Ortopedia

A fixação provisória com placas de minifragmentos interfere na força de compressão da síntese definitiva?

Tempo de leitura: 2 min.

A fixação provisória com placas de minifragmentos vem sendo utilizada recentemente com o intuito de obter e manter a redução da fratura antes da fixação definitiva na cirurgia. Esses implantes podem ser de mais valia em situações de acessos minimamente invasivos ou em fraturas transversas diafisárias onde a utilização de pinças de redução é mais difícil.

Essas placas permitem uma fixação provisória mais estável que com fios de Kirschner ou pinças de redução. Devido ao baixo perfil e diâmetro, são extremamente versáteis e podem ser usadas em diferentes posições no osso sem ser um inconveniente espacial à fixação definitiva. Entretanto, acredita-se que esses implantes colocados provisoriamente bloqueiam ou reduzem a compressão gerada pelas placas de compressão dinâmica.

Leia também: A sustentação de carga ou mobilidade precoce após fraturas de tornozelo aumentam a chance de complicações?

Um estudo com o intuito de confirmar ou refutar essa tese foi publicado esse mês no Journal of Orthopedic Trauma.

Placas de minifragmentos

O estudo foi realizado em um laboratório na Universidade de Pittsburgh. Dez úmeros sintéticos foram “fraturados” simulando fraturas transversas (classificação AO – 12 A3) e divididos em 2 grupos de acordo com a fixação: 1) fixação com placa de compressão dinâmica 3,5 mm ; 2) fixação provisória com placa de minifragmentos 2,0 mm seguida de fixação com placa de compressão dinâmica 3,5 mm. Em cada um dos ossos foram criadas 2 fraturas e os testes foram realizados duas vezes em cada, totalizando quatro testes por osso.

Para aferição das medidas de força, uma célula de carga foi acoplada ao traço de fratura e segurada à cada placa. Foram estabelecidos três momentos principais em cada uma das situações: 1) C0, que no grupo 1 corresponderia à uma pré-carga e no grupo 2 à força de compressão da placa de minifragmentos; 2) C1, que seria a força após o primeiro parafuso de compressão; 3) C2, que seria a força após inserção do segundo parafuso de compressão e reaperto do primeiro parafuso. As variáveis estudadas foram, portanto, o ΔC1 (C1-C0), ΔC2 (C2-C1) e ΔC total (C2-C0).

No grupo 1, o ΔC1 foi 138,9 ± 53,5 N (IC 95% 115,5– 162,4 N) e no grupo 2 foi de 127,6 ± 74,7 N (IC 95% 94.9–160.4 N), sendo p = 0,59. O ΔC2 no grupo 1 foi 77,8 ± 54,4 N (IC 95% 54,0–101,6 N), e no grupo 2 foi 87,1 ± 51,4 N (IC 95% 64,5–109,6 N), sendo p = 0,58. Da mesma maneira, o ΔC total também não demonstrou diferenças significativas entre o grupo 1 – 216,7 ± 65,5 N (IC 95% 188,1–245,4 N) e grupo 2 – 214,7 ± 76,5 N (IC 95% 18,2–248,2 N) com p= 0,93. A única diferença significativa foi a pré-carga maior gerada em fraturas fixadas provisoriamente com a placa de minifragmentos (79,5 ± 60,8 N versus 1,5 ± 7,4 N com p< 0.001).

Veja mais: Manutenção in situ ou transposição anterior do nervo ulnar no tratamento cirúrgico das fraturas bicolunares do terço distal do úmero?

Conclusões

É importante atentar ao fato de que a fixação provisória testada no estudo foi realizada com placa de 2,0 mm antes da definitiva com placa de 3,5 mm, não servindo este estudo biomecânico para situações com outras dimensões de implantes. Ao que o estudo indica, a fixação provisória com placas dessas dimensões não interfere na força de compressão da fixação definitiva, permitindo a utilização desse recurso sem gerar perda de qualidade da síntese.

Referência bibliográfica:

  • Wheatley, Benjamin M., et al. “Does Provisional Minifragment Fixation Prevent Compression With Dynamic Compression Plating? A Biomechanical Analysis.” Journal of Orthopaedic Trauma, vol. 35, no. 10, Oct. 2021, pp. 550–54, doi: 10.1097/BOT.0000000000002059.
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Publicado por
Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

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