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Acidentes em indivíduos vivendo com epilepsia

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Indivíduos vivendo com epilepsia têm cerca de duas vezes mais riscos de se acidentarem que a população sem epilepsia. Estima-se um risco de 5% ao ano de essas pessoas chegarem à emergência por um acidente. Esses acidentes não estão necessariamente relacionados a ocorrência de crises e são, sobretudo, afogamentos, traumas cranioencefálicos, queimaduras, fraturas (lembrar que alguns fármacos antiepilépticos – FAEs – interagem com o metabolismo ósseo), luxações e intoxicação por medicações.

É pertinente assinalarmos que esse risco é mais importante nos adultos, durante os primeiros dois anos do diagnóstico, e nos indivíduos com comorbidades psiquiátricas; não parece sofrer efeito do gênero nem da escolaridade.

A análise de risco de acidentes do seu paciente individualmente leva em conta vários aspectos. Fatores como controle atual das crises (controle que vem melhorando), padrão das crises (exclusivamente durante o sono, estímulo-dependentes), tipo das crises (focais não-motoras e sem comprometimento da consciência), boa adesão ao tratamento medicamentoso e não-medicamentoso (boas qualidade e quantidade de sono, consumo de álcool) e efeitos adversos dos FAE devem ser considerados, bem como a presença de lesões estruturais e síndromes epilépticas.

Quais as indicações para o tratamento cirúrgico da epilepsia?

Trânsito

Apesar da tendência de pensar-se automaticamente em um motorista que vive com epilepsia gerando um acidente (prejudicando a si e aos demais), há maior chance de um indivíduo com epilepsia ser um pedestre ou ciclista atropelado do que ser motorista numa colisão.

A legislação vigente sobe obtenção da carteira nacional de habilitação (CNH) diz que o indivíduo que tem epilepsia e está em uso FAE (grupo I) precisa de parecer favorável do médico assistente, ausência de qualquer tipo de crise epiléptica há um ano e ter plena adesão ao tratamento. Já os indivíduos que estão sem FAE (grupo II) deverão ter um diagnóstico diferente de epilepsia mioclônica juvenil, estar há, pelo menos, dois anos sem qualquer tipo de crise, sem FAE há mais de seis meses e parecer favorável do médico assistente.

A CNH tem de ser na categoria B.

Orientações gerais

– Apesar do preconceito que ainda existe, devemos estimular os pacientes a comunicarem em seus ambientes de convívio (escola, trabalho, família, etc) a sua condição. Tem o intuito de manter essas pessoas preparadas e orientadas sobre como agir quando ocorrerem crises.
– Ter poucos ou mesmo não ter móveis de vidro em casa.
– Não deixar a porta do quarto trancada.
– Usar capacete e outros itens de proteção (joelheira, cotoveleira) para pedalar. No Brasil, não é permitido que pessoas que vivem com epilepsia pilotem motos.
– Esportes devem ser incentivados, mas escaladas livres e mergulhos são desestimulados.
– Mães amamentando devem fazê-lo sentadas/deitadas em sofás/camas amplos (ou sobre um tapete). Atentar para a posição do nariz da criança.
– Panelas com cabos voltados para o centro do fogão.
– Fazer viagens com acompanhantes ou portar identificação de que convive com epilepsia.

Observem que as limitações impostas pela doença em face a(s) atividade(s) que o indivíduo deseja realizar devem ser ponderadas à luz dos fatores predisponentes. Nesse sentido, o intervalo livre de crises e a adesão ao tratamento são os principais norteadores.

Entretanto, todo o estímulo deve ser oferecido para que essas pessoas tenham uma vida ”normal”.

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Autor:

Referências:

  • Nguyen R, et al. Injuries in epilepsy: a review of its prevalence, risk factors, type of injuries and prevention. Neurology International, 2009.
  • Mahler B, et al. Risk for injuries and accidents in epilepsy: a prospective population-based cohort study. Neurology, 2018.
  • Sundelin HEK, et al. Epilepsy, antiepileptic drugs, and serious transport accidents: a nationwide cohort study. Neurology, 2018.
  • http://epilepsia.org.br/noticias/paciente-epilepsia-dirigir-detran-cnh/

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