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Apendicite aguda: cirurgia é melhor do que tratamento com antibióticos?

Tempo de leitura: 2 minutos.

A apendicite aguda acomete um em cada 10 indivíduos ao longo da vida e representa a emergência abdominal cirúrgica mais comum. A maior parte dos casos ocorre na segunda e terceira década de vida. O Colégio Americano de Cirurgiões, bem como outras sociedades médicas afins, recomenda a apendicectomia como tratamento de escolha. Por outro lado, alguns estudos científicos têm demonstrado segurança para tratamento inicial com antibióticos na apendicite não complicada, que corresponde a aproximadamente 90% do total.

Em setembro de 2018 foi publicado no JAMA o seguimento de longo do prazo do “APPAC trial”, um dos melhores estudos sobre o tópico. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, multicêntrico realizado na Finlândia, com 530 pacientes entre 18 e 60 anos, que avaliou a recorrência no grupo com estratégia não cirúrgica e outras complicações.

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Os principais critérios de exclusão foram a presença de infecção sistêmica grave e tomografia computadorizada demonstrando apendicolito, perfuração, abscesso ou suspeita de tumor. O grupo randomizado para tratamento conservador recebeu ertapenem por três dias e complemento com levofloxacino associado a metronidazol por mais sete dias, porém é importante destacar que outros esquemas contemplando bastonetes gram negativos e bactérias anaeróbias também têm demonstrado eficácia na prática clínica.

Os resultados mostraram que entre pacientes com apendicite não complicada tratados inicialmente com antibióticos, a probabilidade de recorrência em cinco anos foi de 39%, sendo 70% desses nos primeiros 12 meses. A alta taxa de recorrência e a mortalidade muito baixa com a apendicectomia, da ordem de 0,3% em registro internacional, fazem da opção cirúrgica o tratamento de primeira linha na apendicite aguda, porém em casos selecionados, a estratégia conservadora deve ser considerada.

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Autor:

Rodrigo Mousinho

Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia ⦁ Especialista em Medicina Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira

Referências:

  • Thompson A. Antibiotic Therapy for Uncomplicated Appendicitis. JAMA. 2015;314(4):331. doi:10.1001/jama.2015.8471
  • Salminen P, Tuominen R, Paajanen H, et al. Five-Year Follow-up of Antibiotic Therapy for Uncomplicated Acute Appendicitis in the APPAC Randomized Clinical Trial. JAMA. 2018;320(12):1259–1265. doi:10.1001/jama.2018.13201
  • Sartelli, M., Baiocchi, G. L., Di Saverio, S., Ferrara, F., Labricciosa, F. M., Ansaloni, L., … Catena, F. (2018). Prospective Observational Study on acute Appendicitis Worldwide (POSAW). World Journal of Emergency Surgery : WJES13, 19. http://doi.org/10.1186/s13017-018-0179-0

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