Artroplastia do Joelho Primária Navegada: você sabe o que é?

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A artroplastia total do joelho é uma técnica cirúrgica com resultados favoráveis para o tratamento da artrose que não foi resolvida através de outros métodos menos invasivos. Por meio dela podemos corrigir deformidades articulares graves resultantes de sequelas pós-traumáticas graves ou de artrose crônica.

A técnica cirúrgica da artroplastia total do joelho, torna-se cada vez mais complexa, quanto mais grave a lesão articular. Os dois principais desafios do cirurgião, nessas situações, são o balanço ligamentar e o alinhamento do membro adequados, restaurando o eixo mecânico e amplitude de movimento adequadas com estabilidade.

Diversos autores pesquisaram quanto ao desfecho favorável das próteses de joelho e constataram que o alinhamento inadequado maior do que 3 graus aumentava significativamente o risco de falha dos implantes e soltura mecânica. Assim, quanto mais graves as deformidades e insuficiências ligamentares, maiores as chances de alinhamento maiores que 3 graus, favorecendo o risco de soltura.

O uso da navegação favoreceu a um melhor alinhamento na prótese total de joelho, com vantagem cirúrgicas e clínicas significativas, principalmente nos quadros de deformidades graves. A técnica de navegação foi inicialmente desenvolvida para reconstrução do ligamento cruzado anterior pelo Dr. Lavalle, em 1991. Desde então, a navegação com o auxílio de computador, evoluiu significativamente, sendo mais utilizada na técnica de artroplastias, sejam elas do quadril ou do joelho.

O que é a artroplastia do joelho navegada com auxílio de computador

Nessa técnica cirúrgica, os implantes são os mesmos do que de uma artroplastia convencional, a grande diferença diz respeito ao uso de guias especiais que permitem implantar, de forma precisa, a prótese, alinhada com os eixos de movimento do quadril, joelho e tornozelo.

Na técnica cirúrgica, são necessários três componentes para que se consiga realizar a navegação:

  1. Sistema de marcação.
  2. A plataforma computadorizada.
  3. Grupo de bases de referências dinâmicas (BDR): objetos-alvo do procedimento de navegação (ossos do paciente, implantes e instrumental cirúrgico).

Tecnologia de Marcação

Os sistemas de marcação são constituídos por marcadores e podem ser conectados aos instrumentos cirúrgicos ou aos ossos do paciente, que permitem a triangulação com um sistema de marcação óptica com bobina eletromagnética ou sonda ultrassônica para captação de pulsos laser ou eletromagnéticos dos marcadores.

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O sistema óptico possui duas a três câmeras que captam os impulsos laser dos marcadores fixados aos ossos os instrumentais, enquanto o sistema eletromagnético requer a colocação de bobinas no campo cirúrgico com fios, além disso sofre interferência de metais (instrumentais e implantes) e apresenta precisão inferior ao sistema óptico (erro de 0,25 mm versus 5,0 mm).

Plataforma computadorizada

A plataforma computadorizada é imprescindível para a interpretação dos sinais emitidos através da tecnologia de marcação (citados anteriormente) em alinhamento com os métodos de referenciamento (BDR), que serão comentados mais adiante.

Esses computadores apresentam softwares e processadores altamente responsivos, que permitem analisar em tempo real a análise tridimensional do membro, emitidos pelos marcadores. Estes computadores podem ser com tecnologia aberta, que permite realizar a análise para diferentes tipos de implante, ou tecnologia fechada (proprietária) de um único tipo de prótese.

Métodos de Referenciamento (BDR)

Os métodos de referenciamento são padronizados pelas técnicas, utilizando, pontos anatômicos específicos que permitem a triangulação com o computador. Parte do sucesso da cirurgia é atingido pela determinação adequada dos pontos de referência, como epicôndilos, superfície articular e movimentação do membro, que permite encontrar o centro de rotação do quadril, por exemplo.

Através da união desses três elementos é possível criar uma imagem virtual tridimensional do joelho e sua relação com o eixo de carga mecânico. Uma vantagem importante da navegação é que ela dispensa a colocação de guias intramedulares no fêmur e tíbia, assim, permite a colocação da prótese em situações onde o canal medular é obliterado ou apresenta deformidades anatômicas, que prejudicam a referência dos guias.

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Os desfechos clínicos nos estudos demonstram como vantagens, além do alinhamento favorável dos cortes ósseos, menor sangramento e microêmbolos cerebrais. Alguns cirurgiões advogam contra a instrumentação navegada, pois segundo eles, ela aumenta o tempo cirúrgico, entretanto, em um estudo, foi constatado que ela chega a diminuir em 10 minutos, quando protocolos são individualizados para o cirurgião. Outra desvantagem seria o custo do sistema de navegação, que muitas vezes é um obstáculo para a autorização pelos planos de saúde.

Opinião do autor

Na minha experiência individual, a cirurgia guiada por navegação veio para ficar. Em cirurgias primárias com pouca deformidade realizo a instrumentação tradicional, mas para aqueles pacientes com sequelas e deformidades maiores, ou cirurgias de revisão, procuro utilizar, sempre que possível, a navegação como ferramenta adjuvante para conseguir o alinhamento ótimo para os meus pacientes.

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Referências bibliográficas:

  • Norman SW. Insall & Scott: cirurgia do Joelho. 5. ed. Rio de Janeiro: Editora Elsevier; 2015. 1201 p.
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