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Anemia no paciente com câncer: fatos sobre a eritropoetina

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“Paciente 60 anos, câncer de mama metastático, com anemia importante (hb: 6,2), apresentando cansaço importante, que a restringia ao leito durante a internação. Não apresentava sinais de perda sanguínea e as características da anemia mostravam que era secundária à doença crônica. Negou realização de hemotransfusão por ser testemunha de Jeová.”

Anemia é uma complicação frequente no curso do câncer, tanto pela própria malignidade quanto pelo tratamento quimioterápico. Com a anemia, o paciente apresenta fadiga que limita suas atividades diárias. Neste contexto, reconhecer a anemia e suas causas é importante para identificar intervenções apropriadas que possam melhorar a qualidade de vida do paciente.

O uso de agentes estimuladores da eritropoiese (AEE), como a eritropoetina, para manejar a anemia no paciente com câncer parece uma ideia razoável, à medida que aumenta os níveis de hemoglobina (Hb) e reduz a necessidade de transfusões de hemácias. Recentemente foi lançado um guideline da American Society of Clinical Oncology (ASCO) e American Society of Hematology (ASH) a respeito do uso de AEE neste contexto. O documento foi estruturado em perguntas e traremos as conclusões mais importantes.

1. Para reduzir a necessidade de transfusões de hemácias, os AEE devem ser oferecidos a pacientes que tenham anemia relacionada à Quimioterapia?

Os AEE podem ser oferecidos a pacientes com anemia associada à quimioterapia cujo tratamento do câncer não é curativo e cuja Hb está abaixo de 10 g / dL. A transfusão de hemácias também é uma opção, dependendo da gravidade da anemia ou circunstâncias clínicas. O guideline desencoraja o uso de AEE em doentes com anemia associada a quimioterapia o tratamento do câncer tem intenção de ser curativo.

2. Para reduzir a necessidade de transfusões de hemácias, os AEE devem ser oferecidos a pacientes anêmicos com câncer que não estejam recebendo quimioterapia mielossupressora concomitante?

O guideline não recomenda o uso de AEE em pacientes que não tenham anemia relacionada a quimioterapia imunossupressora.

3. Que exames e testes de diagnóstico devem ser realizados antes de tomar uma decisão sobre o uso de um AEE?

Antes de oferecer um AEE, os médicos devem conduzir uma história apropriada, exame físico e testes diagnósticos para identificar causas alternativas de anemia, além da quimioterapia ou malignidade hematopoiética subjacente. Tais causas devem ser adequadamente abordadas antes de considerar o uso de AEE.

4. Os AEEs aumentam o risco de tromboembolismo?

Os AEEs aumentam o risco de tromboembolismo e os médicos devem pesar cuidadosamente riscos de tromboembolismo e usar cautela e julgamento clínico ao considerar o uso desses agentes.

5. Entre os pacientes adultos que receberão um AEE para anemia associada à quimioterapia, qual é a alvo nível Hb?

O nível alvo de Hb pode seria a concentração mais baixa necessária para evitar ou reduzir a necessidade de transfusões de hemácias, que podem variar de acordo com a condição do paciente.

6) A suplementação com ferro ajuda no tratamento da anemia quando o paciente está usando AEE?

A reposição de ferro pode ser usada para melhorar a resposta e reduzir as transfusões de hemácias para pacientes que recebem AEE com ou sem deficiência de ferro. É importante monitorar a cinética de ferro do paciente. (esta evidência foi caracterizada como de qualidade intermediária e força fraca de recomendação).

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A paciente da vinheta foi um caso real que acompanhei recentemente. Ela apresentava anemia importante com limitação de atividades diárias, além de um fator religioso que impedia a transfusão de sangue. Diante deste cenário, optamos por tentar suplementação com ferro e eritropoetina, mesmo cientes de que a anemia da paciente não era secundária a tratamento quimioterápico. Os riscos e benefícios da conduta foram conversados com a paciente. Ela recebeu alta com hb: 7,4 e melhora clínica expressiva, além de ter iniciado quimioterapia paliativa para o câncer de mama na internação.

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