Altas temperaturas: Excesso de calor e pacientes vulneráveis

Estratégias essenciais para proteger crianças e idosos durante períodos de calor intenso. Confira quais são.

Com uma crise climática global em curso, fenômenos meteorológicos extremos, como as ondas de calor registradas nos últimos tempos, vêm se tornando a cada ano mais intensos. Em 2024, já tivemos o janeiro mais quente já registrado, de acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia. E, ao que tudo indica, fevereiro segue com altas temperaturas. 

Apesar de ainda não termos ultrapassado a meta do Acordo de Paris, no que se refere à temperatura média global ao longo de décadas, a temperatura do planeta já ultrapassou 1,5ºC em um período de 12 meses. E isso significa que provavelmente novos hábitos deverão ser incorporados ao nosso dia a dia, em detrimento de outros, em nome da saúde e do bem-estar. 

Leia também: Hipertermia: o que o clínico e o pediatra devem saber 

Impacto diferenciado 

Crianças e idosos são particularmente suscetíveis aos efeitos adversos do calor excessivo. Os pequenos têm dificuldade em regular a temperatura corporal e podem se desidratar mais rapidamente do que os adultos. Já os idosos, devido a alterações fisiológicas relacionadas à idade e ao uso de certos medicamentos, têm menor capacidade de resposta ao calor e são mais propensos a sofrer complicações devido ao aumento da temperatura corporal. 

Atenção aos pequenos 

“A desidratação é uma causa relevante de morte em pediatria, e ela se torna ainda mais proeminente quando em situações em que a criança está exposta a uma temperatura elevada”, diz o pediatra Jobert Neves. 

Quando uma criança chega à unidade de emergência, a desidratação deve ser considerada com uma causa dos sintomas quando há prostração e irritabilidade, que pode se manifestar em forma de choro constante e notável incômodo. 

“Nessa situação, devemos questionar a diurese, como anda a cor e concentração de sua urina, além de avaliar a mucosa oral e olhos, verificando se apresentam sinais preservados ou indicam desiquilíbrio de líquidos”, afirma o médico.  

Ele frisa ainda que, até os seis meses de idade, os bebês não devem ser expostos de forma direta ao sol. A partir dessa idade, ficam liberados os passeios ao ar livre antes das 10h e após às 16h, sem nunca esquecer o filtro solar, que deve ser aplicado com no mínimo 30 minutos de antecedência. 

“A proteção aos raios solares pode ainda ser potencializada com o uso de outras ferramentas, como blusas de fotoproteção UV, chapéus, bonés, viseiras, guarda-sóis, tudo o que vá ajudar a reduzir o risco de sudorese aguda e aumento da temperatura corporal”, completa.  

De olho nos mais velhos 

Além do incômodo, da baixa disposição, dores de cabeça, o verão traz consigo o aumento do risco de acidentes cardíacos e vasculares. Esse é um cenário especialmente prejudicial aos idosos, por exemplo.  

De acordo com Silvana Oliveira e Silva Moreira, são diversos os motivos que fazem as pessoas com mais de 60 anos estarem na mira dos efeitos da crise climática. Diminuição natural da sensação de sede, menor capacidade de reter água no organismo, maior ocorrência de condições de saúde crônicas e redução na capacidade de homeostase do corpo são algumas delas. 

“Tenho atendido pacientes com tontura e mudança de pressão arterial associada ao aumento do calor. Nesse caso, a gente precisa reajustar a medicação e orientar quanto às medidas necessárias”, comenta a geriatra, completando que confusão mental é um sintoma comum na hipertermia, e que geralmente leva o paciente ao atendimento de emergência. 

“Não é raro que o quadro seja confundido com infecção urinária ou com piora da doença neurológica de base. Se ele tiver sido exposto a altas temperaturas, como estar numa casa abafada, devemos investigar hipertermia”, completa Dra. Silvana. 

Aumentar a oferta de líquidos ao longo do dia é muito importante, já que muitos idosos vivem acamados ou têm alguma dificuldade de locomoção. Para aqueles que não gostam de beber água, a dica da médica é saborizá-la com folhas de hortelã, rodelas de laranja, ou até mesmo oferecer ainda mais sucos e refrescos. 

Para todas as idades 

Independentemente da fase da vida, algumas dicas são importantes e de fácil aplicabilidade para a redução dos danos à saúde associados ao calor extremo e na garantia do bem-estar de seus pacientes mais vulneráveis. São elas: 

  • Manter os ambientes ventilados e climatizados, se possível; 
  • Evitar exposição ao sol nos horários de pico; 
  • Dar preferência a roupas frescas e leves; 
  • Atentar para os sinais de alerta, como dores de cabeça, confusão mental, tontura, pele vermelha e quente, batimento cardíaco acelerado. 

Dessa forma, diante das oscilações de temperatura que estamos vivenciando e que ainda se acentuarão com o passar dos anos, tanto as crianças quanto as pessoas idosas, seus familiares e cuidadores, podem ser proativos na tomada de algumas atitudes preventivas. 

Leia ainda: Efeitos da onda de calor em pacientes pediátricos: a que morbidades ficar atento?

*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal.

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