Algorítimo dos 10 Ps: manuseio de vias aéreas em pacientes com Covid-19

Tempo de leitura: 2 min.

A contaminação pelo vírus do SARS-CoV-2 pelos profissionais da área de saúde, principalmente aqueles que atuam na linha de frente ao combate dessa pandemia, é bastante elevada e vem aumentando durante todo esse período. Devido a isso, e com o intuito de mitigar os fatores de risco para esta disseminação, principalmente durante os procedimentos invasivos de alto risco de contaminação, o Instituto de Ciências Médicas da Índia, formulou um protocolo cognitivo para ajudar a seguir sequências de segurança durante manuseio de vias aéreas em pacientes com Covid-19, sempre levando em consideração um equilíbrio entre a segurança do paciente e da equipe envolvida. Foi denominado de Protocolo dos dez Ps que consiste nas seguintes regras:

1. Proteção

Uso obrigatório de equipamento de proteção individual (EPI) completa com máscara N-95 ou similar em toda a equipe que é responsável pelo manejo do paciente. Todo procedimento gerador de aerossol deve ser realizado pelo menor número possível de pessoas e dentro de salas de isolamento com pressão negativa.

2. Planejamento

Planejar primariamente a função e responsabilidade de cada participante da equipe, assim como a abordagem da via aérea de cada paciente antes de entrar na sala de isolamento. Formular planos alternativos de intubação a fim de evitar possíveis surpresas e proporcionar maior sucesso de intubação na primeira tentativa.

3. Preparo

Preparar, antes de entrar na sala de isolamento, todo o equipamento e medicações que serão utilizadas no paciente. Checar tipo de aspirador e fonte de oxigênio, monitores e medicação. Checar também eficácia da venóclise do paciente.

Leia também: Paciente cirúrgico e Covid-19: é possível um fluxo seguro?

4. Posição

Colocar o paciente na melhor posição possível para uma intubação mais fácil, dependendo de suas características anatômicas e clínicas.

5. Pré-oxigenação

Deve sempre ser realizada a fim de evitar hipóxia por um período prolongado de tempo caso haja dificuldade de intubação e com equipamento adequado.

6. Pré-tratamento

Caso o paciente necessite de ressuscitação volêmica ou estabilização dos sinais vitais, esses devem ser criteriosamente realizados previamente.

7. Pressão

Definida como a manobra de BURP que deve ser realizada apenas por um auxiliar treinado e experiente, pois essa pode acabar dificultando a intubação se for realizada de maneira inapropriada.

8. Profundidade de indução e relaxamento muscular

O paciente só deve ser intubado se estiver com profundidade de nível cognitivo e de relaxamento muscular adequado. Qualquer tentativa de intubação traqueal fora dos padrões clínicos aceitáveis, além de ser desumano ´pode ser prejudicial ao procedimento e gerar mais contaminação da equipe.

Saiba mais: Covid-19: orientações de manuseio do paciente com pneumonia e insuficiência respiratória

9. Colocação do tubo (Placement) e confirmação

A intubação deve ser realizada com o material adequado, sempre que possível realizar com videolaringoscópio e a confirmação da intubação deve ser realizada por visualização direta e capnografia. Caso haja dificuldade para a intubação utilizar o algoritmo padrão de falha de intubação.

10. Preocupações pós-intubação

Fixar bem todas as conexões para que não haja desconexão do circuito. Separar todo o material que foi utilizado e colocar dentro de um saco plástico selado com fecho duplo. Realizar higienização da sala 20 minutos após a intubação traqueal.

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Referências bibliográficas:

  • Arora P, Kabi A, Dhar M, Bhardwaj BB. Sequência de segurança de intubação: o algoritmo 10 “Ps” e ferramenta cognitiva para manuseio de vias aéreas em pacientes com COVID‐19. BJAN. 2020;70(6):689-691. doi.: 10.1016/j.bjane.2020.08.009
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Publicado por
Gabriela Queiroz
Tags: Covid-19

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