Pediatria

AAP 2021: displasia broncopulmonar (DBP) – comparação de resultados e determinantes na evolução da doença

Tempo de leitura: 4 min.

A displasia broncopulmonar (DBP) é a doença pulmonar crônica mais comum e grave observada em recém-nascidos (RNs) prematuros. Sua etiologia e fisiopatologia permanecem obscuras. Apesar da alta prevalência e morbimortalidade associada à doença, não existe uma definição universalmente aceita de DBP. Atualmente, a definição mais comumente aceita de DBP é a necessidade de suplementação de oxigênio com 36 semanas de idade gestacional corrigida. 

Um estudo apresentado na na AAP Experience 2021, congresso da American Academy of Pediatrics, comparou as características clínicas de RNs internados em UTI com diagnóstico de DBP e resultados respiratórios específicos no período de 10 anos. 

Métodos

RNs < 30 semanas de gestação e ≤ 1.000g de peso, foram admitidos na UTI neonatal do Cooper University Hospital entre os anos de 2006-2008 (Coorte A) e 2016-2018 (Coorte B), que receberam oxigênio suplementar e que foram diagnosticados com displasia broncopulmonar (DBP) foram incluídos no estudo. Neonatos com anomalias renais ou cardíacas congênitas complexas foram excluídos. RNs nascidos entre esses dois períodos de tempo foram comparados em uma série de fatores, incluindo materno, pré-natal, evolução clínica neonatal e determinantes socioeconômicos.

Resultados

Os neonatos da Coorte A tiveram maior idade gestacional (27,8 semanas vs 25,6 semanas) e maior peso ao nascer (1064 gramas vs 797 gramas). Além disso, a Coorte B teve pontuações APGAR mais baixas em 1 e 5 minutos e estadias mais curtas na UTI neonatal (56,7 vs 73,9 dias) do que os da Coorte A. Não houve diferença na raça ou sexo, demografia materna ou história de uso de substâncias entre as duas coortes. Havia mais mães com hipertensão na Coorte B. Corticoides pré-natais e surfactante foram administrados menos na Coorte B, enquanto não houve diferença na quantidade de corticoides pós-natal usados. Não houve diferença também na duração da ventilação fornecida.

Conclusão

Apesar de terem nascido quase duas semanas antes e mais de duzentos gramas menores do que os neonatos da Coorte A, os recém-nascidos da Coorte B passaram períodos significativamente menores de tempo na UTI neonatal e receberam significativamente menos suporte respiratório e de oxigênio. Embora esse estudo tenha demonstrado melhora do curso na UTI neonatal do Coorte B, mais pesquisas são necessárias para elucidar as razões desses melhores resultados. 

Estamos acompanhando o congresso da AAP 2021. Fique ligado no Portal PEBMED!

Mais do AAP Experience 2021:

Autor(a):

Referências bibliográficas:

Compartilhar
Publicado por
Larissa Pires Marquite da Silva

Posts recentes

Status de neurodesenvolvimento aos seis meses de idade em crianças com e sem exposição ao SARS-CoV-2

Um estudo avaliou a exposição fetal intrauterina ao SARS-CoV-2 e o neurodesenvolvimento de lactentes aos…

4 horas atrás

Anvisa confirma terceiro caso de Candida auris no Brasil

A Anvisa confirmou o terceiro caso de Candida auris no Brasil, desta vez em um…

1 dia atrás

Abramed alerta para ameaça de desabastecimento de insumos para testes de Covid-19

A Abramed orientou sobre a utilização criteriosa de testes para evitar risco de redução de…

2 dias atrás

Preditor de falha do tratamento conservador na apendicite aguda

Recentemente foram publicados estudos que tinham como objetivo verificar o tratamento isolado com antibioticoterapia para…

2 dias atrás

Análise bibliográfica destaca os 100 artigos mais influentes em doença cardíaca congênita em 20 anos

Uma recente análise bibliográfica publicada mapeou duas décadas de pesquisa em doença cardíaca congênita (DCC).

2 dias atrás

Neutralização plasmática pela variante ômicron na covid-19

Durante esses quase três anos de pandemia, o vírus inicial sofreu diversas mutações, sendo a…

2 dias atrás