Gastroenterologia

ACSCC 2021: esôfago de Barrett — Inovações no diagnóstico e dados sobre tratamento

Tempo de leitura: 2 min.

A discussão sobre como abordar o esôfago de Barrett, está longe de um desfecho definitivo. A displasia causada pelo Barret pode ser bastante discreta na endoscopia convencional e acredita-se que a inspeção minuciosa de 1 min por cm de Barret aumente consideravelmente a taxa de detecção. Novas tecnologias, como cromoendoscopia, laser e até inteligência artificial podem auxiliar na seleção da área que se deve realizar as biópsias. Mas será que estas tecnologias aumentam a taxa de detecção? Nem todas promessas de novas tecnologias, se mostraram eficazes nesta melhoria. O uso de cromoendoscopia com ácido acético mostrou ótimos resultados, assim com a tecnologias com luz em banda curta, com as demais deixando a desejar. Estas tecnologias complementam substancialmente o protocolo de Seattle, que sugere biópsias intercaladas da área de metaplasia. 

Tratamento

Mas uma vez que foi detectado o Barrett, devemos realizar algum tipo de ablação? O grande risco é a evolução do esófago de Barrett para as formas agressivas de câncer esofágico, que segundo alguns estudos argumentam esta evolução pode ser mais rápida do que imaginamos. A melhor forma de ablação e mais estudada é a radiofrequência, realizada por endoscopia e com resultados duradouros. O Prof. Paul Severson defende que devemos tratar o Barrett com agressividade, de forma semelhante à que tratamos os pólipos colorretais. Para isto é necessário ablar todos com displasia, ou segmentos longos. Após a realização da ablação a cirurgia se torna obrigatória visto que sem a cirurgia o refluxo continua atuando e causando novas metaplasias. 

A cirurgia antirrefluxo pode regredir o esôfago de Barrett em até 70% dos casos, especialmente nos Barretts curtos. No entanto, a indicação e qual cirurgia a ser realizada pode ser questionada, visto que a maior parte dos estudos se utilizam da cirurgia de Nissen e muitos pacientes com metaplasia intestinal apresentam algum grau de dismotilidade esofagiana. Interessante notar que o uso da pHmetria foi defendida como rotina no pós-operatório de todos os pacientes com Barrett, para se ter certeza, que além da melhora dos sintomas também houve melhora do refluxo.

Para Levar para casa

Ainda não temos um protocolo completo e definitivo de como lidar com o esôfago de Barrett. O que sabemos que independente a qualquer forma de tratamento empregado o acompanhamento deve ser continuado. 

Estamos acompanhando o ACSCC 2021. Fique de olho no Portal PEBMED!

Veja mais do ACSCC 2021:

Referências bibliográficas:

  • ACS. American College of Surgeons (ACS). Barrett’s Esophagus- Innovations in Diagnosis and Data on Treatment. [internet]. 2021. Disponível em: https://www.facs.org/clincon2021
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Publicado por
Felipe Victer

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