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10 mitos e verdades sobre o tratamento do resfriado comum

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Tempo de leitura: 5 minutos.

O campeão de atendimentos nessa época do ano no pronto atendimento e nas clínicas gerais é o resfriado comum. Cercado de mitos e de controvérsias de condutas, essa patologia causa bastante embaraço muitas vezes, especialmente pelo conflito de informações efetivas ou não e as divergências de expectativas entre o médico e seu paciente. Diante disso nós elaboramos 10 mitos e verdades de condutas em relação ao manejo do resfriado comum para auxiliar você nessa tarefa.

1. Anti-histamínicos e descongestionantes nasais combinados são eficazes

Verdade. O uso combinado de anti-histamínicos e descongestionantes nasais pode auxiliar no tratamento. O uso isolado de anti-histamínicos têm benefício com evidências insuficientes, sendo associado apenas à efeitos colaterais desfavoráveis.. Uma revisão sistemática com metanálise avaliou o uso combinado de anti-histamínicos e descongestionantes chegando a conclusão de que o número necessário para tratar (NNT) é quatro, quando comparado ao grupo placebo com intuito de alívio dos sintomas. Ou seja, em conjunto anti-histamínicos e descongestionantes têm algum benefício em relação ao alívio de sintomas.

2. Anti-inflamatórios auxiliam no tratamento

Verdade. O uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) têm eficácia na redução de alguns sintomas do resfriado comum como por exemplo: cefaleia, otalgia, mialgia e artralgia, astenia e espirros. Uma metanálise com 400 pacientes avaliou e comparou o efeito de AINES em comparação ao placebo para redução destes sintomas. O estudo revelou que, embora os AINES consigam ser eficientes no alívio de cefaleia, otalgia, mialgia, artralgia e astenia, não reduzem tosse e coriza, além não reduzirem a duração dos sintomas, apenas sua intensidade.

3. Ipratrópio é eficaz para reduzir a coriza

Verdade. Embora o ipratrópio não reduza a congestão nasal, seu uso é eficaz para redução de rinorreia e espirros. Uma metanálise avaliando o uso intranasal de ipratrópio em comparação ao placebo em sete trials revelou que seu uso está associado à uma redução significativa de sintomas de rinorreia e espirros. Contudo, o estudo revelou que efeitos adversos como secura nasal e epistaxe são igualmente aumentados quando o medicamento é utilizado em relação ao placebo.

4. Descongestionantes nasais aliviam sintomas

Mito. Embora famosos e amplamente utilizados, os descongestionantes nasais como a efedrina não apresentam benefício claro no alívio de sintomas gripais. Uma metanálise realizada em 2007 avaliou a eficácia de descongestionantes nasais em uso isolado para o alívio de sintomas do resfriado comum.

Os resultados evidenciaram que esses fármacos reduzem em 6% aproximadamente a percepção subjetiva de sintomas gripais e seu uso contínuo mantém essa redução em 4% por três a cinco dias. Com benefícios controversos esse grupo de medicamentos em uso isolado é ineficaz, ou no mínimo insuficiente, no controle de sintomas.

5. Expectorantes são eficazes no controle de sintomas

Mito. Amplamente solicitados no cotidiano, os fármacos expectorantes como a guaifenesina, têm um benefício limítrofe no alívio de sintomas como a tosse. Esse resultado de benefício discreto foi obtido em apenas um trial randomizado. Uma revisão sistemática conduzida em 2014 evidenciou não haver benefício como também não haver malefício em relação ao uso de guaifenesina, mucolíticos ou combinações de ambos para o controle agudo de tosse no resfriado comum.

6. Irrigação nasal com solução salina auxilia nos sintomas

Verdade. Conduta muito utilizada na pediatria, a irrigação nasal com solução salina apresenta benefícios para alívio de sintomas do resfriado comum. Contudo, uma revisão sistemática de 2015 evidenciou que essa conclusão possui evidências limitadas devido qualidade metodológica dos estudos analisados e um alto risco de viés de análise.

7. Antibióticos auxiliam no tratamento

Mito. Embora pareça lógico devido ao agente etiológico do resfriado comum que o uso de antibioticoterapia é ineficaz na ausência de infecção bacteriana secundária, o uso dessas medicações é de grande solicitação por pacientes no dia-a-dia. Uma revisão sistemática de trials randomizados com pacientes (incluindo crianças) com sintomas de infecção de vias aéreas superiores (IVAS) cujo tempo de instalação foi inferior a sete dias encontrou que não houve diferenças na persistência de sintomas entre os grupos placebo e intervenção (Risco Relativo [RR] 0.95, 95% IC 0.59-1.51).

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Por outro lado, adultos que receberam antibióticos apresentação risco significativamente maior de efeitos adversos (RR 2.62, 1.32-5.18). Isso implica que o uso de antibióticos no tratamento de IVAS não complicada não só não traz benefícios, como também causa danos.

8. Vitamina C é eficiente no tratamento

Mito. Amplamente utilizados como suplementos alimentares, polivitamínicos e complexos vitamínicos específicos carregam consigo a fama de serem resolutivos em prevenir e aliviar moléstias. Em relação ao resfriado comum a Vitamina C ganha destaque. Apenas um estudo metanalíticos envolvendo 29 trials conseguiu mostrar uma redução pequena porém significativa de duração dos sintomas gripais de 8% em adultos com histórico de uso regular de vitamina C ( dose mínima de 200 mg/dia). Essa duração foi de incerteza quanto aplicabilidade clínica uma vez que o mesmo estudo não evidenciou que o uso do suplemento foi capaz de reduzir a intensidade ou duração de sintomas depois de instalados.

9. Corticoides tópicos nasais auxiliam no tratamento

Mito. O uso de corticoterapia tópica intranasal apesar de bastante difundido não mostrou benefício para redução de duração ou intensidade de sintomas gripais.

10. Uma Verdade Inconveniente

Finalmente uma verdade clínica inconveniente: informação é o melhor remédio. Por maior que seja a dificuldade e por vezes conflitante o fato de informar e educar em saúde os pacientes, essa é uma medida muito eficaz. Em estudo sueco 1014 pacientes entre 0 e 95 anos tratados com sintomas de IVAS em 51 clínicas foram avaliados quanto às expectativas. Em 90% informação era esperada ao passo que antimicrobianos eram esperados pelos pacientes apenas em 50% das vezes. Por outro lado, 73% eram prescritos antimicrobianos. Contudo a satisfação foi avaliada, e a conclusão do estudo evidenciou que a satisfação estava vinculada à informação de maneira independente em relação à prescrição de antimicrobianos.

Entre os pacientes que esperavam antimicrobianos a satisfação foi maior entre aqueles que receberam informações (OR 4.7, 95% IC 1.9-11.9) em comparação aqueles que receberam o antimicrobiano (OR 3.8, 95% IC 1.9-7.5). Por outro lado entre todos os pacientes a satisfação associada à receber informações foi significativamente maior (OR 10.6, 95% IC 5.6-20.1) do que em relação à receber antimicrobianos (adjusted OR 2.2, 95% IC 1.3-3.8).

Ou seja, você pode atender ou não às expectativas de seu paciente, utilizar ou não medidas com evidência ou não. No fim das contas, o que irá determinar a satisfação do paciente ao final é quanto de informação você levar até ele em sua consulta. E as melhores informações para isso você encontra no WhiteBook.

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Referências:

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