Associações médicas se manifestam contra o uso da hidroxicloroquina na Covid-19

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Quatro órgãos representativos de especialidades médicas publicaram nesta segunda-feira, dia 18 de maio, manifestos contrários a utilização generalizada da hidroxicloroquina, no tratamento da Covid-19, antes da conclusão de estudos científicos complementares.

Até o momento, estudos têm mostrado a ineficiência desse medicamento para evitar internações e óbitos. Além dos relatos de efeitos colaterais graves, inclusive com paradas cardíacas.

Hidroxicloroquina na Covid-19

Um dos documentos é assinado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), que reuniu 27 especialistas para analisar remédios e terapias aplicadas em pacientes com Covid-19. Segundo os órgãos, diversos procedimentos utilizados atualmente “carecem de apropriada avaliação de efetividade e de segurança”.

De acordo com o documento formulado pelas sociedades médicas, a cloroquina e a hidroxicloroquina (receitadas usualmente para malária) não devem ser utilizadas como tratamento de rotina contra o novo coronavírus. Após revisarem três estudos, os especialistas afirmam que “as evidências disponíveis não sugerem benefício clinicamente significativo”.

Além disso, os medicamentos representam risco moderado de problemas cardiovasculares nos pacientes, como arritmia.

O uso da cloroquina e da hidroxicloroquina só pode ser considerado, segundo o documento, para casos graves, de pessoas hospitalizadas, em “decisão compartilhada entre o médico e o paciente”. Os profissionais de saúde devem evitar ministrar, ao mesmo tempo, medicamentos que também alterem os batimentos cardíacos.

Leia também: Hidroxicloroquina para Covid-19: estudo randomizado não mostra benefício

Estudos randomizados multicêntricos estão em andamento

O outro documento, redigido pela Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), destaca também que a escolha dessa terapia e a conotação que a Covid-19 é uma doença de fácil tratamento são perigosas porque assumem um aspecto político inesperado e estão na contramão da experiência científica mundial e afirma que neste momento a melhor alternativa para conter a disseminação do novo coronavírus é o isolamento social.

Assinado por pesquisadores integrantes do Comitê Científico e Diretoria da SBI, o parecer justifica a conclusão ao dizer que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que fizeram uso do remédio.

“Trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração. Desta forma a SBI fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento, incluindo o estudo coordenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para obter uma melhor conclusão quanto à ral eficácia da hidroxicloroquina e as suas associações para o tratamento da Covid-19”, diz o texto publicado pela SBI.

Veja também: Atualização das evidências sobre o uso de hidroxicloroquina para Covid-19 [vídeo]

Polêmica sobre a hidroxicloroquina

O remédio é utilizado em pacientes com malária e doenças reumáticas, mas ganhou fama internacional no tratamento das formas graves de Covid-19.

Por enquanto, os fundamentos científicos são escassos, baseados em uma pequena meta-análise e um estudo de pesquisadores franceses com redução da viremia.

A utilização da substância no tratamento de pacientes com o novo coronavírus foi um dos principais motivos do pedido de demissão do ex-ministro da Saúde, o oncologista Nelson Teich.

Desde a semana passada, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, promete um novo protocolo sobre o uso do medicamento no país para ampliar a utilização para os pacientes com sintomas leves da Covid-19.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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