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intubação difícil

A intubação será difícil neste paciente? Descubra!

Tempo de leitura: 2 minutos.

Muitos são os artigos e publicações existentes sobre o manejo de uma via aérea difícil, mas a literatura para o médico generalista pouco o orienta a identificar de antemão a probabilidade de se deparar com uma, algo corriqueiro para o especialista em anestesiologia.

O reconhecimento de uma possível via aérea difícil pode alertar os médicos generalistas ou com pouca experiência no manejo de pacientes críticos sobre a necessidade de assistência de um clínico ou anestesiologista com maior experiência e treinamento em via aérea, bem como se preparar para o possível manejo de complicações.

Antes de “passar aperto” com seu paciente Cormack-Lehane 4 (onde é impossível a visualização da epiglote), vale a pena avaliar rapidamente os seguintes parâmetros:

Teste da mordida do lábio superior:

Peça ao paciente para morder o lábio superior com os seus incisivos inferiores. Pacientes que conseguem morder completamente o lábio superior são classificados como nível 1. Em caso de impossibilidade de morder o lábio, são classificados como nível 3.

É considerado atualmente o preditor de maior acurácia a ser realizado à beira do leito do paciente, sendo que a incapacidade de morder o lábio superior leva em 60% das vezes a um cenário de via aérea difícil.

Outros preditores clínicos são o clássico escore de Mallampati, a distância interincisivos (abertura bucal), a distância tireomentoniana, descrita como a distância entre a proeminência laríngea da tireoide e a protuberância mental da mandíbula, a distância esternomentoniana, a mobilidade cervical e o estado da dentição.

Classificação de Mallampati. Fonte: Modificada de Mallampati e colaboradores e Samsoon e Young.

Importante ressaltar que um preditor de via aérea difícil isolado não define conduta médica. A somatória de vários preditores deve servir como sinal de alerta para uma possível via aérea difícil.

Quando uma possível via aérea difícil é identificada (situação em que um profissional treinado tem dificuldade na intubação e ventilação do paciente), planejamento antecipado garante que o equipamento necessário e pessoal qualificado estejam disponíveis no dia da cirurgia.

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Na sala de urgência/emergência, os preditores clínicos (em especial o teste da mordida do lábio superior) são, muitas vezes, as únicas ferramentas que podem alertar o clínico geral sobre uma possível situação que foge do seu dia a dia. Equipe de enfermagem e fisioterapia treinadas para situações emergenciais na abordagem da via aérea também são essenciais na obtenção de sucesso na resolução de complicações.

Bandeja de via aérea difícil com máscara laríngea, bougie e material necessário para cricotireoidostomia de urgência também são indispensáveis em quaisquer unidades de terapia intensiva/salas de emergência. Na dúvida, vale lembrar que a ventilação com unidade ventilatória e máscara salva a vida do paciente nos permite ganhar tempo até pedirmos ajuda.

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Autor:

Referências:

  • Detsky ME, Jivraj N, Adhikari NK, et al. Will This Patient Be Difficult to Intubate? The Rational Clinical Examination Systematic ReviewJAMA. 2019;321(5):493–503. doi:10.1001/jama.2018.21413

Um comentário

  1. Avatar
    Argemiro Macêdo de Souza Filho

    Excelentes informações.

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