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A Terapia de Realidade Virtual e as suas múltiplas aplicações em favor do paciente

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O desenvolvimento tecnológico vem alterando diversas práticas na área da medicina, abrangendo atividades como diagnóstico e terapia.  A realidade virtual (RV) oferece interfaces avançadas capazes de proporcionar a imersão dos médicos em ambientes do corpo humano nos quais eles podem interagir e explorar.

Uma dessas áreas com uma alta inserção da realidade virtual tem tido resultados bem significativos. É a de reabilitação cognitiva e física de pacientes que sofreram algum tipo de lesão cerebral ou trauma psicológico. E até mesmo para estimulação cognitiva sem prejuízo neurológico ou psiquiátrico.

O tema foi um dos debatidos no Congresso Internacional da Associação de Alzheimer. O Congresso foi realizado em julho deste ano, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

“Estudos mostram que a realidade virtual propõe três características na aplicação: imersão, interação (comunicação entre a pessoa e a realidade virtual) e presença (sensação de envolvimento). Essa é capaz de iludir o cérebro a partir de estímulos visuais e fazer com que pareça real o que é imaginário, ou vice e versa”. explica Marcella Bianca, neuropsicóloga e professora de pós-graduação em Neuropsicologia, mestra em Gerontologia e membro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNP), que participou do evento.

Terapias de Exposição

Psiquiatras da Duke University School of Medicine estão usando a Terapia de Realidade Virtual para tratar pacientes com fobias através de terapias de exposição. Os pacientes são inseridos virtualmente em ambientes controlados para entrar em contato com os seus medos, como claustrofobia ou acrofobia.

“O terapeuta, através do teclado do computador, controla o ambiente virtual garantindo a exposição às situações programadas. Ele orienta o participante através do ambiente, podendo interagir durante todo o evento. Pesquisas indicam que seis a doze sessões são necessárias para alcançar o máximo benefício”. explica a neuropsicóloga Marcella Bianca.

Como a terapia é conduzida no consultório do terapeuta, não há mais risco do que com qualquer outro tipo de potencial ilimitado para encontrar amigos, encontrar situações difíceis e estar em público, caso a exposição ir longe demais.  

Controle da dor

Pacientes vítimas de queimaduras sofrem com uma dor terrível e constante, que se intensifica durante o tratamento das feridas ou durante os exercícios de fisioterapia. Para ajudá-las a aliviar a dor, um jogo de realidade virtual foi criado pelos pesquisadores da Universidade de Washington e apresenta resultados surpreendentes.

No SnowWorld, o jogador precisa jogar bolas de neve em pinguins. O ambiente virtual nevado é um forte contraste com a causa de sua dor. Essa terapia tem tido resultados melhores que os da morfina em alguns casos. 

A Terapia de Realidade Virtual também é recomendada para o tratamento de dores crônicas. Muitas vezes, esses pacientes ficam com medo de se mover, o que pode piorar o problema. Vários programas de RV fazem com que os pacientes exercitem as suas partes do corpo lesionadas. E também ampliem a sua amplitude de movimento enquanto bloqueiam a capacidade do cérebro de registrar a dor.

Veja também: Aulas de treinamento prático em realidade virtual serão transmitidas ao vivo na Internet

Formação da cognição social para jovens com autismo

Poucas intervenções sociais baseadas em evidências existem para jovens adultos com autismo de alto funcionamento. E muitos deles enfrentam desafios significativos durante a transição para a vida adulta.

Um estudo realizado pelos pesquisadores da Universidade do Texas investigou, em 2012, a viabilidade de uma envolvente intervenção de Treinamento de Cognição Social da Realidade Virtual. Ela seria direcionada no aprimoramento de habilidades sociais, cognição social e funcionamento social dos adultos com autismo.

Oito adultos jovens diagnosticados com autismo de alto funcionamento completaram dez sessões em cinco semanas. Após o treinamento, foram observados aumentos significativos nas medidas cognitivas sociais da teoria da mente e reconhecimento de emoções. E, também, no funcionamento social e ocupacional da vida real.

Hoje, existe um programa de treinamento nesta mesma universidade que tem ajudado jovens com autismo a trabalharem as suas habilidades sociais. Através da realidade virtual, os pacientes são colocados diante de situações de interação social e têm as suas ondas cerebrais monitoradas.

Essa plataforma de realidade virtual é uma ferramenta promissora para melhorar as habilidades sociais, a cognição e o funcionamento do autismo.

Ainda há excelentes resultados dentro da Terapia de Realidade Virtual na reabilitação de pacientes com sequelas de acidente vascular encefálico, na melhoria da qualidade de vida em idosos com demência e deficientes, pessoas com depressão, na redução da ansiedade e muito mais.

As possibilidades são inúmeras!

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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