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medico recebendo uma tesoura para fazer cirurgia

Ácido tranexâmico: eficácia no tratamento da hemorragia está associada ao tempo de administração

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Inventando por Utako Okamoto ao lado do marido, Shosuke, na década de 60 no Japão pós-guerra, o ácido tranexâmico pode ser de grande auxílio para tratamento da hemorragia extracraniana decorrente do trauma. Esta é responsável por mais de 2 milhões de óbitos em todo mundo anualmente. Além disso, a hemorragia pós-parto é a principal causa de morte materna, envolvendo cerca de 100 mil mulheres por ano. Um estudo publicado na Lancet em novembro deste ano reforça a importância no ácido tranexâmico no contexto acima.

Medicamentos antifibrinolíticos, como ácido tranexâmico, ácido aminocaproico e aprotinina estabilizam coágulos sanguíneos e reduzem o sangramento. Eles foram usados por muitos anos para reduzir a hemorragia menstrual e são frequentemente administrados durante a cirurgia para reduzir a necessidade de transfusões de sangue. Sua ação consiste em inibir a fibrinólise ao impedir a ativação do plasminogênio em plasmina.

O tratamento imediato com ácido tranexâmico reduz o risco de morte em 70% em pessoas com sangramento grave, dizem os pesquisadores. No entanto, o início do tratamento rápido é importante, pois mesmo pequenos atrasos estão associados a reduções no benefício.

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Nos ensaios WOMAN e CRASH-2, o ácido tranexâmico reduziu em cerca de um terço as mortes resultantes de hemorragia pós-parto e sangramento após lesão grave, se administrado dentro de três horas após o início da hemorragia. Nenhum benefício foi visto se o tratamento fosse atrasado além de três horas.

Os pesquisadores também não encontraram evidências de maiores complicações ou riscos de formação de coágulo associado ao infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, embolia pulmonar ou trombose venosa profunda nos pacientes que receberam ácido tranexâmico. “O ácido tranexâmico é seguro, barato, facilmente administrado e não precisa ser refrigerado”, disse o Dr. Roberts, autor do estudo.

Os pacientes que sangram consideravelmente após uma lesão tendem a apresentar hiperfibrinólise, disse ele, e os pacientes nos ensaios CRASH-2 e WOMAN entram nessa categoria. Mas os indivíduos com lesão cerebral grave ou trauma multiorgânico são mais propensos a sofrer paralisação da fibrinólise do que sangramento maciço. No entanto, existem inúmeros testes em andamento utilizando o ácido tranexâmico em uma variedade de configurações.

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