Congressos

ADA 2021: novos antidiabéticos e outros destaques do congresso da American Diabetes Association 

Tempo de leitura: 5 min.

O maior evento do mundo sobre diabetes, o congresso da American Diabetes Association (ADA 2021) aconteceu nesta última semana. Sua 81ª edição foi trazida em formato virtual, pela segunda vez consecutiva. Neste texto, selecionamos os tópicos mais importantes abordados no ADA 2021. Confira todos eles!

ADA 2021

Na visão da endocrinologista Dra. Jennifer Green, precisamos ser cautelosos nesse cenário. Os benefícios mencionados no congresso são válidos, porém ainda não temos, de fato, ensaios clínicos randomizados (RCTs) que demonstrem segurança no uso intra-hospitalar dessas medicações. Confira os benefícios do tratamento mencionados no ADA 2021!

Foi destacado no congresso que os efeitos da hiperglicemia na admissão hospitalar em pessoas sem diagnóstico conhecido de diabetes está associada a: maior resposta inflamatória; doença pulmonar mais grave e; aumento do risco de mortalidade numa extensão que pode ser maior do que aquela vista em indivíduos com diagnóstico conhecido de diabetes. Veja aqui maiores detalhes do estudo apresentado!

Em considerações práticas, é lembrado no ADA 2021 a importância de se determinar um horário específico, qual ferramenta utilizar, realização prévia de exames, compartilhamento de dados prévios às consultas como os controles glicêmicos, por exemplo. Para o futuro, oportunidades, sobretudo para empoderamento do paciente e valorização de sua autonomia, flexibilidade e facilidade no acesso à saúde. Saiba mais sobre o assunto!

Um estudo apresentado no ADA 2021 sugere que maiores aumentos de grelina induzidos por dieta para perda de peso estão associados a melhorias na adiposidade e na composição da gordura corporal. As alterações plasmáticas de grelina em resposta às dietas para perda de peso podem ser preditoras do sucesso da perda de peso em longo prazo entre pacientes com sobrepeso e obesidade. Confira todos os estudos apresentados sobre o tópico no ADA 2021. 

Estudos epidemiológicos indicam que, após 18 meses da pandemia Covid-19: diabetes mellitus é um contribuidor central para evolução grave da Covid-19, e por outro lado, Covid-19 tem um efeito devastador na população com diabetes, sendo responsável por 30-40% das pessoas hospitalizadas, gravemente enfermas e mortes. Veja detalhes sobre esse impacto!

Não parece ser a hora de abandonar os CVOTs, mas sim entender quais endpoints são significativos e, além de endereçar esse desfecho tão importante, avaliar como as drogas podem se comportar em populações pouco representadas nos grandes estudos, o impacto de terapias combinadas e dar a devida atenção a outras comorbidades importantes além das cardiovasculares. Saiba mais!

Dr David concluiu sua apresentação no ADA 2021 afirmando que testes de HbA1c point-of-care não devem ser usados para o diagnóstico de diabetes. Confira os dados que corroboram com a afirmação do palestrante.

Entre os estudos clínicos envolvendo Covid-19 e diabetes, Dr Cefalu selecionou: High-dimensional characterization of post-acute sequelae of COVID-19, publicado na Nature em abril de 2021. Este foi o maior estudo no tema. Entre os principais resultados, pode-se citar que o risco de diabetes após a fase aguda é evidente mesmo entre indivíduos cuja doença aguda não foi grave o suficiente para requerer internação hospitalar. Confira todos os estudos apresentados!

Estudos

O resultado do estudo apresentado no ADA 2021 foi para lá de animador: aproximadamente nove a cada dez pacientes que usaram tirzepatida apresentaram uma hemoglobina glicada <7%. Confira o estudo completo!

A sessão científica se limita à apresentação dos dados, porém cabe muita discussão a respeito do custo-benefício em se dobrar a dose de uma medicação ainda cara e inacessível para a maioria da população frente a um desfecho que, apesar de estatisticamente significativo, provavelmente não tem impacto clínico (no caso da redução adicional da HbA1c). Saiba mais acessando o artigo sobre o encontro!

O estudo GRADE traz dados inéditos sobre o efeito da associação de medicações antidiabéticas no DM2 e como elas se comparam. Vale lembrar que, sobretudo do ponto de vista cardiovascular, os resultados são preliminares. Já podemos ressaltar que o impacto de combinar metformina com sitagliptina parece menor que com liraglutida (parece óbvio, mas não tínhamos estudos head-to-head dessa forma ainda!). Veja os destaques do estudo!

Todos os grupos do estudo tiveram resultados impressionantes. Ao final de 40 semanas, o grupo semaglutida 1 mg/d teve uma redução na HbA1c de – 1,86%. Nos grupos 5, 10 e 15 mg de TZP, -2,09%, – 2,37% e -2,46%, respectivamente, todos com p <0,001 e detalhe, com a curva abrindo a favor da tirzepatida já na quarta semana de tratamento. Fique por dentro! 

A efpeglenatida é mais um agonista de GLP-1 que se provou não apenas seguro do ponto de vista cardiovascular, mas protetor. Destaca-se que esta é a primeira molécula baseada em exendina-1 que apresentou tal resultado (não observado, por exemplo, na lixisenatida – estudo ELIXA). Veja todas as conclusões dos estudos!

 

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Publicado por
Luciano Lucas
Tags: ADA 2021

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