Pediatria

Análise de crianças nascidas com extremo baixo peso com necessidade de traqueostomia

Tempo de leitura: 2 min.

A melhora dos cuidados durante a reanimação de neonatos na sala de parto e dos cuidados intensivos durante internação em Unidades de Terapia Intensiva Neonatais permitiram taxas de mortalidade menores e sobrevida maiores em recém-nascidos com prematuridade extrema e/ou extremo baixo peso. Apesar disso, muitos desses bebês permanecem com condições que exigem a necessidade de oxigenioterapia ou mesmo ventilação invasiva por tempo prolongado. Sequelas pulmonares ou neurológicas e existência de cardiopatias graves podem gerar necessidade de ventilação de forma permanente em muitas dessas crianças. Médicos e familiares se deparam muitas vezes com a necessidade de discutir a realização de traqueostomia em crianças pequenas, sendo esse procedimento cada vez mais realizado em menores de 1 ano de idade. O prognóstico dessas crianças, porém, ainda é assunto com pouca discussão na literatura especializada, principalmente em crianças com extremo baixo peso ao nascer.

Leia também: Whitebook: como tratar recém-nascidos com extremo baixo peso ao nascimento?

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Estudo sobre crianças nascidas com extremo baixo peso

Pesquisadores americanos realizaram estudo prospectivo em que analisaram dados de prontuários de crianças que nasceram nos EUA com extremo baixo peso durante um período de 11 anos (janeiro de 2006 a dezembro de 2016), objetivando avaliar a mortalidade, números de dias hospitalizados, fatores de risco para a realização da traqueostomia e fatores de predição de mortalidade nesse grupo.

Características do estudo

Foram avaliadas 458.624 crianças com extremo baixo peso ao nascer. Desse total, 3.442 (0,75%) necessitaram de traqueostomia no primeiro ano de vida. Essas crianças tinham menor peso médio ao nascer, com aquelas com < 751 g de peso de nascimento apresentando maior incidência de traqueostomia. Das crianças traqueostomizadas, 15,8% apresentavam alterações congênitas, comparadas com 3,2% das crianças não traqueostomizadas. Além disso, a grande maioria dessas crianças (92,2%) apresentavam doença pulmonar crônica, definida no estudo como crianças com necessidade de uso de oxigênio com 36 semanas de idade gestacional corrigida ou com alta hospitalar com uso de oxigênio com 34 ou 35 semanas de idade gestacional corrigida.

As crianças que necessitaram de traqueostomia também tiveram mortalidade maior do que as que não necessitaram (18,8% versus 8,3%); com mortalidade mantida mesmo nos grupos com maior peso de nascimento. A média de dias de internação foi maior no grupo dos traqueostomizados (226 dias versus 58 dias). Além disso, essas crianças apresentaram maiores necessidade de procedimentos cirúrgicos além da traqueostomia, incluindo a realização de gastrostomia.

Saiba mais: Orientações para enfermeiros no cuidado à gestante, recém-nascido e crianças na Covid-19

Achados

Como fatores de risco para a realização de traqueostomia, os autores encontraram que a presença de doença pulmonar crônica, síndromes genéticas, cardiopatias congênitas graves e distúrbios neurológicos aumentava consideravelmente a necessidade de realização de traqueostomia. Sexo masculino, peso de nascimento < 751 g, doença pulmonar crônica e alterações congênitas (cardiopatias, alterações cromossomiais e neuropatias) foram fatores de risco para mortalidade nas crianças traqueostomizadas.

Mensagem final

Esses dados podem servir de base para que médicos e familiares possam discutir com maior precisão as indicações, riscos e benefícios da traqueostomia nesse grupo de pacientes. Geram também informações a respeito do cuidado complexo e prolongado desses pacientes, devido às comorbidades existentes e complicações associadas e do maior risco de morte.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Han SM, Watters KF, Hong CR, et al. Tracheostomy in Very Low Birth Weight Infants: A Prospective Multicenter Study. Pediatrics. 2020;145(3):e20192371
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Publicado por
Dolores Henriques

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