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CBMI 2018

Alta da unidade de terapia intensiva direto para casa é seguro?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Paciente está de alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não há leito de enfermaria disponível para recebê-lo. Este cenário é frequente e tem impulsionado as altas da UTI diretamente para casa. A tendência é que o fluxo UTI-enfermaria-casa não seja mais tão obrigatório, porém os estudos para avaliar os impactos desse tipo de alta são escassos. Um artigo publicado recentemente no Critical Care Medicine avaliou os resultados (mortalidade, morbidade, retornos não planejados) dos pacientes que pegaram um atalho, indo da UTI direto para casa, e o resultado foi um impacto aparentemente positivo.

Tratava-se de um estudo prospectivo em que participaram duas UTI’s de atendimento médico-cirúrgico-traumatológico de atenção terciária no Canadá. No estudo, todos os pacientes adultos que receberam alta diretamente para casa da UTI ou foram dispensados para casa dentro de 24 horas após a transferência da enfermaria foram incluídos. Participaram um total de 198 pacientes, sendo os desfechos relativamente bons, nenhum deles faleceu no período até oito semanas após a alta, 1% foi readimitido na UTI e 4% na enfermaria.

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Um outro estudo, publicado no Journal of Critical Care Medicine, traçou um perfil dos pacientes que se enquadram neste tipo de alta: jovens, com poucas comorbidades na admissão e poucos diagnósticos de alta, apresentando geralmente problemas reversíveis em um único sistema. Além disso, ressaltou os benefícios relacionados ao atalho UTI-casa são inúmeros como: otimizar o uso de recursos em saúde, reduzir morbidades por iatrogenia hospitalar, melhorar a satisfação do paciente.

Ambos os artigos ressaltam a necessidade de haver outros estudos a respeito da alta UTI-casa, com o intuito de criar ferramentas que ajudem a predizer quais diagnósticos clínicos e características demográficas predizem maior segurança nesta rota alternativa. Estabelecer critérios bem definidos, neste context,o é essencial para que o médico tenha maior segurança no momento da decisão, com garantias de que o foco principal é beneficiar pacientes e não apenas de resolver problemas de ocupação de leitos.

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Autor:

Dayanna de Oliveira Quintanilha

Médica no Hospital Naval Marcílio Dias ⦁ Residência em Clínica Médica na UFF ⦁ Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Contato: dayquintan@hotmail.com

Referências:

  • Stelfox HT, Soo A, Niven DJ, et al. Assessment of the Safety of Discharging Select Patients Directly Home From the Intensive Care Unit A Multicenter Population-Based Cohort Study. JAMA Intern Med. Published online August 20, 2018.
  • Lau VI, Priestap FA, Lam JNH, Ball IM. Factors associated with the increasing rates of discharges directly home from intensive care units—a Direct From ICU Sent Home Study. J Intensive Care Med. 2018;33(2):121-127.

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