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Imagem microscópica de leucócitos do sangue de uma paciente infectado pelo novo coronavírus.

Alterações dos leucócitos na Covid-19 e valor prognóstico

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A pandemia de Covid-19, doença infecciosa causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), vem resultando em milhares de óbitos por diversos países. Até o momento, não há tratamento comprovadamente eficaz, embora alguns estudos em andamento com drogas experimentais sejam promissores.

Dessa forma, é importante a identificação de fatores de risco para a infecção (fatores clínicos e epidemiológicos), bem como de fatores de mau prognóstico em pacientes infectados, a fim de reduzir o número de casos e de possibilitar tratamento mais intensivo aos casos mais graves.

Linfopenia e Covid-19

Muitos pesquisadores e médicos que estão na linha de frente contra a Covid-19 vêm notando linfopenia nos indivíduos com infecção grave. Já há estudos que mostram também que tais pacientes apresentam neutrofilia com maior frequência e intensidade do que os casos mais leves.

Leia também: Parâmetros hematológicos em pacientes com infecção por coronavírus

Estudo relacionado

Um estudo retrospectivo avaliou 245 pacientes com Covid-19 admitidos no Zhongnan Hospital of Wuhan University em janeiro e fevereiro do presente ano. Foram coletados dados sobre aspectos demográficos, comorbidades, quadro clínico, achados laboratoriais e tomográficos. A taxa de mortalidade foi de 13,47%, e os autores observaram que idade avançada, altos níveis de D-dímero e alta razão neutrófilos/linfócitos relacionaram-se a maior risco de óbito. Na população estudada, a razão mostrou-se como um fator de risco independente, principalmente no sexo masculino.

A razão entre o número absoluto de neutrófilos e o de linfócitos é um índice facilmente calculado e que pode contribuir na avaliação do estado inflamatório do doente: a resposta inflamatória estimularia a produção de neutrófilos e a apoptose de linfócitos. Dados na literatura não apenas em doenças infecciosas (incluindo causadas por outros coronavírus, como o MERS-CoV), mas também em neoplasias, síndrome coronariana aguda, hemorragia intracraniana, polimiosite e dermatomiosite, mostram que uma razão alta associa-se a maior risco de mortalidade. Recentes estudos com pacientes com Covid-19 grave observou a mesma associação:

  • Infecção pelo SARS-CoV-2 → liberação de citocinas (“tempestade de citocinas”) → síndrome da resposta inflamatória sistêmica → aumento dos neutrófilos e redução dos linfócitos → morte celular → ativação da cascata de coagulação → microtromboses → isquemia e disfunção orgânica.

Mais da autora: Anticoagulação na Covid-19: quais as recomendações mais recentes de guidelines e sociedades?

Pensamentos finais

Vale sempre ressaltar que grande parte das informações sobre a infecção pelo novo coronavírus está sendo gerada em tempo real. Dessa forma, é preciso ter cuidado nas suas interpretações e ter ciência de que novos dados podem ser divulgados. Os dados apresentados resultaram de um estudo chinês, com um número relativamente pequeno de participantes, e as diversidades entre as populações de diferentes países podem interferir nos achados e na evolução dos doentes. Sendo assim, mais estudos são necessários para estabelecer de forma mais sólida a relação entre a razão neutrófilos/linfócitos e a taxa de mortalidade nos indivíduos com Covid-19 grave.

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Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Liu Y, et al. Neutrophil-to-lymphocyte ratio as an independent risk factor for mortality in hospitalized patients with COVID-19. Journal of Infection. 2020.
  • Qin C, et al. Dysregulation of immune response in patients with COVID-19 in Wuhan, China. Clinical Infectious Diseases. 2020.

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