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AHA 2020: O que diz a nova diretriz para PCR em gestantes?

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O atendimento a gestantes sempre leva a situações de estresse maior para a grande maioria dos médicos. Muitos não gostam, temem, evitam ou encaminham gestantes por dificuldades as mais variáveis possíveis. Pensando nesse público, a American Heart Association (AHA), em sua atualização de 2020 para diretrizes de atendimento de parada cardiorrespiratória (PCR), dedicou um fluxograma para este nicho especial de mulheres.

PCR em gestantes

Reprodução: American Heart Association 2020

Ao observar o fluxograma novo vemos que a prioridade é sempre direcionada para o atendimento com a realização de manobras efetivas e de alta qualidade para a mãe. Uma vez que se não tivermos efetividade em manter a mãe com bom fluxo de oxigênio e perfusão, o feto estará fadado a morte. 

As particularidades relacionadas à gestação que devem ser lembradas para que o sucesso no atendimento sejam alcançados. A seguir listamos algumas particularidades:

  1. Durante o atendimento da gestante é fundamental a participação do socorrista, obstetra e o neonatologista e se possível um intensivista. Alguns procedimentos que podem ser necessários serão melhor realizados por esses especialistas.
  2. Como prioridade no atendimento de uma PCR numa gestante lembrar sempre da realização de manobras de RCP de alta eficácia e do deslocamento de alívio da compressão aortocava pela dextrorrotação uterina. Um deslocamento uterino para a esquerda pode ser conseguido facilmente com a inserção de um cunha (um frasco de soro de 1000 ml, compressão com as mãos, rolos feitos com lençóis) para deslocamento de 30º.
  3. Se necessário, a realização de parto por cesárea perimortem tem objetivo de melhorar a sobrevida materna e/ou fetal para conseguir melhorar a qualidade das manobras de PCR (lembrar que o esvaziamento do útero grávido melhora a performance aérea materna e consequentemente oxigenação fetal).
  4. Dependendo dos recursos humanos e materiais, a cesárea perimortem deve ser realizada dentro dos 5 primeiros minutos de PCR, para obtenção de melhores resultados perinatais e maternos.
  5. Via aérea na gestante em geral é de difícil acesso. Selecionar o assistente mais capacitado para tal.
  6. Providencie entubação endotraqueal ou via aérea avançada supraglótica.
  7. Avalie sucesso da intubação pela onda na capnografia ou capnometria.
  8. Confirmada via aérea avançada, oferecer 1 respiração a cada 6 segundos (10 respirações por minuto) com compressões torácicas contínuas.

Leia também: Simpósio Brasileiro de Covid-19: PCR no paciente pronado

Após estabilização

Após o atendimento inicial, estabilização da paciente e manutenção da via aérea definitiva secundária é momento de proceder o diagnóstico etiológico da parada cardiorrespiratória, utilizando o acrômio ABCDEFGH:

  • A – Anestesia. Complicações relacionadas a procedimentos anestésicos;
  • BBleeding (sangramento que pode levar a parada por hipóxia ou anemia);
  • C – Cardiovascular (será que existem doenças cardiovasculares prévias, arritmias?);
  • D – Drogas (checar uso de medicações prévias);
  • E – Embolia;
  • F – Febre;
  • G – Generealidas (causas não obstétricas de parada cardiorrespiratória – H’s e T’s);
  • H – Hipertensão (desordens hipertensivas e suas complicações).

Só para relembrar os H’s e T’s:

  • Hipovolemia;
  • Hipóxia;
  • Hidrogênio (acidose);
  • Hipocalemia / hipercalemia;
  • Hipotermia;
  • Tensão torácica (pneumotórax);
  • Tamponamento cardíaco;
  • Toxinas (uso/abuso de medicações);
  • Trombose pulmonar;
  • Trombose coronariana.

Ao seguir esse guideline, temos como sistematizar e organizar o atendimento a gestante em parada cardiorrespiratória de modo a propiciar a possibilidade de, frente a causas reversíveis, obter sucesso no resgate materno e oferecer sobrevida ao feto.

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