Cirurgia

As taxas de infecção aumentam com o uso de técnicas de esterilização de uso imediato?

Tempo de leitura: 2 min.

A esterilização a vapor de uso imediato (EVUI), anteriormente denominada esterilização “flash”, tem sido historicamente usada para esterilizar instrumentos cirúrgicos em situações de emergência. Enquanto as técnicas tradicionais de esterilização exigem de 1 a 3 horas de preparo, a EVUI envolve um tempo de 3 a 10 minutos.  

Seu uso, entretanto, é limitado pelo receio quanto a um risco aumentado de infecções do sítio cirúrgico (ISC), o que ocorre devido a carência de indicadores biológicos comprovando a eficácia da esterilização, do tempo de processamento rápido, do potencial de contaminação durante transferências e da falta de evidência na literatura assegurando sua utilização. 

Leia também: Fibrilação atrial aumenta o risco de complicações em cirurgias não cardíacas?

Um recente estudo investigou a taxa de ISC em pacientes que realizaram cirúrgica ortopédica envolvendo o uso de EVUI comparado com um grupo controle com a hipótese de não haver diferença entre os grupos. 

Trata-se de um estudo multicêntrico do tipo coorte retrospectiva combinado com escore de propensão realizado em dez hospitais localizados no nordeste dos EUA.  

Estudo

Os dados foram coletados através da revisão de prontuários e dos dados do CDC NHSN (sistema de rastreamento de infecções) incluindo 83.719 procedimentos ortopédicos. Os casos de 70.600 pacientes submetidos a cirurgias ortopédicas incluindo artroplastia total de joelho ou quadril, laminectomia, ou fusão espinhal realizadas entre janeiro de 2014 a dezembro de 2020, foram revisados ​​retrospectivamente. Neste grupo, 3.526 pacientes tiveram EVUI utilizado durante a cirurgia. Uma análise de pareamento por escore de propensão foi conduzida para contabilizar preditores conhecidos de ISC incluindo um total de 7.052 pacientes.  

Após o pareamento do escore de propensão, 111 (1,57%) dos 7.052 pacientes pareados desenvolveram ISC. Dos 111 pacientes, 61 (54,95%) estavam no grupo com EVUI e 50 (45,05%) no grupo sem EVUI. A probabilidade estimada de desenvolver ISC foi de 1,42% para os pacientes do grupo não- EVUI versus 1,73% para os pacientes do grupo EVUI (RR = 0,82 (IC= 0,57 a 1,19). Não houve evidência de que a proporção de ISC foi maior no grupo EVUI. 

O estudo apresenta limitações relacionadas especialmente a seu desenho retrospectivo. Os pontos fortes desta pesquisa são o tamanho da amostra e a padronização do critério para definição de infecção nos diferentes centros assim como dos protocolos de esterilização. 

As taxas de infecção não foram significativamente diferentes entre pacientes submetidos à cirurgia ortopédica nos quais foi utilizado o método de esterilização imediata. Estudos prospectivos futuros são necessários para explorar ainda mais a utilidade do EVUI durante procedimentos ortopédicos. 

 

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Publicado por
Rafael Erthal

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