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Atributos da Atenção Primária: integralidade e abrangência

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Em textos anteriores, no Portal PebMed, falamos sobre a importância para o médico de família e para sua equipe, de fornecer um cuidado aberto e acessível à população, bem como de acompanhá-la longitudinalmente ao longo do tempo. Mas quais devem ser as características desse cuidado oferecido? Certamente, um dos pilares que sustentam uma prática em saúde de qualidade na Atenção Primária (APS) é o seu terceiro atributo, sobre o qual vamos falar hoje: a integralidade.

O termo “integralidade” é bastante complexo e possui diversos sentidos, de acordo com o contexto e com diferentes autores, podendo significar desde a característica de uma medicina menos fragmentada, que busque atender o paciente como um todo – levando em consideração seus aspectos biopsicossociais, até a integração entre diversas áreas, programas, especialidades ou atividades médicas, atuando como uma só, de modo a cuidar da saúde de indivíduos e populações de maneira mais integral e completa. No entanto, apesar de essas definições dialogarem entre si, o atributo integralidade na APS possui um significado um pouco mais específico.

Um dos pilares que sustentam uma prática em saúde de qualidade na Atenção Primária (APS) é a integralidade, assunto hoje da série.

Intregalidade é o quê?

Segundo Starfield, uma APS integral é aquela capaz de reconhecer e lidar com todo o leque de necessidades de saúde que os indivíduos possuem. A equipe de APS deve ser capaz de resolver esses problemas de saúde ou de direcioná-los a outros pontos da rede, caso necessário. Ou seja, a integralidade tem a ver com a carteira de serviços que uma unidade básica de saúde pode oferecer a seus pacientes. Devem ser ofertados, na APS, uma ampla gama de recursos que dê conta da multimorbidade dos pacientes e das variadas demandas trazidas pela população.

Desse modo, podemos dizer que o principal fator que deve guiar quais cuidados uma unidade de APS é capaz de oferecer é a prevalência de doenças na população atendida. Um local onde a tuberculose é prevalente, por exemplo, deve se ofertar, com muita facilidade, exames de escarro; em áreas onde a prostituição é comum, testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis devem ser de fácil acesso; equipes que atendam muitos idosos acamados, da mesma maneira, devem oferecer mais turnos de visitas domiciliares.

Além disso, entendendo que o médico de família e comunidade deve atuar em uma APS resolutiva e integral, é essencial que todas as unidades sejam capazes de realizar adequadamente ações de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e recuperação em saúde. O conjunto de serviços oferecidos é o que avalia a integralidade do serviço, incluindo desde orientações sobre os malefícios do cigarro, atividades de rastreamento de câncer e acompanhamento de doenças crônicas até as visitas domiciliares, atividades de educação em saúde na comunidade, articulação intersetorial e com organizações comunitárias; passando por consultas de saúde bucal, realização de pequenas cirurgias como a cantoplastia, colocação de DIU e atenção à saúde mental.

Apesar de usarmos em português o termo “integralidade”, originalmente, em inglês, a palavra utilizada para descrever esse atributo é “comprehensiveness”, que fala mais sobre “abrangência” do cuidado do que sobre aqueles outros sentidos de integralidade mencionados no início do texto.

Entretanto, entendemos que para oferecer todos os recursos que uma população precisa para suas necessidades de saúde, é premente, também, abordar os indivíduos dentro de sua complexidade biopsicossocial – uma vez que esta influencia diretamente em seu estado de saúde – e atuar de modo integrado e transversal no enfrentamento dos diferentes tipos de problemas de saúde. Uma mulher pode ser gestante e ter depressão. Uma pessoa diabética pode, também, apresentar problemas com drogas. Um paciente com dores musculoesqueléticas muitas vezes também enfrenta problemas familiares importantes.

Para garantirmos a integralidade e a abrangência do cuidado, portanto, não basta apenas dispormos dos recursos para tratar essas pessoas: também é necessário saber abordá-las como um todo, em todos os seus aspectos, integralmente.

Confira a série completa:

Autor: 

 

Referências bibliográficas:

  • Starfield B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO; 2002.
  • Duncan, B .B. Schmidt, M. I.; Giuliani, E. R. J. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. Capítulo 4: Organização de Serviços de Atenção Primária à Saúde. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
  • Gusso G, Lopes JMC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade – 2a edição. Cap. 4: Atenção primária à saúde. Editora Artmed, 2019.

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