Dermatologia

Alopecia no consultório: principais causas e tratamento

Tempo de leitura: 3 min.

A alopecia (rarefação dos cabelos) é uma das queixas mais comuns na Dermatologia e tem grande impacto na qualidade de vida. É normal cair até 100 fios de cabelo por dia e ao longo da vida a densidade dos cabelos diminui gradualmente. No entanto, é importante alertar sobre os sinais de uma queda não fisiológica. A avaliação dermatológica é fundamental para diferenciar o padrão não cicatricial (mais comum e de melhor prognóstico) do cicatricial, no qual a perda de cabelo pode ser irrecuperável. 

Leia também: Queda de cabelo e síndrome metabólica: qual a relação?

Inicialmente abordaremos as causas não cicatriciais de rarefação de cabelos:

  1. Alopecia androgenética: É a causa mais comum de alopecia em homens e mulheres, é crônica e progressiva e decorre da maior sensibilidade do couro cabeludo aos hormônios andrógenos. Nos homens ocorre rarefação do vértice e das regiões frontoparietais, enquanto a maioria das mulheres apresenta um padrão difuso de afinamento dos fios no topo da cabeça. Os tratamentos mais utilizados são minoxidil e finasterida.
  2. Alopecia areata: É autoimune e caracteriza-se pelo rápido surgimento de placas de alopecia isoladas ou múltiplas, lisas. Pode acometer difusamente o couro cabeludo (total), as sobrancelhas, a barba ou o corpo inteiro (universal). Opções terapêuticas incluem corticoide tópico ou intralesional, minoxidil e corticoide sistêmico nos casos extensos.
  3. Tricotilomania: É o arrancamento dos cabelos, ou seja, uma dermato-compulsão. É mais comum em crianças e jovens e manifesta-se por placas irregulares na região temporal e parietal.
  4. Tinea capitis: Importante diagnóstico diferencial da alopecia areata e da tricotilomania, especialmente em crianças. Manifesta-se como placas de tonsura únicas ou múltiplas, descamativas e de crescimento centrífugo. Geralmente ocorre repilação completa após uso de antifúngico oral.
  5. Eflúvio telógeno: É a queda excessiva de cabelos que pode ser uma resposta fisiológica ou patológica a várias condições: pós parto, uso de anticoncepcional, dietas restritivas, cirugias, anemia, doenças da tireoide e medicações. A maioria cursa com resolução espontânea em 2 a 4 meses.
  6. Eflúvio anágeno: É a perda difusa de cabelo durante a fase de crescimento (anágena) devido a um gatilho (em geral quimioterápicos) que interfere na atividade mitótica do folículo piloso.

Diagnóstico

A maioria das formas de alopecia é diagnosticada clinicamente, porém se houver qualquer dúvida acerca da possibilidade de uma alopecia cicatricial, uma biópsia deve ser realizada. Em fases muito precoces ou tardias esse diagnóstico pode ser desafiador. Esse é um grupo heterogêneo de doenças mais raras: líquen plano pilar, alopecia fibrosante frontal, lupus discoide, foliculite decalvante, celulite dissecante, alopecia central centrífuga, estágio final da alopecia de tração, entre outras.

Saiba mais: Queda de cabelo relacionada à quimioterapia: como evitar?

O tratamento precisa ser instituído para interromper ou retardar a progressão do processo cicatricial que elimina os folículos pilosos de modo irreversível. Opções terapêuticas incluem antimicrobianos, imunomoduladores e imunossupressores. São afecções mais complexas e não irei esmiuçálas, mas reforço a importância de não subestimar a queixa da queda de cabelo e de encaminhar os pacientes para consulta dermatológica.

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Referências bibliográficas:

  • Kanti V. Cicatricial alopecia. J Dtsch Dermatol Ges. 2018 Apr;16(4):435-461. doi: 10.1111/ddg.13498.
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  • Wolff H. The Diagnosis and Treatment of Hair and Scalp Diseases. Dtsch Arztebl Int. 2016 May 27;113(21):377-86. doi: 10.3238/arztebl.2016.0377.
  • Mubki T. Evaluation and diagnosis of the hair loss patient: part I. History and clinical examination. J Am Acad Dermatol. 2014 Sep;71(3):415.e1-415.e15. doi: 10.1016/j.jaad.2014.04.070.
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Publicado por
Gabriela Aquino

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