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Animais de estimação robóticos no tratamento de crianças com autismo e idosos

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A utilização de animais de estimação robóticos – os chamados robôs pets – no tratamento de crianças com autismo e de idosos com demência foi um dos temas debatidos no Congresso Internacional da Associação de Alzheimer. O Congresso foi realizado em julho deste ano, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

“Não é novidade para ninguém o avanço da tecnologia e o quanto ela pode nos ajudar. Os nossos velhos companheiros estão  agora em versão robô. Isso permite que a Terapia Assistida por Animais (TAA) esteja presente em hospitais e instituições onde o acesso de animais reais não é permitido. Os novos robôs pets já estão disponíveis em vários países e sendo usados para o cuidado de idosos com demência e em crianças autistas.”, conta Marcella Bianca, neuropsicóloga e professora de pós-graduação em Neuropsicologia, mestra em Gerontologia e membro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNP), que participou do evento.

Tratamento em idosos com demência

Pesquisas comprovam que a introdução do robô pet na companhia do idoso diminui a agitação, a ansiedade, o isolamento social e a tristeza. Além disso,  melhora o bem-estar e a qualidade de vida, proporcionando o companheirismo e a interação com o ambiente. Outro benefício da nova tecnologia é o desenvolvimento das habilidades motoras devido ao estímulo da interação com o animal através do acariciamento.

A interação com os robôs pets funciona através da percepção da presença de alguém no ambiente, na voz quando o chamam e nos sensores táteis. Os sensores cardíacos dos robôs pets respondem ao movimento e ao toque das pessoas. A pele é realista e macia, além de emitir sons autênticos de gatos e cachorros, segundo a Joy for All, empresa fabricante dos robôs pets nos Estados Unidos. Assista aqui ao vídeo completa de apresentação aqui.

Um estudo publicado no National Institutes of Health (NIH), em 2016, descobriu que a interação com um robô terapêutico companheiro tornava os pacientes idosos com demência de estágio médio a tardio menos ansiosos, menos estressados e com maior qualidade de vida.

A conclusão da pesquisa foi que o tratamento com o robô terapêutico diminuiu o estresse e a ansiedade no grupo de tratamento O resultado disso foram reduções no uso de medicamentos psicoativos e analgésicos em pacientes idosos com demência.

Problemas comportamentais podem afetar indivíduos com demência, aumentando o custo e a carga de cuidados. A terapia com animais de estimação é conhecida por ser emocionalmente benéfica por muitos anos.

Saiba mais: Tratamento com animais traz melhorias para pacientes psiquiátricos

Tratamento em crianças com autismo

Já um segundo estudo realizado pelos pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, em 2008, investigou se um cão robótico poderia ajudar no desenvolvimento social de crianças com autismo. Onze crianças diagnosticadas com autismo, com idades entre 5 e 8 anos, interagiram em uma sessão experimental com o cão robótico AIBO. E, depois, com um simples cão de brinquedo mecânico (Kasha), que não tinha capacidade de detectar ou responder às suas necessidades físicas ou sociais.

Os resultados mostraram que, em comparação com Kasha, as crianças falaram mais palavras à AIBO e apresentaram três tipos de comportamento típico de crianças sem autismo:

  • Engajamento verbal;
  • Interação recíproca;
  • Autêntica interação. 

Além disso, os cientistas encontraram evidências sugestivas (com valores variando de 0,07 a 0,09) que as crianças interagiram mais com a AIBO e demonstraram menos comportamentos autistas.

“Na minha opinião, o robô pet é importante para todas as faixas etárias, principalmente em crianças e idosos, até mesmo aqueles saudáveis. Isso porque, hoje em dia, sabemos que ter um animal de estimação real em casa exige muitos cuidados, tempo e dinheiro. Ter um robô pet em casa é uma boa alternativa para promover a diminuição da ansiedade, da agitação, evitar o isolamento social, melhorar a qualidade de vida e o bem-estar. Além de estimular o companheirismo e o carinho com o outro”, afirma a neuropsicóloga Marcella Bianca.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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