9 estudos de tratamentos para a Covid-19 estão sendo acompanhados pelo Ministério

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O desenvolvimento de nove ensaios clínicos realizados no país para testar a eficácia e a segurança do uso de alternativas no tratamento de pacientes com Covid-19 está sendo acompanhado pelos especialistas do Ministério da Saúde.

Segundo uma nota publicada no portal da pasta, no dia 7 de abril, mais de 100 centros de pesquisas, como universidades e hospitais estão participando destes estudos, reunindo 5 mil pacientes com quadros leves, moderados e graves.

A expectativa é ainda no mês de abril sejam publicados os resultados preliminares das pesquisas, abrindo a possibilidade futura do uso de novos medicamentos e terapias no cuidado de pacientes infectados pela doença.
“Estão em curso diversos ensaios clínicos para testar esses remédios. Em breve teremos os resultados preliminares para oferecer terapias seguras e eficazes para a população brasileira. Estamos em busca e rapidamente daremos respostas seguras e eficazes para a população”, destacou Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos.

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Principais medicamentos estudados

Entre os principais medicamentos utilizados nos estudos estão a cloroquina e a hidroxicloroquina associadas ao antibiótico azitromicina, já utilizados contra a malária e doenças autoimunes.

Outras substâncias estudadas fazem parte da combinação de remédios contra HIV/AIDS, formada por lopinavir e ritonavir; além da combinação de lopinavir e ritonavir em conjunto com a substância interferon beta-1b, utilizada no tratamento de esclerose múltipla; e o antiviral remdesivir, desenvolvido para casos de ebola.

Nas próximas semanas começarão os estudos com o corticosteroide dexametasona, com o inibidor de interleucina-6 – tocilizumabe, e também com o plasma convalescente, que em alguns países têm indicado resultados promissores para combater a infecção viral por meio de seus anticorpos.

Orientações sobre uso de plasma convalescente

No Brasil, essas pesquisas não precisam de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem conduzidas. Os estudos seguem as regras dos Comitês de Ética em Pesquisa, Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e Conselho Federal de Medicina.

O que a Agência decidiu fazer, devido à urgência em encontrar uma forma de combater a Covid-19, foi escrever a Nota Técnica 19/2020 com orientações para médicos e pesquisadores para que o plasma convalescente seja utilizado nos testes clínicos com os devidos cuidados e controles.

A primeira vez que os pesquisadores utilizaram a terapia plasmática para conter uma pandemia foi durante a gripe espanhola, em 1918. Uma revisão de oito estudos realizados na época, com a participação de mais de 1.700 pacientes, revelou uma redução significativa da taxa de mortalidade. Claro que, por serem análises antigas, esses estudos não seguiram os mesmos padrões de metodologia científica atuais.

Mais recentemente, uma pesquisa realizada com 80 pessoas em Hong Kong, na China, em 2003, mostrou que portadores da Sars que recebiam a doação de plasma tinham uma chance maior de ter alta em comparação com os não tratados.

Outras duas pesquisas, realizadas durante os surtos de ebola na República Democrática do Congo e na Guiné, também revelaram benefícios da terapia plasmática, apesar de não serem consideradas conclusivas por serem de pequeno porte e não controlados.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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