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enfermeira ética

A história das mulheres na Medicina

Algumas profissões sempre foram consideradas como atividades exclusivas para homens na história passada, como exemplo a Medicina. Eis que então surgiu nesse decorrer do tempo mulheres que desafiaram a sociedade da época a qual pertenceram e com sua força e perseverança conquistaram o sonho de exercer essa linda profissão.

Grécia Antiga

Na Grécia Antiga, era proibido para mulheres e escravos o estudo para se tornarem médicos, mas uma grega mudou isso. Agnodice se vestiu de homem por muito tempo para conseguir frequentar as aulas e se dedicou à Obstetrícia e Ginecologia. As mulheres da época se recusavam a serem tratadas por um homem e, por esse motivo, ela revelou ser mulher. Frente à acusação perante um tribunal, Agnodice retirou as vestimentas masculinas e revelou seu sexo. Neste tribunal estavam presentes as pacientes que ela havia tratado e diz a lenda que foi absolvida e continuou a exercer a Medicina.

Idade Média

Dororhea Erxleben conseguiu, em 1754, o seu sonhado certificado de médica, na Universidade de Halle, na Alemanha, aos 39 anos de idade. Ela lutou por seu sonho e procurou o imperador Frederico, o Grande, na Prússia, alegando ser perfeitamente capaz e apresentando seus direitos. Ele então concedeu a aprovação para ela cursar a escola médica em 1741. Após Dorothea apenas em 1901 outra mulher conseguiu a graduação do curso em Halle.

Século XIX e XX – Brasil

A primeira faculdade de Medicina no Brasil foi a Escola de Cirurgia da Bahia em 1808, após a chegada de D. João VI e a família real no país. Foi criado também no mesmo ano a Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica no Rio de Janeiro, mas os certificados e diplomas puderam ser apenas emitidos em 1826 com a autorização de D. Pedro I.

Um tempo se passou e surgiu na história Maria Augusta Generosa que correu atrás do sonho de cursar Medicina e, para isso, prestou exame fora do Brasil, em Nova York, no New York College and Hospital for Women. Ela contou com a ajuda de D. Pedro II, que assinou um decreto em 1877 concedendo a ela ajuda financeira. Talvez a história de Maria Augusta tenha sido a motivação para que D. Pedro II permitisse através também de um decreto a entrada de mulheres nas faculdades de Medicina em 1879. Após se formar em 1881, ela voltou ao Brasil e agradeceu o suporte financeiro a D. Pedro II, e em 1882 validou seu diploma na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, se tornando a primeira médica brasileira a cursar Medicina fora.

A primeira mulher a graduar em Medicina no Brasil foi Rita Lobato Velho Lopes, ela iniciou os estudos na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mas finalizou o curso na Faculdade de Medicina da Bahia. Mulheres determinadas como essas abriram as portas para que muitas outras conseguissem exercer a profissão que desejavam. E, dessa forma, as que vieram após elas puderam entrar e compartilhar o mercado de trabalho.

Nos últimos anos

Percebe-se nos últimos anos a feminização da Medicina no Brasil, que pode ser considerada como um reflexo da crescente predominância feminina na população brasileira. Com base em um estudo epidemiológico do tipo ecológico, publicado na revista de Bioética do CFM (Conselho Federal de Medicina) em 2013, na qual foram considerados dados de 27 Conselhos Regionais de Medicina, dados da Comissão Nacional de Residência e também da Associação Médica Brasileira, os resultados mostraram mais novas médicas registradas desde 2009.

Tabela 1. Médicos em atividade, segundo idade e sexo, Brasil, 2012

Fonte: REVISTA BIOÉTICA, 2013

Há o aumento no número de mulheres formadas em cada ano. Elas passam o número de homens no grupo etário abaixo dos 29 anos e chegam a 46,09% na faixa etária entre 30 e 34 anos.

Figura 1. Evolução de novos registros de médicos, 1910 a 2010, segundo sexo, Brasil, 2012

Fonte: REVISTA BIOÉTICA, 2013

Assim, como também colocado no estudo ainda há a necessidade de reavaliar e readequar propostas de implantação de políticas públicas para atender essa mudança que vem acontecendo no mercado de trabalho com a maior inserção feminina.

Para vocês:

A história conta o quanto as mulheres mostraram ao mundo a coragem, força e determinação para a realização de seus maiores sonhos. Então, a você mulher, feliz dia, feliz semana, feliz existência! Que nos reguemos em brilho, em sorrisos, em desejos, em sonhos, em fé, em atitudes, em perseverança, em tolerância, em amor, em paz no coração. Que a imensa força existente em cada uma de vocês as leve a lindos caminhos na vida e as conduza também na realização de seus sonhos.

E a você acadêmica de Medicina e Médica, parabéns para todas nós, pela força e pela humildade em construir em cada ação, em cada trabalho mais um passo para a realização pessoal e profissional dentro daquilo que nos faz feliz. Desejo a liberdade para serem, simplesmente serem, com sinceridade, verdade e amor.

*Artigo cedido pelo nosso parceiro AEMED

Autora:

Referências:

  • SCHEFFER, Mário César; CASSENOTE, Alex Jones Flores. A Feminização da Medicina no Brasil. Revista Bioética, v. 21, n. 2, p. 268-277, 2013.
  • PRATES, P.R. Mulheres Médicas. Revista da Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul, n.15, 2008

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