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síndrome de hipermobilidade articular

Aprenda a diagnosticar a síndrome de hipermobilidade articular

Tempo de leitura: 3 minutos.

A síndrome de hipermobilidade articular (SHA) é uma causa importante e muitas vezes esquecida no paciente com dor crônica. É definida como uma condição na qual a maioria das articulações sinoviais possui uma amplitude de movimento maior que os limites normais, levando em consideração a idade, o gênero e a etnia do indivíduo.

Atinge cerca de 5 a 30% da população (a depender do país de estudo), principalmente mulheres descendentes de africanos ou asiáticos. É mais vista em crianças e jovens e vai diminuindo de intensidade ao longo dos anos.

Etiologia

Pode ser herdada geneticamente ou adquirida através de anos de treinamento e alongamento, como visto em bailarinas e ginastas. Além disso, a hipermobilidade também pode se desenvolver nas doenças do tecido conjuntivo – Síndrome de Marfan, Síndrome de Ehlers-Danlos, Osteogênese Imperfecta.

A hipermobilidade predispõe a uma ampla variedade de lesões dos tecidos moles e distúrbios articulares internos crônicos, como artralgias ou mialgias, que levam os pacientes a procurar atendimento médico. Quando associada aos sintomas, é denominada síndrome de hipermobilidade articular (SHA).

Patogênese

A SHA apresenta um padrão autossômico dominante, com alteração poligênica, que afeta a codificação do colágeno das proteínas do tecido conjuntivo. Os indivíduos com SHA possuem uma relação anormal de colágeno do tipo III (mais extensível e desorganizado) e V (regulação do diâmetro da fibrila) para o tipo I (alta resistência).

Quadro clínico

Em cerca de 25% dos indivíduos, a síndrome de hipermobilidade articular pode ser assintomática. Quando sintomática, as dores se iniciam na adolescência, sendo uma das causas mais comuns para dor crônica de origem músculo-esquelética nessa faixa etária e se estendem a vida adulta.

A frouxidão e a fragilidade do tecido conjuntivo, juntamente com uma diminuição da acuidade proprioceptiva e reflexos neuromusculares alterados, são as possíveis causas da predisposição de indivíduos com SHA para danos e lesões. As artralgias são comuns, pois o indivíduo realiza movimentos inadvertidos, sobrecarregando as articulações. Há maior risco para lesões articulares, musculares, luxações ou subluxações e distensões musculares. Pacientes têm dificuldade de definição e tônus muscular, mesmo com treinos.

Leia maisUm diagnóstico oculto

É descrito maior risco de manifestações extra-articulares em outros tecidos conjuntivos, como varizes, prolapso urogenital, ptose, alteração de propriocepção e reflexos, síndrome do túnel do carpo e tarso, transtornos ansiosos-depressivos. Os pacientes geralmente quando sentados na cadeira, são inquietos, na busca de uma posição mais estável. As cicatrizes na pele geralmente tem aspecto papiráceo.

Diagnóstico

Para o diagnóstico aplicamos o questionário de hipermobilidade e o exame físico é feito através dos critérios de Beighton.

Questionário de hipermobilidade (Hakim e Grahame, 2003)

  1. Você consegue (ou já conseguiu) colocar as palmas das mãos no chão sem flexionar os joelhos?
  2. Você consegue (ou já conseguiu) dobrar seu polegar até tocar o antebraço?
  3. Quando criança você se contorcia mais que outras crianças ou abria completamente as pernas (espacate)?
  4. Você já deslocou o ombro ou a patela mais de uma vez?
  5. Você se considera uma pessoa mais flexível que o normal?

Se a resposta for positiva para 2 itens: 85% de sensibilidade e 90% de especificidade para SHA

Escore de Beighton

No escore de Beighton, pacientes recebem um escore numérico de 0 a 9, com um ponto atribuído pela habilidade de executar cada um dos testes que se seguem.

  1. Dorsiflexão passiva do 5º metacarpo-falangeano mais de 90º: para cada lado (direito e esquerdo) afetado, temos 1 ponto, podendo totalizar aqui 2 pontos.
  2. Opor o polegar no antebraço: para cada lado (direito e esquerdo) acometido, temos 1 ponto, podendo totalizar aqui 2 pontos.
  3. Hiperestender o cotovelo mais de 10º: a manobra deve ser realizada tanto à direita quanto à esquerda. Se a medição ultrapassar 10º, temos um ponto para cada lado do corpo, podendo totalizar aqui 2 pontos.
  4. Hiperestender os joelhos mais de 10º: se a medida ultrapassar 10º, atribuímos 1 ponto para cada lado, podendo totalizar 2 pontos.
  5. Colocar as mãos no chão sem dobrar os joelhos: alcançando-se tal objetivo, temos 1 ponto. Cada participante teve, então, sua pontuação alcançada no escore de Beighton quantificada pelo examinador.

Com quatro ou mais pontos: diagnóstico de SHA.

Tratamento

Educação em saúde e orientações dos corretos posicionamentos no trabalho e vida diária são fundamentais para esses pacientes. Além disso, é necessária a prescrição de um programa regular de atividade física. Evitar alongamento excessivo das articulações que já são naturalmente alongadas, bem como evitar esportes de alto impacto (futebol americano, basquete) ou que seja necessária muita flexibilidade (ballet, ginástica artística).

Os treinos devem sempre ser monitorados por profissionais treinados (fisioterapeutas ou educadores físicos) e devem conter fortalecimento muscular global, treino de resistência, propriocepção, equilíbrio e condicionamento físico. Os exercícios devem respeitar a amplitude de movimento adequada e devem ser ajustados se gerarem dor.
O manejo medicamentoso da dor pode ser feito com analgesia simples até o início do programa de exercícios físicos.

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Autor:

Referências:

  • Simmonds JV1, Keer RJ. Hypermobility and the hypermobility syndrome. Man Ther. 2007 Nov;12(4):298-309. Epub 2007 Jul 20.
  • Simons D, Travell J, Simons P. Travell & Simons’ myofascial pain & dysfunction: the trigger point manual. Baltimore: Williams & Wilkins; 1999.

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