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Representação gráfica de mulher sofrendo com esofagite eosinofílica

A sintomatologia pode ser norteadora no diagnóstico da esofagite eosinofílica?

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A esofagite eosinofílica (EoE) é uma doença alérgica crônica do esôfago de etiologia multifatorial, mediada por antígenos, frequentemente associada a atopias. A prevalência de EoE tem aumentado muito nos últimos anos, o que motiva a atenção dos gastrenterologistas. É mais frequente no sexo masculino (3:1). Tem pico de incidência bimodal: crianças/adolescentes e adultos de 30/50 anos.

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Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se na Diretriz Europeia e no Consenso Internacional, que demonstram que os critérios diagnósticos de EoE incluem a presença de sintomas esofágicos, achados endoscópicos sugestivos e infiltração esofágica de eosinófilos (eos). O diagnóstico de certeza é firmado apenas após o exame histopatológico com a presença de eosinofilia esofágica com mais de 15 eos/campo de grande aumento (hpf). O papel dos achados endoscópicos, tais como anéis concêntricos fixos e/ou transitórios, sulcos ou estrias verticais, edema com apagamento da trama vascular, estreitamento do calibre esofágico, fragilidade da mucosa tipo “papel crepom” estenoses e como sugestivo de EoE já está bem estabelecido. Porém, ainda não haviam estudos consistentes sobre se a sintomatologia que nortearia a hipótese diagnóstica.

Estudo recente

Uma análise japonesa verificou sintomas em adultos com EoE. Os sintomas foram divididos em três categorias: (1) sintomas típicos, como disfagia e impactação de alimentos; (2) outros sintomas do trato gastrointestinal: azia, regurgitação, dor torácica e/ou abdominal, epigastralgia, sensação de globo, odinofagia e anorexia; e (3) nenhum sintoma encontrado incidentalmente durante a triagem ou exames médicos.

Estudo publicado em julho de 2020 reuniu 886 casos, sendo que 469 (52,9%) apresentaram sintomas, como disfagia ou impactação alimentar. Azia ou ácido regurgitação foi observada em 224 (25,3%), dor torácica em 59 (6,7%), epigastralgia ou dor abdominal em 42 (4,7%), outros sintomas em 38 (4,3%) e nenhum sintoma em 167 (18,8%) casos. A figura 1 resume os sintomas.

Figura 1: ilustra a proporção de sintomas em adultos com EoE. Os sintomas foram divididos em sintomas típicos (disfagia e impactação alimentar), outros sintomas como azia, epigastralgia e dor no peito e sem sintomas. Fonte: adaptado de J Gastroenterol. 2020; 55, 833–845

 

Os sintomas da EoE podem variar considerando a faixa etária e devem ser considerados no diagnóstico clínico – figura 2.

 

Figura 2: prevalência de sintomas em adultos com EoE de acordo com a faixa etária. Dor ou desconforto torácico foi significativamente mais comum no grupo de meia-idade e a anorexia foi significativamente mais comum em idosos. A prevalência de outros sintomas foi semelhante entre as faixas etárias (* p \ 0,01). Fonte: adaptado de J Gastroenterol. 2020; 55, 833–845

 

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Diagnósticos diferenciais

Os diagnósticos diferenciais da EoE incluem doença do refluxo refratário, gastroenterite eosinofílica, acalasia, infecções virais ou fúngicas, doenças autoimunes ou doença de Crohn, por exemplo. A maioria dos casos pode ser diferenciada de EoE com anamnese e exame físico detalhados, exames de sangue e/ou endoscópico.

A grande dificuldade diagnóstica é a associação entre a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e EoE. A DRGE é uma doença frequente que afeta 10-20% dos adultos e pode se sobrepor a EoE, no entanto, a endoscópica com eosinofilia esofágica em biópsias permite o diagnóstico de EoE. No diagnóstico diferencial, deve-se observar que alguns casos de eosinofilia esofágica têm achados endoscópicos similares a EoE, entre eles esofagite penfigoide, miosite esofágica eosinofílica e esofagite autoimune.

Um fluxograma da abordagem diagnóstica baseada em sintomas para EoE foi proposto por este recente estudo japonês e está sumarizado na figura 3. Propõe que a abordagem deve considerar se os sintomas são típicos (A), outros sintomas do trato gastrointestinal (B) ou diagnóstico acidental (C). Destaca o papel do exame endoscópico e as biópsias. A contagem de eos > 15 eos firma o diagnóstico de EoE. O diagnóstico diferencial também é abordado.

 

Figura 3: abordagem diagnóstica baseada em sintomas para EoE.* Caso refratário ao tratamento padrão;** Consulte um centro de referência em biópsias para EoE;*** Achados endoscópicos graves ou outras razões. Fonte: adaptado de J Gastroenterol. 2020;55,833–845

 

Podemos concluir que a sintomatologia pode, sim, ser norteadora no diagnóstico da EoE.

Whitebook

Autora:

Em conjunto com: Marcelo dos Santos Mourão*, Thayná Barbosa do Nascimento*

*Estudantes de Medicina da Faculdade de Minas (FAMINAS)

Referências bibliográficas:

  • Andrade VLA, et al. Esofagite eosinofílica, uma doença emergente: aspectos endoscópicos e proposta de uma classificação histopatológica. GED gastroenterol. Endosc Dig. 2008 set-out;27(5):131-136.
  • Philpott H, Dellon ES. The role of maintenance therapy in eosinophilic esophagitis: who, why, and how? J Gastroenterol. 2018;53:165–71.
  • Sato H, Terai S. Eosinophilic esophageal myositis (EoEM) causes jackhammer esophagus, rarely posing a problem in the differential diagnosis of eosinophilic esophagitis. Am J Gastroenterol. 2018;113:1263–4.
  • Fujiwara, Y. Symptom-based diagnostic approach for eosinophilic esophagitis. J Gastroenterol. 2020;55,833-845. doi: 10.1007/s00535-020-01701-y

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