ACSCC 2020: Como realizar o manejo da avulsão de orelha?

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O evento online do American College of Surgeons Clinical Congress (ACSCC 2020), ocorrido nesta semana, apresentou temas gerais e outros muito especializados, como o manejo da avulsão de orelha. O Dr Akira Yamada, MD, Chicago, Illinois, mostrou sua expertise de forma bem objetiva e esclarecedora.

Avulsão de orelha

A avulsão da orelha compromete tanto a cobertura cutânea e tecidos moles quanto, em muitos casos, o arcabouço cartilaginoso que dá a forma da orelha externa. A lesão pode ser parcial, subtotal ou total.

Iniciando pelo manejo das lesões parciais, podemos lançar mão do: (i) enxerto composto, (ii) princípio do “pocket” (Mladick) e (iii) construção auricular parcial. O enxerto composto é uma das opções mais utilizadas, porém a taxa de sucesso é baixa. A segunda opção, descrita por Mladick me 1973, envolve a desepitelização da parte amputada, sutura-la na sua localização anatômica habitual e “sepultar” em uma “bolsa” mastóidea por 2 a 3 semanas e, após, retira-la da bolsa para reepitelização espontânea.

Quando optada pela construção parcial, emprega-se a cartilagem da costela (sexta a nona costela) para a construção do esqueleto cartilaginoso avulsionado, além do uso da fáscia temporoparietal e pele do escalpe para cobertura. A construção do esqueleto cartilaginoso é um trabalho que envolve muita habilidade técnica e artística, usando como molde a orelha contralateral íntegra. A partir da orelha íntegra são desenhadas todas suas curvas e reentrâncias sobre um papel transparente de plástico ou acrílico e, posteriormente, esculpidas sobre as costelas extraídas.

Quando a avulsão é subtotal ou total, as opções são mais restritas, exigindo reimplante microvascular utilizando os ramos dos vasos temporais superficiais, quando possível, ou construção de toda uma nova orelha com as técnicas conhecidas para o tratamento de microtia. Nos casos de microtia, é necessário a criação de todo o esqueleto cartilaginoso e fornecimento de cobertura cutânea. Assim como na reconstrução parcial, a orelha contralateral é utilizada como modelo.

Conclusões

Em resumo, o Dr Yamada orienta utilizar a técnica de Mladick para os cirurgiões sem experiência em reconstrução auricular e, portanto, a reconstrução parcial para os cirurgiões com essa experiência, nos casos de avulsão parcial de orelha. Por outro lado, as avulsões subtotais ou totais necessitam de um trabalho minucioso e especializado.

No Brasil, um dos grandes especialistas em reconstrução de orelha é o Dr Juarez Avelar, com anos de experiência na área e um dos grandes nomes da cirurgia plástica brasileira.

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