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paciente e médico analisando exame

Aterosclerose subclínica: quais parâmetros dispomos para refinar a estimativa de IAM ou AVC?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A avaliação do risco cardiovascular é uma estratégia fundamental no cuidado ambulatorial do paciente. O objetivo é identificar mudanças necessárias no estilo de vida e na dieta, como também definir a necessidade de tratamento medicamentoso para prevenir a aterosclerose.

A base da avaliação são escores que estimam o risco de AVC, IAM ou morte nos próximos 10 anos e a maior parte dela leva em consideração a idade, sexo, raça, pressão arterial, diabetes, tabagismo e o colesterol não-HDL.

Os pacientes são então classificados como baixo, médio ou alto risco. No baixo risco, não é indicado tratamento farmacológico. No alto risco, é indicada estatina. A grande polêmica é o indivíduo de risco intermediário, para o qual há divergências entre as diretrizes. O grupo americano defende o uso de estatina em dose moderada e o europeu, o uso de metas e avaliação complementar.

É justamente esta avaliação complementar o foco do nosso texto hoje: quais parâmetros dispomos na prática clínica para refinar a estimativa do paciente apresentar um IAM ou AVC?

Parâmetros para refinar a estratificação do risco cardiovascular

História familiar
Albuminúria
Síndrome metabólica
Proteína C reativa
Espessura médio intimal
Escore de cálcio
Índice tornozelo-braquial

1) História familiar

É um dos parâmetros mais antigos e estudados. É considerada um critério “maior” quando há AVC, IAM ou morte cardiovascular em parentes de primeiro grau, homens menores de 55 anos ou mulheres com menos de 65 anos de idade.

2) Albuminúria

Antigamente chamada de microalbuminúria, deve ser determinada na primeira urina da manhã (relação albuminúria/creatinúria em amostra urinária) e preferencialmente confirmada por uma segunda amostra. A urina de 24 horas é reservada para os casos graves ou duvidosos, já que sua coleta ambulatorial é pouco prática.

3) Presença de síndrome metabólica

Tem como principal utilidade identificar um paciente de maior risco cardiovascular, ao mostrar a agregação de obesidade visceral, dislipidemia, disglicemia e hipertensão. Há vários critérios, como você pode conferir na nossa seção premium do WB!

4) Proteína C reativa

Valores acima de 0,2-0,3 mg/dl (ou 2-3 mg/L) estão associados com maior risco cardiovascular e o estudo JUPITER mostrou benefício com o uso da rosuvastatina. Seu maior “entrave” na prática clínica é a baixa especificidade, pois a PCR está comumente elevada por diversos fatores (como um simples resfriado).

5) Espessura médio intimal da carótida (IMT)

Medida simples e de fácil aquisição, o IMT > 0,9 – 1,0 indica a formação inicial de uma futura placa de aterosclerose. Na sua prática, deve ser medida como parte do exame do US com doppler de carótidas.

6) Escore de cálcio (CAC)

Medido na TC cardíaca sem contraste – essa é sua principal vantagem, pois o exame é rápido (reduzindo exposição à radiação) e não usa iodo, com menor chance de nefropatia. Tem excelente correlação com risco futuro de eventos cardiovasculares e um escore de cálcio de zero tem alto valor preditivo negativo para doença arterial coronariana. Os raros casos de falso negativos ocorreriam pelas placas “moles”, recentes e instáveis, com maior conteúdo lipídico-inflamatório e ausência de calcificação.

7) Índice tornozelo-braquial (ABI)

Foi desenvolvido como marcador de doença arterial periférica, cuja causa mais comum é aterosclerose. O problema é que o método oficial deve ser feito com auxílio do Doppler, para medir a PA sistólica no braço (braquial) e na perna (usando o pulso pedioso) ipsilateral. É anormal quando < 0,9. Há como ser adaptado para método palpatório, mas a acurácia diminui.

Em um estudo europeu recente, o IMT, o CAC e o ABI foram avaliados como estratégia de refinamento do risco cardiovascular e mostraram excelente acurácia. Quando comparados entre si, o escore de cálcio (CAC) foi aquele com melhor predição do risco de eventos cardiovasculares. Todavia, na prática clínica, história familiar, albuminúria, PCRt e a presença de síndrome metabólica são de identificação mais simples e fácil.

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2 Comentários

  1. Ótimo. ..isso nos coloca cada vez mais atento…e nos faz valorizar cada vez mais a parte clínica e história do paciente.

    • Ana Carolina Pomodoro

      Olá, Clara! Sou Ana Carolina, médica e colunista da Pebmed. É isso mesmo! Você destacou de forma excelente o que realmente é importante! Continue acompanhando e participando do nosso portal!

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