguimos nosso pão. Somos profissionais, na grande maioria, que temos ganhos reduzidos pelo o que produzimos, esforços para nós manter atualizados nos custam caro, seja em tempo, ou financeiro. A saúde da população, como está escrito na lei, “…é dever do estado”. E me chocou quando o governo do RS abriu pedido de voluntariado para atender a população. E afinal, por quê investir na saúde, se há aqueles “de bom coração” que atendem sem ônus no SUS? Me perdoe o autor do artigo, mas muito já se fez para espoliar nossa profissão, inclusive por médicos mesmos, e este tipo de ação, só visa salvar uma administração pública que parasita e vilipendia nossa profissão. E fazer trabalho médico voluntariado seria corroborar a má gestão dos canalha.

  2. UBIRATAN ROSA PASSOS

    A MINHA ESPOSA, PEDIATRA, ATENDIA, VOLUNTARIAMENTE, CRIANÇAS CARENTES EM UMA SALA DA IGREJA DA QUAL SOMOS MEMBROS. ISSO, APÓS FISCALIZAÇÃO DO LOCAL E AUTORIZAÇÃO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DO MUNICÍPIO, QUE INCLUSIVE FORNECEU RECEITUÁRIO, MATERIAL PARA REQUISIÇÃO DE EXAMES PELO SUS, ETC. EM UM BELO DIA, POR ORDEM DA FUNCIONÁRIA DIRETAMENTE SUBORDINADA AO SECRETÁRIO DE SAÚDE, RECEBEU UM COMUNICADO DE QUE NÃO MAIS PODERIA CONTINUAR COM ESSE TRABALHO JÁ QUE OS OUTROS “COLEGAS” PEDIATRAS ALEGARAM QUE ESTAVAM SENDO PREJUDICADOS EM SEUS CONSULTÓRIOS PARTICULARES. REALMENTE, O VOLUNTARIADO É UMA NOBRE ATITUDE MAS TEM SEUS EMPECILHOS QUE, NA MAIORIA DAS VEZES, PARTEM DOS PRÓPRIO “COLEGAS” QUE SE JULGAM “PREJUDICADOS”. E CONCORDO, EM PARTE, COM O QUE ESCREVEU O COLEGA JORGE BRENNENSEIN.

  3. UBIRATAN ROSA PASSOS

    CORRIGINDO: BRENNEISEN.

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