Agência Europeia de Medicamentos e AMB alertam contra o uso de ivermectina na Covid-19

Tempo de leitura: 3 min.

A European Medicines Agency (EMA) publicou uma nota na última segunda-feira, 22, alertando que o uso de ivermectina para tratamento ou prevenção da Covid-19 não é aprovado na União Europeia e nem recomendado. A agência ressalta que revisou as evidências atuais e elas não apoiam o uso do medicamento para a infecção pelo novo coronavírus, a não ser que seja aprovada para uso em estudos clínicos.

A nota deixa claro que o medicamento é bem tolerado nas doses autorizadas e para indicações específicas, como no tratamento de alguns vermes e parasitas e de doenças de pele, como a rosácea. Mas que para uma potencial eficácia contra o SARS-CoV-2 provavelmente as doses teriam que ser mais altas, aumentando os efeitos colaterais e a toxicidade.

Um dia após o posicionamento da EMA, a Associação Médica Brasileia (AMB) também emitiu uma nota contra o uso dos medicamentos do chamado “kit Covid-19”, que inclui a ivermectina e a cloroquina.

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Ivermectina para Covid-19

A ivermectina vem sendo utilizada como tratamento precoce e até mesmo prevenção da Covid-19 de forma off label desde que estudos in vitro demonstraram capacidade de o medicamento bloquear a replicação do vírus. Porém, as doses utilizadas nesses estudos eram mais altas que as autorizadas e, ainda assim, nos poucos ensaios clínicos realizados não houve benefício.

Alguns outros estudos chegaram a demonstrar um potencial, mas eram estudos pequenos e com muitas limitações, como diferentes dosagens e uso de outros medicamentos concomitantes.

Em seu alerta, a EMA ressaltou todos esses pontos e deixou claro que não há evidência que apoie o uso da ivermectina em Covid-19. Ela poderá ser utilizada em ensaios clínicos controlados, desde que bem desenhados.

Posicionamento da AMB

Em nota, a AMB também se posicionou contra o uso de ivermectina e outros medicamentos do “kit Covid-19”, como a cloroquina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina. A associação, junto de outras sociedades brasileiras, assinou uma carta onde diz acreditar que “a utilização desses fármacos deve ser banida”, já que não apresentam eficácia segundo os diversos estudos realizados.

A nota também reforça que os pacientes com suspeita não devem se automedicar. Aos médicos, ressalta que corticoides e anticoagulantes devem ser reservados a casos de pacientes hospitalizados que necessitam de oxigênio suplementar, não devendo ser prescritos para aqueles com Covid-19 leve.

Leia também: O uso de ivermectina em crianças é recomendado? Entenda!

No mais, reforçou a necessidade de vacinação de todos os brasileiros e do seguimento das medidas de prevenção, incluindo isolamento social, uso de máscaras, higienização das mãos e ambientes bem ventilados.

O posicionamento veio no mesmo dia que alguns portais e jornais, como o G1 e o Estadão, relataram casos de hepatite medicamentosa por altas doses de ivermectina e outros efeitos colaterais graves do uso de medicamentos fora das recomendações das bulas.

Posição da Anvisa

Em julho do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já alertava sobre o uso da ivermectina na Covid-19. Em nota, a agência se manifestou contra o uso rotineiro deste medicamento para tratamento e prevenção da infecção, já que não existiam evidências científicas que apoiassem o seu uso.

Por outro lado, a Anvisa deixou claro que também não haviam evidências suficientes contrárias ao uso e que a prescrição do medicamento fora do que a bula recomenda é de responsabilidade do médico prescritor.

À época, a AMB também tinha se posicionado à favor da autonomia do médico em suas prescrições. Com o novo posicionamento, porém, deixa claro que o uso desses medicamentos não se justificam.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Clara Barreto

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