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A comunicação no ambiente hospitalar e sua problemática

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Comunicar, do latim, communicare, “tornar comum”, pressupõe compreensão e entendimento entre as partes envolvidas. Contrapõe-se a informar, instruir, avisar e cientificar.

A comunicação é uma das “Competências Gerais” estabelecidas pelo Ministério da Educação nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2001. Isso significa dizer que profissionais de saúde devem desenvolver tal habilidade para uma boa prática clínica.

Comunicação no ambiente hospitalar

Passados quase dezenove anos desde a publicação destas diretrizes, ainda há alertas sobre a necessidade de adequação dos cursos de medicina no que tange ao desenvolvimento de habilidades de comunicação e liderança.

Segundo o Conselho Federal de Medicina, hoje o Brasil possui duzentos e oitenta e nove cursos de medicina, sendo ofertadas vinte e nove mil duzentas e setenta e uma vagas. Não existem números oficiais que demonstrem quantos destes cursos possuem na grade curricular o estudo da comunicação.

Leia também: Como a comunicação assertiva auxilia no alcance de objetivos?

Apesar de reformas curriculares, chama-se atenção para que em nenhuma delas o bem-estar dos alunos é levado em conta. O abuso na formação médica, como o assédio psicológico, gera médicos abusadores e impacta negativamente na relação clínica (médico-paciente e médico-médico ou médico-enfermeira). Aponta-se ainda para o pouco espaço que assuntos abstratos possuem na grade curricular médica, havendo preferência para discussões objetivas e protocolares.

É de extrema importância, que uma boa relação clínica seja cultivada nos médicos em seu momento de formação. Existem apontamentos para a soberania e importância da relação médico-paciente em relação a medicina populacional. O Código de Ética Médica (2018) consolida o direito à autonomia do paciente na construção terapêutica. Dessa forma, uma comunicação eficaz é mais que uma qualidade, mas um dever médico.

A má comunicação no ambiente hospitalar é extremamente arriscada para os pacientes. Alertas para erros de administração de medicamentos por baixa qualidade da comunicação intra-hospitalar são frequentes.

Ainda se discute muito pouco sobre comunicação nas escolas médicas e nos hospitais. Tal assunto é tratado com menor relevância apesar de impactar profundamente na qualidade de assistência e na saúde dos trabalhadores.

Leia ainda: Gestão de qualidade: a comunicação e a segurança do paciente

Ainda hoje, vários médicos que se formaram em contexto de abuso perpetuam em seus discursos opiniões que denigrem matérias subjetivas. A autonomia dos pacientes é desconsiderada e os hospitais vivem em contextos de grandes bolhas de violência verbal e cerco do silêncio.

O incentivo ao estudo da comunicação e melhoria dela é de suma importância, uma vez que hospitais com ambientes menos violentos produzem pacientes e profissionais mais satisfeitos e seguros.

As instituições tendem a reduzir custos com contratações de novos profissionais, reduzir rotatividade, melhorar a percepção de bem-estar no ambiente de trabalho e reduzir custos com complicações por erros intra-hospitalares.

Autor:

Referências bibliográficas:

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