ACSCC 2020: Como e quando realizar o screening de câncer colorretal?

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O câncer colorretal possui um alto impacto na saúde pública mundial sendo o terceiro tipo de câncer mais comum e a quarta causa de morte relacionada a câncer. Atualmente possuímos protocolos de screening que, na maioria das vezes, conseguem, além de detectar câncer em estágios iniciais, detectar pólipos que são lesões precursoras.

A aula do Prof. David Liska, no American College of Surgeons Clinical Congress (ACSCC 2020), abordou a eficácia dos métodos de screening para este tipo de câncer.

Screening de câncer colorretal

O professor lembrou que o melhor método continua sendo a colonoscopia, especialmente na detecção de lesões precursoras, visto que a pesquisa de sangue oculto nas fezes possui uma baixa acurácia na detecção de pólipos. Apesar de não ideal, a retossigmoidoscopia flexível possui uma capacidade estatística na prevenção de câncer colorretal em termos de saúde pública.

O Prof Srinivas J. Ivatury nos atualizou sobre os métodos de screening e os dividiu em dois grupos. O primeiro seriam os testes nas fezes que podem ser pesquisa de sangue oculto, pesquisa de anticorpos ou até mesmo de DNA aberrantes e para estes testes recomenda-se protocolos anuais. A outra categoria seriam métodos que inclui a colonoscopia, sigmoidoscopia flexível e a colonoscopia por TC.

Normalmente estes métodos são indicados a cada 5-10 anos na população geral porém em pacientes com alto risco, devem ser mais rigorosos.

Quando devemos começar o screening? E parar?

Geralmente começamos aos 50 anos e paramos aos 75 na população geral. Alguns subgrupos populacionais podem ter antecipados para idades mais jovens. No entanto, aqueles com risco aumentado por doença familiar o seguimento continua mais rigoroso. Lembra a Prof. Sonia Kupfer que temos diversos protocolos e na grande maioria das vezes os métodos devem ser individualizados.

Os métodos indiretos de estudo das fezes possuem algum tipo de relevância na prática?

A discussão sobre este assunto foi abordada pela Profa. Elise H. Lawson, que explicou as diferenças entre pesquisa de sangue oculto, imunobioqímico (FIT-Test) ou até mesmo o FIT-DNA que combina o FIT teste com a busca de DNA aberrantes nas fezes. Apesar de poder auxiliar na conduta clínica, não substituem completamente a colonoscopia, e geralmente recomendados anualmente o que aumenta em muito o custo. Além disto o FIT-DNA possui uma importante taxa de falsos positivos.

Quais as novas tecnologias para auxiliar a detecção de adenomas durante uma colonoscopia?

A grande questão é que pequenos adenomas podem passar desapercebidos uma vez que se “escondem” numa prega de mucosa e assim não ser observado. A aula do Prof. Gerald Gantt demostrou diversos aparatos para tentar aumentar a taxa de detecção de pequenos pólipos. A tecnologia de câmeras está tão avançada que temos inclusive câmeras que são introduzidas pelo canal de trabalho do colonoscópio com intuito de ampliar o campo de visão.

Impressionante em sua aula foram os métodos que utilizam inteligência artificial para auxiliar na detecção de lesões suspeitas. Apesar de ainda em desenvolvimentos os teste iniciais demostram um aumento na detecção de adenomas menores que 1 cm. A associação da inteligência artificial detecta em tempo real, durante a colonoscopia, lesões suspeitas e marcam na tela do exame onde estariam, demonstrando, inclusive, a chance de ser uma lesão neoplásica.

Para levar para casa

Apesar de todo os esforços das sociedades os programas de screening de câncer colorretal é negligenciada por muitos, e com diversos preconceitos. Deve ser feita uma busca ativa pelo médico assistente e não podemos aguardar o paciente apresentar sintomas, porque nestes casos a doença já estará avançada.

Mas, sem dúvidas, as novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial, serão agregadas como mais uma medida de apoio à decisão clínica do médico assistente.

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