Acidentes com animais aquáticos: o que fazer e o que não fazer

O verão se aproxima e a quantidade de acidentes causados por animais aquáticos atinge seu pico nessa época. 

A maioria (metade) das lesões causadas por animais aquáticos são provocadas por ouriços-do-mar, seguidos por cnidários (águas-vivas e caravelas) e peixes (arraias). Apesar de corriqueiros, o manejo de acidentes com animais aquáticos é pouco conhecido pelas pessoas, e essa falta de informação pode piorar o prognóstico. Perfurações, dores, queimaduras e intoxicações variam em gravidade. Saiba o que fazer e o que não fazer!

Veja também: Lesões por águas-vivas: como identificar e conduzir?

animais aquáticos

Ouriços-do-mar

Os ouriços-do-mar são animais arredondados que possuem espículas em sua superfície, capazes de provocar lesões graves. Algumas espécies são peçonhentas e liberam substância de ação hipotensora e efeitos hemolíticos,  cardiotóxicos e neurotóxicos.  As lesões tipicamente acometem pés e tornozelos, e os espinhos facilmente se rompem em vários fragmentos, sendo visualizados pontos negros na pele. 

A dor aguda localizada com duração de horas a dias é o sintoma mais comum. Eritema, edema, vesículas, infecção secundária e necrose tecidual podem ocorrer. O tratamento imediato consiste na imersão da área afetada em água quente não escaldante por 30 a 90 minutos. A retirada das espículas deve ser realizada por profissional habilitado sob anestesia local, e justifica-se pelo risco de formação de granulomas tardios.

Cnidários (águas-vivas e caravelas)

São animais de aspecto gelatinoso que possuem nematocistos, estruturas que disparam conteúdo venenoso após mudanças de pressão e/ou osmose. A toxina tem ação enzimática, neurotóxica e hemolítica, podendo causar sintomas locais como dor intensa e erupção urticariforme de linhas entrecruzadas. No decorrer de horas podem surgir vesículas, bolhas e necrose superficial.

Quadros sistêmicos podem instalar-se, como choque anafilático, arritmias, insuficiência respiratória, hemólise e insuficiência renal, sendo as alterações cardiopulmonares as principais responsáveis pelos óbitos. Esses casos devem ser encaminhados com urgência para o hospital.

O tratamento consiste em utilizar compressas de água do mar fria, medida de potente efeito analgésico que sempre deve ser aplicada ainda na praia. A água doce não deve ser utilizada, pois dispara os nematocistos por mecanismo osmótico.

Os estudos são controversos e alguns artigos indicam o uso de água quente; o mais sensato é evitar temperaturas extremas, que podem afetar a atividade nociceptiva da peçonha. A aplicação de vinagre durante 30 minutos mostrou-se benéfica para cnidários da costa brasileira. O uso de anti-histamínicos tópicos, urina, álcool ou Coca-Cola® não tem embasamento científico e não devem ser aplicadas, com risco de piora do quadro.

Saiba mais: Qual a relação entre a gravidade da doença atópica e a qualidade de vida?

Peixes (arraias)

As arraias são peixes cartilaginosos em formato de disco, cuja cauda tem ferrões geralmente venenosos. Apesar do seu envolvimento em acidentes, não são animais agressivos, mas podem reagir quando pisados. A picada costuma ser na parte distal da perna, provocando dor intensa que dura horas a dias. Infecção secundária e necrose tecidual podem ocorrer. 

O tratamento imediato consiste na imersão em água quente não escaldante (pois o veneno é termolábil). A dor geralmente melhora com essa medida. Outras medidas incluem limpeza e assepsia, exploração cirúrgica dos fragmentos do ferrão, profilaxia antitetânica, uso de antibióticos, anestésicos locais e analgésicos sistêmicos, incluindo opioides, caso a dor persista após horas.

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Referências bibliográficas: Ícone de seta para baixo
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