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Abscesso perianal: uma das poucas urgências proctológicas

Tempo de leitura: 3 minutos.

Olá colegas! Eu sempre brinco com meus colegas cirurgiões que eu queria uma especialidade que eu não tivesse que sair de madrugada para operar alguém… pois é, mas existem sim urgências cirúrgicas na coloproctologia. O abscesso perianal é uma delas.

A primeira coisa que eu preciso relembrar a vocês: ABSCESSO PERIANAL PRECISA SER ABORDADO, MESMO QUE NÃO APRESENTE FLUTUAÇÃO! Isso é muito importante!!!

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O abscesso cursa por supuração nas glândulas criptoglandulares. Essas glândulas penetram em tecidos profundos e os ductos desaguam na linha denteada (a transição entre o epitélio do canal anal proximal e a mucosa de reto). Oitenta por cento desses ductos estão na submucosa. Quando ocorre alguma obstrução, ocorre o abscesso.

Muito importante: a diarreia ou fezes endurecidas podem favorecer o abscesso.

São classificados em:

  • Isquioretal;
  • Perianal – mais comum;
  • Submucoso;
  • Interesfinctérico.

Os principais sintomas são dor anorretal, edema e febre. Outros sintomas podem variar pela localização do abscesso: dor glútea pode ocorrer em abscesso supraelevador. Dor retal severa com sintomas urinários (disuria, retenção e incontinência) pode ocorrer com o supraelevador e ou interesfinctérico.

O exame físico não é muito rico: à inspeção, apresenta edema, eritema, com ou sem flutuação. Em abscesso supraelevador pode ocorrer massa em toque vaginal.

Mais da autora: ‘Sangramento anal: o que é e como diagnosticar corretamente’

O diagnóstico pode ser feito somente com exame físico. Mas, caso apresente alguma dúvida, a tomografia de pelve normalmente mostra o abscesso. A ressonância de pelve também pode ser usada para esse fim. Outros exames complementares não são de maior ajuda.

Pacientes que precisam de atenção especial: pacientes hematológicos. Há uma relação direta entre o número de granulócitos circulantes e a incidência de doença perianal. O fator prognóstico mais importante para esses pacientes é o numero de dias de neutropenia durante o período infeccioso.

O tratamento tem apenas um pilar: incisão com drenagem! Antibióticos isoladamente não devem ser usados porque não são efetivos e podem complicar em infecção necrotizante.

A incisão deve ser feita no ponto máximo do incomodo, cruciforme. Isso evita o fechamento precoce da loja do abscesso. Dependendo do tipo do abscesso, o tipo de drenagem muda. O mais comum, é a drenagem do abscesso LATERAL AO ESFINCTER EXTERNO. Essa drenagem deve ser feita entre os esfíncteres, o que evita complicações, como incontinência fecal. Os abscessos grandes ou em ferradura (que comunicam os vários espaços) são drenados com incisão entre o ânus e o cóccix, com duas contra incisões. O supraelevador, de origem interesfinctérica, deve ser drenado pelo reto. Ou seja, sabendo a localização, poderemos drenar mais efetivamente, com menor lesão de tecidos saudáveis.

Veja também: ‘Coloproctologia: nem tudo que sangra é culpa das hemorroidas’

E o antibiótico? Tem indicação precisa para pacientes com doença valvar, válvula protética, celulite extensa, próteses, diabetes, imunossupressão ou sepse sistêmica. Nos outros pacientes, em teoria, após a drenagem não há necessidade de manter antibióticos.

No pós-operatório: analgesia, banhos de assento, formadores fecais. Reavaliação em 2-4 semanas. A recorrência pode ocorrer, principalmente no isquiorretal. A formação de fístula após o abscesso é muito comum.

A complicação mais temida é infecção necrotizante. Ocorre em casos de atraso do diagnóstico, organismos muito virulentos, obesidade, tabagismo, diabetes, discrasias, insuficiência renal crônica, entre outros. O tratamento é com desbravamento agressivo e antibioticoterapia venosa. Nesses casos, podemos derivar o trânsito (colostomia) se o esfíncter estiver comprometido, perfuração retal ou colônica, incontinência e em imunocomprometidos.

Então, o mais importante de tudo aqui é: pensar nesse diagnóstico. Quando pensamos no diagnóstico, podemos identificar e tratar mais precocemente, evitando assim complicações graves. Por isso o abscesso perianal é considerado uma urgência cirúrgica.

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2 Comentários

  1. Olá gostaria de saber, apareceu um abscesso ao lado do anus fui até o clinico geral e ele disse que era para passar uma pomada antiinflamatoria que continha também antibiotico. O abscesso estourou e depois foi desaparecendo. Porém agora ele voltou. Isso é comum do abscesso anorretal? Ou é outro problema?

    • Dra Yara Mendonça

      Sim,’pode ser um abscesso perianal.
      Sugiro que você procure um proctologista para um diagnóstico e tratamento adequado

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