Pediatria

AAP 2021: uso de cânula nasal de alto fluxo em crianças com bronquiolite nas enfermarias

Tempo de leitura: 3 min.

Sabemos que a bronquiolite é a causa mais comum de hospitalização em lactentes. A cânula nasal de alto fluxo (CNAF) é um suporte respiratório não invasivo cada vez mais usado para pacientes com bronquiolite. Inicialmente, foi implementado em UTIs, e vários estudos mostraram bons resultados com taxas de fluxo mais altas de 1,5-2 L/kg/min.

Um estudo apresentado na AAP Experience 2021, congresso da American Academy of Pediatrics, por Danni Liang, da Pensilvânia, mostrou redução no tempo de permanência em UTI quando implementado um protocolo de CNAF “aprimorado” com taxas de fluxo de 1,5-2mL/kg/min nas enfermarias em 2019.

Cânula nasal de alto fluxo na bronquiolite

Métodos: estudo retrospectivo conduzido em um hospital pediátrico urbano com crianças de 0 a 24 meses com diagnóstico de bronquiolite aguda tratada com CNAF. O desfecho primário foi a permanência na UTI. Os desfechos secundários incluíram transferências de UTI, número de respostas rápidas e códigos, permanência do departamento de emergência e permanência geral do hospital.

Resultados

703 prontuários eletrônicos de crianças com idades entre 0-24 meses com diagnóstico de bronquiolite dentro dos dois períodos de tempo foram revisados ​​para elegibilidade. 64 pacientes foram incluídos na análise final. Não houve diferença estatística na porcentagem de pacientes iniciados em CNAF (13,8% vs 16,5%) e nenhuma variação demográfica significativa entre os grupos de estudo.

Quando comparado ao grupo pré-protocolo, o grupo de protocolo demonstrou menor tempo de permanência na UTI (28,7 horas vs 78,8 horas, respectivamente, p <0,001) e o tempo de internação hospitalar também reduziu (74,2 horas vs 98,6 horas, p = 0,009). Houve também menos pacientes tratados na UTI (60% vs 100%, p <0,001), com menos pacientes necessitando de transferência para a UTI das enfermarias pediátricas gerais (23,8% vs 100%, p <0,004) no grupo estudado.

Conclusão

A implementação de um protocolo CNAF “aprimorado” nas enfermarias reduziu o tempo de permanência e a utilização de recursos na UTI, sem um aumento de eventos adversos graves em crianças de 0 a 24 meses com bronquiolite.

Mais do AAP Experience 2021:

Autora:

Compartilhar
Publicado por
Larissa Pires Marquite da Silva

Posts recentes

Mediastinite fibrosante: o que precisamos saber

A mediastinite fibrosante (MF) é uma doença rara, caracterizada pela proliferação de fibrose localmente invasiva…

10 horas atrás

Check-up Semanal: oseltamivir na prática clínica, infecção urinária na gestação e mais!

No check-up semanal de hoje, confira: oseltamivir na prática clínica, infecção urinária na gestação e…

11 horas atrás

Como aplicar uma evidência na prática: decisão médica compartilhada

A nova edição da Revista PEBMED abordará Medicina Baseada em Evidências. Aqui, comentamos sobre o uso…

12 horas atrás

Critérios para insuficiência hepática aguda pediátrica: Orientações baseadas a partir do painel PODIUM 

A insuficiência hepática aguda é uma síndrome complexa, grave e rara em crianças e apresenta…

14 horas atrás

Existe algum grupo de maior risco entre os pacientes com score de cálcio 0 na tomografia de coronárias?

O score de cálcio 0 é associado com baixo risco de eventos cardiovasculares e pode…

15 horas atrás

Nutrição Enteral na UTI: 10 dicas para a prática clínica

A importância da nutrição no paciente grave tem sido cada vez mais reconhecida, especialmente nos…

16 horas atrás