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ATLS 10

ATLS 10: veja principais práticas para transporte do paciente grave

Tempo de leitura: 3 minutos.

Em grandes áreas urbanas, como Rio e São Paulo, as emergências clínicas têm sido representadas pelas UPAs 24h e os hospitais ficaram como retaguarda para os traumas e os doentes críticos. Por outro lado, em regiões mais centrais, é comum um único hospital terciário realizar toda a tarefa de atender pacientes clínicos e os politraumas. Além disso, nosso transporte pré-hospitalar é muito melhor nos acidentes (graças aos Bombeiros) em comparação com o atendimento clínico.  O ATLS 10 trouxe novas recomendações para o transporte do paciente grave.

Nos EUA, o sistema de saúde é melhor estruturado do que no Brasil, com papel definido para o atendimento pré-hospitalar, centros regionais/ED (emergency departments) e os hospitais terciários, e os trauma centers. Ao adaptar o texto para nossa realidade, devemos levar em conta essas peculiaridades.

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Quando um hospital recebe um paciente com politrauma, a prioridade são as avaliações primária e secundária para identificação e correção imediata das lesões com risco de vida. A transferência é necessária quando o tratamento definitivo não puder ser feito no local, sendo mais urgente quanto mais grave a lesão de base. As situações mais comuns são necessidade de:

  • Tomografia computadorizada
  • Avaliação com neurocirurgião e/ou cuidados neurocríticos
  • Cirurgia de urgência
  • Terapia intensiva

Uma vez decidido pela transferência, são necessários alguns procedimentos para garantir um transporte seguro, minimizando danos iatrogênicos/secundários. Essa responsabilidade é do médico que pediu a transferência! Leve em consideração na sua decisão:

1. O quão rápido deve ser o transporte?

  • Uma lesão de aorta certamente deve chegar em minutos ao hospital de destino, ao passo que uma fratura exposto pode levar poucas horas. Quanto mais rápido, mais provável que você necessite de transporte aéreo.
  • Não faça exames diagnóstico que não vão mudar a conduta. Como exemplo, se você tem hipotensão com líquido livre abdominal, a decisão é cirúrgica → envie ao destino final sem perder tempo fazendo TC antes do transporte.
  • As únicas medidas que devem atrasar o transporte são aquelas que visam estabilizar lesões com risco de vida imediato e/ou o alívio da dor.

2. Quais transportes estão disponíveis na sua região?

  • De nada adianta você definir que precisa de transporte aéreo se não houver aeroporto e/ou heliponto em sua região.

3. Há restrições meteorológicas?

4. O tamanho do paciente é adequado ao meio de transporte escolhido?

  • Helicópteros especialmente oferecem pouco espaço para pessoas grandes e/ou obesas.

5. Qual o suporte necessário durante o transporte? Só suporte básico ou UTI móvel?

  • Lembre, por exemplo, que as variações da pressão atmosférica no ar podem aumentar um pneumotórax ou uma distensão gástrica.

Nossas reportagens sobre transporte intra-hospitalar e transporte do paciente grave trazem várias dicas que serão úteis para você. Não deixe de ler.

Avaliação Lesões Precauções
Via Aérea Obstrução Rx e Gasometria
Lesão Traqueia Intubação
Respiração Pneumotórax Rx e Gasometria
Hemotórax Intubação
Drenagem pleural
Circulação Tamponamento Reposição volêmica
Choque 2 acessos venosos periféricos
Hemorragia Hemostasia
Fratura Exposta FAST x Lavado x TC
Disability (incapacidade)

Exposição

Glasgow < 13 TC crânio
Intoxicação, drogas e álcool Proteção via aérea (IOT)
Déficit motor Aquecimento
Hipotermia

Dica importante: na dúvida, aja com precaução:

  • Monitore ECG, PA e oximetria durante o transporte.
  • Pacientes muito obesos, com padrão respiratório ruim, uso de álcool ou drogas, são melhor transportados com via aérea protegida: leia-se intubados.
  • Tenha sempre equipamento para aspiração das vias aéreas.
  • Considere sonda nasogástrica em pacientes com estômago cheio e/ou distendidos.
  • Tenha pelo menos dois acessos venosos periféricos calibrosos.
  • Leve soluções cristaloides e aminas, caso ocorra hipotensão grave.
  • Mantenha proteção cervical até o exame de imagem excluir lesões.

E, por fim, comunicação é fundamental. Envie um registro detalhado de tudo que foi identificado e realizado. O ATLS recomenda o ABC-SBAR, que nada mais é do que informações sobre via aérea, ventilação/oxigenação e circulação, somado ao conhecido SBAR.

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Autor:

Ronaldo Gismondi

Doutorado em Medicina pela UERJ ⦁ Cardiologista do Niterói D’Or ⦁ Professor de Clínica Médica da Universidade Federal Fluminense

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