A penetração da lâmina de serra durante a artroplastia total do joelho é perigosa?

Tempo de leitura: 2 minutos.

A cirurgia de artroplastia total do joelho (ATJ) envolve cortes ósseos precisos para remoção das superfícies acometidas pela degeneração articular, possibilitando assim o adequado implante dos componentes protéticos.

Embora os cortes ósseos sejam executados com guias que auxiliam a reprodução do alinhamento ósseo correto, o grau de penetração da serra utilizada para a confecção dos cortes é controlada pelo cirurgião. A proteção das estruturas ligamentares e neurovasculares durante a realização dos cortes ósseos é realizada, mas mesmo assim pode ocorrer penetração da lâmina da serra em áreas periféricas aos limites ósseos da superfície a ser cortada, especialmente no corte proximal da tíbia.

Um estudo publicado na revista científica The Bone & Joint Journal, em setembro de 2020, investiga o grau de penetração da lâmina de serra durante cirurgias executadas em cadáver comparando o uso da serra por médicos residentes e cirurgiões experientes já treinados.

Leia também: Obesidade mórbida não deve contraindicar artroplastia de quadril ou joelho

Metodologia

Trata-se de um estudo realizado em cadáveres, no qual 12 joelhos foram operados através de exposição com artrotomia parapatelar medial por três cirurgiões experientes e três residentes.

Durante a ressecção proximal da tíbia, o movimento da serra oscilante em relação à tíbia foi registrado com o uso de marcadores ópticos e técnicas de filmagem de movimentos com câmeras com precisão de 90 micrometros. Foram utilizados afastadores cirúrgicos para proteção das estruturas durante a osteotomia como de maneira habitual.

A distância da ponta externa da porção cortante da serra durante a osteotomia até a borda do osso foi definida como a excursão da serra oscilante. A excursão da serra foi avaliada em seis zonas contendo as seguintes estruturas: ligamento colateral medial (LCM), canto posteromedial (CPM), banda iliotibial (BIT), ligamento colateral lateral (LCL), tendão do poplíteo (PopT) e feixe neurovascular (NV).

Resultados

Os valores de penetração da lâmina foram calculados em percentis e considerados para cada uma das zonas descritas. O valor médio do percentil 75 da excursão em todos os casos foi de 2,8 mm (DP 2,9) para a zona do LCM; 4,8 mm (DP 5,9) para a zona do CPM; 3,4 mm (DP 2,0) para a BIT; 6,3 mm (DP 4,8) para a zona LCL; de 4,9 mm (DP 5,7) para a zona PopT; e 6,1 mm (DP 3,9) para a zona NV.

A excursão da serra oscilante foi significativamente maior na zona do LCL (p = 0,026) e zona NV (p = 0,032) em comparação com a zona do LCM para o valor do percentil 75. Para o valor médio e o valor do percentil 100, não ocorreram diferenças significativas entre as diferentes zonas.

Cirurgiões experientes tiveram uma excursão significativamente menor do que os residentes para todos os três parâmetros investigados: p = 0,007 para o valor médio, p = 0,006 para o valor do percentil 75, e p = 0,022 para o percentil 100.

Saiba mais: Aspirina x rivaroxabana para profilaxia de trombose após artroplastia

Conclusão

Este estudo mostrou que a serra oscilante ultrapassa significativamente a borda do osso durante a ressecção tibial na artroplastia total do joelho, mesmo em mãos experientes. Embora relatos de complicações neurovasculares na ATJ sejam raras, lesões diretas à cápsula e às estruturas estabilizadoras ao redor do joelho podem ser consequência do uso da serra durante o corte tibial.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

Relacionados