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Alerta! Cresce o número de pacientes fazendo uso de doses excessivas de vitamina D

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A vitamina D é essencial em funções relacionadas ao metabolismo ósseo, porém também está relacionada na fisiopatogênese de diversas doenças. Em crianças, a deficiência de vitamina D leva ao retardo do crescimento e ao raquitismo. Em adultos, a hipovitaminose D leva à osteomalácia, hiperparatiroidismo secundário e, consequentemente, ao aumento da reabsorção óssea, favorecendo a perda de massa óssea e o desenvolvimento de osteopenia e osteoporose.

Desde 2000, houve um aumento nas pesquisas sobre os possíveis benefícios da vitamina D para a saúde. A dieta recomendada para a vitamina D é de 600 UI/dia para adultos com 70 anos ou menos e 800 UI/dia para pessoas com mais de 70 anos. O limite superior tolerável é de 4.000 UI/dia, acima desse nível o risco de efeitos tóxicos aumenta.

O acompanhamento da dosagem sanguínea da vitamina D faz parte dos protocolos de investigação clínica. O fato de o Brasil ser um país tropical (com muito sol), leva a falsa ideia de que a população brasileira não apresenta deficiência de vitamina D, entretanto este fato não reflete a realidade. Devido à rotina da vida contemporânea, à baixa exposição à luz solar e ao cuidado excessivo com a pele por causa do risco de câncer, a prevalência de deficiência de vitamina D no Brasil é muito alta.

A venda de suplementos de vitamina D teve grande aumento, perseguindo um valor de referência que ainda não está consolidado, levando a ingestão de grandes doses dessa vitamina. O problema é que a suplementação excessiva pode não ser eficaz e até mesmo prejudicar a saúde.

A caracterização das tendências na suplementação de vitamina D, particularmente em doses acima do limite superior tolerável, tem implicações clínicas e importantes e complexas questões de saúde pública.

Vitamina D: posicionamento das sociedades brasileiras sobre os novos valores de referência

Tendência de uso de vitamina D

Dados da base National Health and Nutrition Examination Survey foram utilizados para avaliar a tendência de uso de vitamina D entre 1999 a 2014. Aproximadamente 39.300 participantes foram avaliados. A média de idade foi de 46,6 anos (desvio padrão: 16,8) e 51,1% eram do sexo feminino. A prevalência de uso de vitamina D suplementar de 1.000 UI/dia ou mais em 2013-2014 foi de 18,2% (intervalo de confiança [IC] 95%: 16,0% a 20,7%), que foi maior do que em 1999-2000 (0,3%; IC 95%: 0,1% a 0,5%; p para tendência <0,001).

Em 2013-2014, a prevalência de ingestão suplementar de 4.000 UI/dia ou mais foi de 3,2% (IC 95%: 2,5% a 4,0%). Antes de 2005-2006, a prevalência da ingestão de 4.000 UI/dia ou mais era inferior a 0,1% (p para a tendência de 2007-2014: <0,001).

Em relação as características, em 2013-2014, a ingestão de 4.000 UI/dia ou mais foi maior entre as mulheres (4,2%; IC 95%: 3,0% a 5,7%), indivíduos brancos não hispânicos (3,9%; IC 95%: 3,0% a 5,1%) e naqueles com 70 anos ou mais (6,6%; IC 95%: 4,2% a 10,2%).

De 1999 a 2014, o número de adultos dos EUA que adotaram suplementos diários de vitamina D de 1.000 UI ou mais e 4.000 UI ou mais aumentou. Em geral, 3% da população excedeu o limite superior tolerável de 4.000 UI/dia e pode estar em risco de efeitos adversos como consequência e 18% excederam 1.000 UI/dia.

Vitamina D e a Esclerose Múltipla

Dr. Henrique Cal, neurologista e membro da Academia Brasileira de Neurologia, fala das recomendações da Academia Brasileira sobre a suplementação de vitamina D em pacientes com Esclerose Múltipla:

“A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) recomenda, para pacientes com Esclerose Múltipla, a suplementação de vitamina D em doses capazes de manter os níveis séricos dos pacientes entre 40 ng/mL e 100 ng/mL.

Reunindo uma série de estudos sobre o tema, a ABN faz algumas considerações:

– Nos últimos anos, têm sido identificadas associações da vitamina D com doenças autoimunes e neoplasias, porém essas ainda não foram totalmente elucidadas. Provavelmente, ela tem um papel importante no processo fisiopatológico da Esclerose Múltipla, embora não plenamente definido. É possível que, em pacientes com síndrome desmielinizante isolada (pré-diagnóstico de EM), as baixas concentrações séricas de vitamina D possam influenciar o risco relativo de conversão para EM.

– Ainda não há consenso entre as várias sociedades científicas sobre os níveis séricos de vitamina D ideais para as necessidades do metabolismo humano. Estudo in vitro com células do sangue periférico de pacientes em uso de vitamina D evidenciou que níveis séricos acima de 40 ng/mL podem provocar ação moduladora nas células do sistema imune.

– Baseando-se num estudo realizado em indivíduos saudáveis, que demonstrou que o uso de 5.000 UI de vitamina D por dia, durante 15 semanas, aumentou os níveis até 60 ng/mL; logo, doses até 10.000 UI dia foram consideradas seguras para se alcançar a meta de 40 a 100 ng/mL.

– Efeitos colaterais: o quadro clínico de intoxicação por vitamina D pode apresentar sinais e sintomas diversos: náusea e vômito, anorexia, dor abdominal, obstipação; polidipsia, poliúria, desidratação, nefrolitíase, nefrocalcinose, diabetes insipidus nefrogênico, nefrite intersticial crônica, insuficiência renal aguda e crônica; hipotonia, parestesias, confusão mental, crise convulsiva, apatia, coma; arritmia, bradicardia, hipertensão, cardiomiopatia; fraqueza muscular, calcificação, osteoporose; calcificação conjuntival. Hipercalcemia é o mais importante efeito colateral e quando observado laboratorialmente sugere intoxicação.”

Nova recomendação sobre modelo de laudo laboratorial para a Vitamina D – 25(OH)D

Autora:

Referências:

  • Rooney MR, Harnack L, Michos ED, Ogilvie RP, Sempos CT, Lutsey PL. Trends in Use of High-Dose Vitamin D Supplements Exceeding 1000 or 4000 International Units Daily, 1999-2014.JAMA. 2017 Jun 20;317(23):2448-2450. doi: 10.1001/jama.2017.4392.

7 comentários

  1. Avatar

    Boa noite! E quais os riscos do excesso de suplementaçao de vitamina D?

    • Avatar

      Está escrito no texto – Efeitos colaterais: o quadro clínico de intoxicação por vitamina D pode apresentar sinais e sintomas diversos: náusea e vômito, anorexia, dor abdominal, obstipação; polidipsia, poliúria, desidratação, nefrolitíase, nefrocalcinose, diabetes insipidus nefrogênico, nefrite intersticial crônica, insuficiência renal aguda e crônica; hipotonia, parestesias, confusão mental, crise convulsiva, apatia, coma; arritmia, bradicardia, hipertensão, cardiomiopatia; fraqueza muscular, calcificação, osteoporose; calcificação conjuntival. Hipercalcemia é o mais importante efeito colateral e quando observado laboratorialmente sugere intoxicação.”

  2. Avatar
    Gustavo Molina

    Tomo 20 mil UI por dia há 10 anos (sim, antes da moda) e minha saúde melhorou tremendamente nesse tempo. Engraçado alguém que entenderia de economia da saúde alertando contra a vitamina D, ignorando a menor necessidade de atendimento médico que o hábito de tomar doses realistas de vitamina D diariamente, o que faz reduzir custos, e ignorando que o NOAEL da vitamina D é bem maior do que 4 mil UI/dia ( ver https://ajcn.nutrition.org/content/85/1/6.full.pdf&a=bi&pagenumber=1&w=100 )

    Seria tão bom se médicos se orientassem pelas pesquisas científicas e não pelo que aprenderam na faculdade.

  3. Avatar

    “em doses acima do limite superior tolerável, tem implicações clínicas e importantes e complexas questões de saúde pública”

    Você poderia colocar quais seriam esses limites, as implicações clínicas e os estudos que corroboram esses dados?

    Obrigada

  4. Avatar

    Eu tomo 10mil ui de vitamina D3 todos os dias desde 2011 e a minha vitamina D no organismo está em 52, infelizmente a indústria farmacêutica não gosta de pacientes com o sistema imunológico potente, vou continuar com a minha dosagem. Fazendo uso de suplementos me livrei da depressão e voltei a viver.

  5. Avatar

    Excelente artigo, conteúdo importante e atual.

  6. Avatar

    Deve ser bem difícil intoxicação por excesso de vitamina D, pq não se tem dados no artigo? Esse alerta todo para depois não virem dados nenhum de intoxicação! Ao invés de falarmos modismo da vitamina D, acredito que seja infinitamente melhor reconhecer que alguns poucos médicos trabalham com prevenção em saúde. Entre eles é um consenso que a suplementação com essa vitamina aumentam sim, a imunidade. Melhor espalharem prevenção e saúde do que tratarem doença.

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