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Ansiedade no pré-operatório pode gerar complicações na cirurgia

Ansiedade pré-operatória e despertar durante anestesia

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A ansiedade é um estado de preocupação devido a uma expectativa de um risco iminente. Estudos demonstram que cerca de 60-80% dos pacientes na etapa pré-operatória apresentam características de ansiedade e isso acaba por prejudicar e trazer algumas complicações principalmente em relação a percepção da dor. Pacientes muito ansiosos tendem a ter um limiar mais baixo em relação a percepção e tolerância a dor, solicitando maior quantidade de analgésicos e prolongamento do tempo de internação hospitalar. A gravidade da ansiedade irá depender de alguns fatores, sendo o mais importante, as experiências prévias vividas e o desconhecimento e falta de diálogo com a equipe anestésico-cirúrgica.

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Características da condição

O despertar intraoperatório ou consciência intraoperatória (CIO) se caracteriza por 4 tipos: percepção consciente com memória, percepção consciente sem memória, percepção inconsciente ou ausência de percepção ou memória. Alguns pacientes relembram apenas sonhos ou sons enquanto outros tem uma forte percepção de dor e angústia. Vários fatores estão intimamente relacionados ao CIO, entre eles situações de anestesia superficial em pacientes graves, ASAs elevados, pacientes críticos e instáveis e cirurgias longas de grande porte. Sabe-se que existe uma incidência 1,6% maior de probabilidade de recorrência de CIO em pacientes que já sofreram essa experiência.

Alguns estudos foram realizados a fim de ligar o grau de ansiedade pré-operatória com a incidência de CIO. O estudo observacional em questão, analisou 1.200 pacientes ASA I-II, com idade entre 18 e 70 anos que já haviam sido submetidos a anestesia geral e que estavam em pré-operatório de cirurgia de septoplastia, no período de março a setembro de 2018. A ansiedade foi avaliada pelo Inventário de Ansiedade Traço‐Estado (IDATE), método padrão ouro para essa análise sendo que pacientes com IDATE > 45 foram excluídos do estudo. E a CIO foi avaliada pelo escore de consciência Brie. Todas as avaliações foram realizadas no dia anterior a cirurgia.

Causas

Foi evidenciado que os pacientes que apresentavam os maiores escores IDATE foram os que haviam apresentado algum grau de CIO em cirurgias anteriores ou que foram submetidos a cirurgias de grande porte. Altos escores de IDATE estão intimamente relacionados ao tipo de cirurgia, como por exemplo cirurgias em órgãos vitais ou com possibilidade de perda de função, sendo que cirurgias de pequeno porte não estão relacionadas a alto grau de ansiedade. Mulheres também tendem a ter escores de ansiedade mais alto que os homens, principalmente por serem de uma classe com maior facilidade e liberdade de expressar seus sentimentos e emoções. Pacientes mais jovens também apresentaram escores elevados de ansiedade por estarem mais expostos a informações de mídia social.

A ansiedade e o temor pré‐operatórios podem levar ao aumento nos níveis de hormônios do estresse, gerando uma resposta metabólica pré‐operatória indesejável, com alto nível sistêmico de catecolaminas, que aumentam a pressão arterial e a frequência cardíaca. Essas alterações podem levar a situações como retardamento do início do procedimento para estabilizar o paciente e complicações como arritmias e instabilidade hemodinâmica durante a cirurgia.

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Conclusão

Saber determinar e tratar o nível de ansiedade dos pacientes no período pré-operatório é indispensável para evitar complicações associadas como a CIO, principalmente naqueles pacientes que já tiveram uma experiência de despertar intraoperatório anteriormente. Ainda assim, maiores estudos relacionados a esse tema devem ser realizados no futuro.

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Referências bibliográficas:

  • Altinsoy S,et al. The relation between preoperative anxiety and awareness during anesthesia: an observational study. Brazilian Journal of Anesthesiology. 2020;70(4):349-356. doi: 10.1016/j.bjane.2020.07.003
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  • Mashour GA, Avidan MS. Intraoperative awareness: controversies and non‐controversies Br J Anaesth. 2015;115(Suppl 1): i20-i26. doi: 10.1093/bja/aev034

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