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Acidose láctica

Acidose láctica: devemos usar bicarbonato em pacientes com o distúrbio?

Tempo de leitura: 2 minutos.

A acidose láctica é caracterizada pelo acúmulo de ácido láctico no organismo, provocando a acidificação do sangue e nos fluídos corporais. Uma boa interpretação dos distúrbios ácido-base exige:

  1. identificar se estamos diante de uma acidose ou alcalose;
  2. definir o distúrbio primário (metabólico ou respiratório; agudo ou crônico; ver se o distúrbio é simples ou misto);
  3. se for uma acidose metabólica, calcular o anion-gap (sempre);
  4. se for uma acidose com anion gap aumentado, calcular o delta anio-gap/ delta bicarbonato; para identificar outros distúrbios que possam estar ‘’escondidos’’;
  5. tratar (corrigir) a CAUSA da acidose, evitando o uso de bicarbonato quando não tem indicação.

Nos sabemos que a acidemia grave pode:

  • Aumentar o trabalho respiratório, gerando fadiga da musculatura;
  • Pode acarretar perda de função de proteínas e enzimas celulares,
  • Risco de arritmias, reduz a contratilidade miocárdica, piorando o débito cardíaco,
  • Pode gerar confusão, coma, PCR.

Leia mais: Bicarbonato na acidose metabólica grave: novas evidências revelam melhora no desfecho

Então muitas vezes ficamos com ‘’medo’’ e acabamos utilizando bicarbonato sem antes corrigir a causa de que levou a acidose (sepse por exemplo), e isto, de verdade, pode trazer mais problemas do que soluções:

  • Hipernatremia, aumento da osmolaridade plasmática, edema agudo de pulmão.
  • Pode piorar a liberação de O2 aos tecidos (hipóxia tissular) o que piora a disfunção orgânica celular.
  • Piora a acidose intracelular, podendo piorar o pH liquorico
  • Reduz o cálcio ionizado, podendo gerar arritmias graves.
  • Gera alcalose de rebote

O uso de bicarbonato não diminui a mortalidade na acidose láctica, e pode piorar a disfunção orgânica. Então, quando usar bicarbonato?

  • Quando, depois de otimizar o tratamento para a CAUSA da acidose láctica, o paciente persiste com pH menor de 7,15 (alguns autores defendem 7,10) e o bicarbonato continua menor de 10mEq/L

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Autor:

Rodrigo Nicolas Veller

Médico Plantonista do Pronto-Socorro – Rio Grande do Sul ⦁ Membro efetivo da ABRAMEDE (Associação Brasileira de Medicina de Emergência) e da ABEM (Associação Brasileira de Educação Médica) ⦁ Palestrante de diversos Congressos Internacionais de Medicina de Emergência (Argentina, Paraguai, Peru, Bolívia e outros) ⦁ Videoaulas e Atividades Didáticas Online de alta relevância na América Latina (YouTube – Dr. Veller) ⦁ Graduação em Medicina na Argentina (Instituto Universitário de Ciências da Saúde) – Diploma revalidado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS ⦁ Ex-Professor de Semiologia Médica, Fisiopatologia Humana e Anatomia Patológica na Argentina (Instituto Universitário de Ciências da Saúde) ⦁ Residente de 2º ano de Clínica Médica da Universidade Federal de Santa Maria – RS ⦁ Membro da equipe de Coordenação de Protocolos Médicos do Pronto-Socorro do Hospital Universitário da UFSM – RS ⦁ Especialização em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Referências:

  • ‘’Lactic Acidosis’’ Jeffrey A. Kraut, M.D., and Nicolaos E. Madias, M.D. NEJM
  • ROCHA, Paulo Novis. Uso de bicarbonato de sódio na acidose metabólica do paciente gravemente enfermo.  Brazilian Journal of Nephrology

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