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pés de um homem deitado na cama

Apneia obstrutiva do sono: o que todo médico deve saber

A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é caracterizada pela obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores durante o sono apesar da manutenção do esforço da musculatura respiratória. Ela tem sido muito estudada nas últimas duas décadas, mostrando-se uma doença com complicações potencialmente graves, devendo, portanto, ser reconhecida por todos os médicos e iniciado o tratamento adequado tão logo feito o diagnóstico.

  1. A síndrome da apneia obstrutiva do sono é mais comum que o diabetes. Dados de estudos epidemiológicos mostram que a prevalência de SAOS está em torno de 20 a 30% da população adulta. 1,2
  2. Os principais fatores de risco para a SAOS são: idade> 60 anos, sexo masculino, obesidade, circunferência cervical maior que 43 cm em homens e 37 cm em mulheres e micro/retrognatismo.3,4,5,6
  3. Os principais sintomas são ronco, pausas respiratórias presenciadas por testemunha, sonolência excessiva diurna e despertares com sensação de asfixia.. 7
  4. O método padrão-ouro para o diagnóstico de SAOS é a polissonografia8 que através do índice de apneia e hipopneia (IAH), quantifica os  eventos respiratórios por hora de sono. Recentemente tem se considerado o IDR (índice de distúrbio respiratório) que além das apneias e hipopneias, leva em conta o RERA (esforço respiratório associado ao despertar).7
  5. Os valores do IAH/IDR são importantes para mensurar a gravidade da SAOS: entre 5-15 (LEVE), entre 15-30 (MODERADA) e > 30 (GRAVE).7
  6. O tratamento de escolha é o uso de CPAP (continuous positive airway pressure), sendo o maior desafio a adesão do paciente. Cirurgias como a uvulopalatofaringoplastia e a faringoplastia lateral podem ser tentadas em casos selecionados. Os aparelhos intraorais são reservados aos casos de SAOS leve. 9
  7. Pacientes com SAOS grave tem 2-3x mais chance de morrer por qualquer causa comparados a indivíduos sem SAOS. 10, 11.
  8. A SAOS é fator de risco para hipertensão arterial 12-13 e também parece estar implicada no aumento do risco de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, resistência insulínica e diabetes,13 déficit cognitivo,14 alterações na substância branca cerebral,15 ansiedade,16 depressão16 e nicturia.17
  9. Estudos recentes apontam para a associação entre SAOS e doenças neurodegenerativas, devido aos inúmeros mecanismos pelos quais a SAOS pode levar ao dano neuronal. 18, 19

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Autora:

Referências:

  • 1 – Franklin KA, Lindberg E. Obstructive sleep apnea is a common disorder in the population: a review on the epidemiology of sleep apnea. J Thorac Dis. 2015; 7(8):1311-22.
  • 2 – Tufik S, Santos-Silva R, Taddei JA, Bittencourt LR. Obstructive sleep apnea syndrome in the Sao Paulo Epidemiologic Sleep Study. Sleep Med. 2010; 11(5):441-6.
  • 3 – Bixler E, Vgontzas A, Ten Have T, Tyson K, Kales A. Effects of age on sleep apnea in men. Am J Respir Crit Care Med. 1998; 157:144-8.
  • 4 – Young T, Shahar E, Nieto FJ, Redline S, Newman AB, Gottlieb DJ, et al. Predictors of sleep-disordered breathing in community-dwelling adults: the Sleep Heart Health Study. Arch Intern Med. 2002; 162(8):893-900.
  • 5 – Schwartz AR, Patil SP, Laffan AM, Polotsky V, Schneider H, Smith P. Obesity and obstructive sleep apnea: pathogenic mechanisms and therapeutic approaches. Proc Am Thorac Soc. 2008; 5(2):185-92.
  • 6 – Tangugsorn V, Krogstad O, Espeland L, Lyberg T. Obstructive Sleep Apnea (OSA): A cephalometric analysis of severe and non-severe OSA patients. Part I: Multiple comparison of cephalometric variables. Int J Adult Orthodon Orthognath Surg. 2000; 15(2):139-52.
  • 7 – Darien, IL. International classification of sleep disorders, 3rd ed. American Academy of Sleep Medicine, 2014.
  • 8 – American Academy of Sleep Medicine. Manual for the Scoring of Sleep and Associated Events – The essential sleep scoring resource [acesso em 2017 Abr 17]. Disponível em: www.aasmnet.org.
  • 9 – Epstein LJ, Kristo D, Strollo PJ Jr, Friedman N, Malhotra A, Patil SP, et al. Clinical guideline for the evaluation, management and long-term care of obstructive sleep apnea in adults. J Clin Sleep Med. 2009; 5(3):263-76.
  • 10 – Punjabi NM1, Caffo BS, Goodwin JL, Gottlieb DJ, Newman AB, O’Connor GT, Rapoport DM, Redline S, Resnick HE, Robbins JA, Shahar E, Unruh ML, Samet JM. Sleep-disordered breathing and mortality: a prospective cohort study PLoS Med. 2009;6(8):e1000132.
  • 11 – Marshall NS1, Wong KK, Liu PY, Cullen SR, Knuiman MW, Grunstein RR. Sleep apnea as an independent risk factor for all-cause mortality: the Busselton Health Study. Sleep. 2008;31(8):1079.
  • 12 – Durán J, Esnaola S, Rubio R, Iztueta A. Obstructive sleep apnea–hypopnea and related clinical features in a population-based sample of subjects aged 30 to 70 yr. Am J Respir Crit Care Med. 2001; 163:685-9.
  • 13 – Eastwood PR, Malhotra A, Palmer LJ, Kezirian EJ, Horner RL, Ip MS, et al. Obstructive sleep apnoea: from pathogenesis to treatment: current controversies and future directions. Respirology. 2010; 15(4):587-95.
  • 14 – Kielb AS, Ancoli-Israel S, Rebok GW, Spira AP. Cognition in obstructive sleep apnea-hypopnea syndrome (OSAS). Current clinical knowledge and impact of treatment. Neuromol Med. 2012; 14:180-93.
  • 15 – Kim H, Yun CH, Thomas RJ, Lee SH, Seo HS, Cho ER, et al. Obstructive sleep apnea as a risk factor for cerebral white matter change in a middle-aged and older general population. Sleep. 2013; 36(5):709-15.
  • 16 – Babson KA, Del Re AC, Bonn-Miller MO, Woodward SH. The comorbidity of sleep apnea and mood, anxiety, and substance use disorders among obese military veterans within the Veterans Health Administration. J Clin Sleep Med. 2013; 9(12):1253-8.
  • 17 – Parthasarathy S, Fitzgerald M, Goodwin JL, Unruh M, Guerra S, Quan SF. Nocturia, Sleep-Disordered Breathing, and Cardiovascular Morbidity in a Community-Based Cohort. PloS One. 2012; 7(2):e30969.
  • 18 – Daulatzai MA. Death by a thousand cuts in Alzheimer’s disease: hypoxia – the prodrome. Neurotox Res. 2013; 24(2):216-43.
  • 19 – Bahia CMCS, Pereira JS. Obstructive sleep apnea and neurodegenerative diseases: a bidirectional relation. Dement Neuropsychol. 2015; 9(1):9-15.

 

Um comentário

  1. Luiz Eduardo Pinto de Carvlho

    Olá!
    Aqui é Luiz Carvalho, cirurgião-dentista, que também atua na área de Distúrbios do Sono.
    Sou de Bauru-SP e fiquei muito contente em encontrar este site, pois os artigos são de altíssimo nível e muito simples de entendê-los.
    No artigo – Apneia obstrutiva do sono: o que todo médico deve saber, da Dra Christianne, que já agradeço, tem ao final um link para baixar “a melhor conduta para SAOS”, no Whitebook. Já assinei a plataforma e naveguei normalmente por ela, entretanto, não consegui localizar o referido e-book.
    Grato e aguardo orientações.
    Luiz

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